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  • quinta-feira, 28 de julho de 2016

    Prejuízos olímpicos

    Governos populistas, sem exceções, em todo tempo e lugar, buscam nos eventos esportivos, principalmente aqueles de intensas repercussões interna e externa, meios de difundir e propagandear seus feitos e imagem. A história está repleta de exemplos desse tipo e mostram como o personalismo, o apelo ufanista e a exploração marqueteira da gestão do Estado caminham, lado a lado, com esses grandes torneios. Não foi diferente durante o governo Médici, e não foi diferente no governo Lula.

    Arquitetadas dentro do esquema cartesiano e frio de propaganda do governo, a Copa do Mundo de Futebol e agora as Olimpíadas serviram para incensar e pôr em primeiro plano a figura do chefe do Executivo. Pai dos pobres, pai da pátria, pai dos esportes. Não importa o epíteto, interessa, isso sim, destacar que graças à intervenção pessoal do “nosso guia”, o Brasil se tornará também uma potência nos esportes. Todo o resto, incluindo os gastos astronômicos para viabilizar os eventos, é secundário e vem em decorrência da premissa original.

    Deixado o legado da Copa do Mundo, os grandes estádios são agora verdadeiros elefantes brancos, cuja manutenção diária exige cada vez mais recursos do contribuinte. O caso do Mané Garrincha, o mais caro de todas as arenas do planeta, é um exemplo concreto.

    A Noruega abriu mão de realizar os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022 sob a alegação dos altos custos financeiros para o cidadão. Somente com a realização da Copa em 2014, a Fifa embolsou R$ 16 bilhões. Um recorde absoluto em toda a história da entidade. A maioria de seus dirigentes encontra-se hoje banida do mundo da bola e não se atreve sequer a sair das fronteiras do país, sob pena de serem presos e deportados para os EUA onde a Justiça quer trancafiá-los por longos períodos.

    Quem lucrou também com aqueles jogos foram as grandes empreiteiras, a maioria investigada pela Operação Lava-Jato. Para o restante dos brasileiros, ficaram as dívidas com a festança. No caso das Olimpíadas, especialistas no assunto garantem que a realização desses eventos é um mau negócio e deixa dívidas de longo prazo para as sedes desses eventos de até 30 anos.

    Estimativas como a do economista Andrew Zimbalist dão conta de que o Rio de Janeiro gastará cerca de R$ 20 bilhões para realizar os Jogos Olímpicos. Urbanistas de renome internacional, como a brasileira Raquel Rolnick, relatora das Nações Unidas para o Direito à Moradia e hoje uma das principais especialistas mundiais na questão, concordam que para a preparação desses eventos são comuns os casos de expulsões de grandes levas de moradores das áreas vizinhas aos jogos, encarecimento nos preços de moradia, falta de alternativas e pressão sobre as famílias mais pobres para deixarem os locais próximos dos eventos.

    Esses contingentes desfavorecidos, diz Raquel, acabam empurrados para periferias cada vez mais distantes e sem recursos. Para Raquel, essas têm sido as características tanto das Copas do Mundo como dos Jogos Olímpicos pelo mundo. No caso da Olimpíada do Rio de Janeiro, a expulsão dos moradores da Vila do Autódromo serve como ilustração desse modelo de exclusão.

    ***

    A frase que não foi pronunciada
    “Mostre o que você bebe e eu digo o que você pensa.”
    (Frequentador assíduo do Bar Bante)


    Por: Circe Cunha – Coluna “Visto, lido e ouvido – Ari Cunha – Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google

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