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  • sábado, 20 de agosto de 2016

    Câmara Legislativa: Um show de horrores

    Os áudios que trouxeram à tona o UTIgate, esquema de corrupção na cúpula da Câmara Legislativa, são pedagógicos. Expõem a podridão de políticos empenhados única e exclusivamente em se dar bem e levar vantagem em tudo. Só querem saber de mais propina, mais cargos para os apaniguados e mais poder. Em nenhum momento, nas conversas gravadas entre a denunciadora do escândalo, a deputada distrital Liliane Roriz (PTB), e a presidente da Casa, Celina Leão (PPS), ou com outros suspeitos de participar da maracutaia, ouve-se a mais tênue preocupação com o interesse público.

    É um show de horrores. Começa pela mudança de destinação de dinheiro, cerca de R$ 30 milhões, via emendas parlamentares. Inicialmente, a verba deveria ir para a reforma de escolas públicas. Mas, como integrantes da Mesa Diretora não conseguiram fechar “negócio” com empresário local que seria responsável pelas obras, eles mudam de ideia. E trocam de “projeto”. Resolvem repassar o dinheiro para quitar dívidas do Distrito Federal relativas a serviços de UTI prestados por clínicas e hospitais. Em contrapartida, recheariam os bolsos de propina.

    Em gravação, Valério Neves, então secretário-geral da Câmara Legislativa, conta a Liliane que foi o distrital Cristiano Araújo (PSD) quem conseguiu “o negócio” das UTis. Estima que a tratativa renderia, “no mínimo, 5% e, no máximo, 10”. E detalha: “Quem sabe disso são só os cinco membros da Mesa e o Cristiano”. Na época, a Mesa Diretora era composta por Celina, Bispo Renato Andrade (PR), Júlio César (PRB), Raimundo Ribeiro (PPS) e a própria Liliane, que renunciou ao cargo quando estourou a notícia de que o Ministério Público investiga o escândalo com base nos áudios gravados pela distrital.

    De abril para cá, é a segunda vez que o nome de Valério Neves desponta em meio a escândalos de corrupção. Em abril, ele foi detido na Operação Lava-Jato, acusado de ser o operador de esquema criminoso chefiado pelo ex-senador Gim Argello. O que estarrece quem se aventura a ouvir os áudios vazados até agora é o desdém que os acusados têm pelos cidadãos. As excelências não estão nem aí para os “bobões” que as elegem a cada quatro anos. Na intimidade, revelam as gravações, é zero a preocupação dessa gente com os brasilienses que trabalham cinco meses por ano apenas para pagar impostos e, em troca, não recebem serviços públicos decentes. É como se dissessem: “O povo que se exploda”.


    Por: Plácido Fernandes Vieira – Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog-Google

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