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  • sábado, 13 de agosto de 2016

    #História: "A manchete da inauguração" - (Primeira capa do jornal, que publicava lista de telefones dos moradores)

    Para a pesquisa, Marcella se debruçou nas publicações do primeiro ano do jornal, inaugurado em 1960

    Comunicóloga brasiliense estuda publicações do primeiro ano do Correio Braziliense e relata o início das manifestações sociais e culturais da nova capital. O resultado é uma dissertação de mestrado

    O jornal Correio Braziliense teve grande influência na construção da cena cultural de Brasília. Desde a inauguração da cidade, em 1960, se consolidou como o primeiro veículo impresso e contribuiu para registrar os costumes e a rotina dos pioneiros na capital recém-inaugurada. O jornal nascia com o objetivo de apresentar o novo lugar no coração do Brasil, transmitir aos leitores as ideias de progresso e de liberdade em voga na época; além de servir como um guia de atrações de uma cidade que acabava de ser criada. Essa foi a conclusão da dissertação de mestrado O jornal Correio Braziliense no processo de construção da cultura de Brasília: das origens ao dia 21 de abril de 1961, da Universidade Católica de Brasília, assinada pela comunicóloga Marcella da Rocha.

    Como motivação para a realização da pesquisa, a mestre se inspirou nas histórias que o avô contava. João Nascimento era jornalista, trabalhava como editor-chefe na Gazeta do Triângulo, em Minas Gerais, e era um grande entusiasta da construção de Brasília. “Quando soube do dia em que a cidade seria inaugurada, não hesitou em pegar um teco-teco para a nova capital. Ele sempre me contava dessa aventura e da emoção de ver uma cidade surgir do nada.”

    Além das memórias compartilhadas pelo avô, Marcella também tem carinho especial pela cidade. Nasceu e foi criada aqui e se encanta com as características do território candango. O tema para a dissertação estava escolhido e não poderia ser mais adequado: a comunicóloga queria recuperar o primeiro ano da publicação, lançada em 21 de abril de 1960, e traçar um paralelo com 365 dias inaugurais da cidade.

    Saber qual era a importância de um veículo de comunicação para a formação da cultura de uma cidade foi o principal objetivo da mestre nesse trabalho. “Queria ver (pelas publicações do jornal) a quantidade de serviços prestados, o crescimento da vida cotidiana em Brasília, como surgia a ideia de comunidade, de pertencimento à cidade, essa nova relação de bem-querer com o lugar que os acolheu. Tudo isso ajudou na humanização da capital e, por que não, a criar a identidade do brasiliense?”

    O estudo mostrou como a capital e o jornal foram, gradativamente, sendo estruturados com o decorrer do tempo. O Correio funcionou como um acolhedor das pessoas que chegaram para construir a cidade. Segundo relatos dos pioneiros, ouvidos por Marcella, muitos vieram para Brasília, convidados ou não, para instaurar o novo centro político do Brasil. O barro vermelho, característica marcante do solo brasiliense, aos poucos, deu espaço para construções modernas do arquiteto Oscar Niemeyer, pensadas no plano urbanístico de Lucio Costa. Siglas e números viraram endereços e, posteriormente, lares para aqueles que aceitaram o desafio de embarcar na aventura de Juscelino Kubitschek.

    Com uma configuração diferente de todas as demais cidades brasileiras, a terra candanga também teve um processo de desenvolvimento da vida cultural atípico. O impresso tinha, então, o papel de apresentar aos moradores o que o incipiente Distrito Federal poderia lhes oferecer. O jornal anunciava a abertura de lojas, a construção de igrejas e o que mais fosse novidade. Nas suas páginas, saía publicada a lista de telefones dos novos moradores. A comunicação não era feita nos moldes de um informe publicitário, era quase bate-papo direto com o pioneiro. Uma conversa despretensiosa para vender produtos, que começava mais ou menos assim: “Oh pioneiro de Brasília, a cidade já tem isso que você quer e você já encontra em tal loja...”
                Primeira capa do jornal, que publicava lista de telefones dos moradores

    O casal Oscar e Elinor Moren estava aqui na inauguração e tinha o jornal como fiel companheiro. “Era o nosso grande aliado nas descobertas sobre a cidade. Era o nosso guia, assim como o de nossos amigos, tanto em relação aos novos serviços que a cidade passava a oferecer, como em relação às opções de lazer e cultura disponíveis àquela época.” Marcella  entrevistou ainda a esposa de um dos principais médicos da época, o doutor Ítalo Nardelli. Elza conta que é leitora assídua do jornal até hoje. “Cheguei em Brasília em dezembro de 1960, e o Correio me ajudou a permanecer aqui. Todos os dias, eu o lia para saber o que acontecia na cidade e aonde levar as crianças.”

    De acordo com o historiador e jornalista Adirson Vasconcelos também entrevistado para a dissertação, os pioneiros recorriam ao primeiro impresso local para se inteirar do que acontecia no mundo, na política e na cultura do país, buscando, igualmente, informações sobre as novidades de toda ordem que surgiam na capital recém-inaugurada.

    Nas considerações finais, Marcella resume a importância e a ligação da cidade com o jornal: “Por meio das páginas do Correio Braziliense, Brasília foi cada vez mais humanizada e, aos poucos, se transformou em muito mais que a capital do Brasil. A cidade tornou-se, verdadeiramente, o lar definitivo de muitos de seus pioneiros e, hoje, 56 anos após sua inauguração, é a cidade natal de 1,7 milhão de brasilienses.”
                  Construção do Correio: jornal, desde então, conta o cotidiano da cidade



    Fonte: Correio Braziliense – Foto: Breno Fortes/CB/D.A.Press - Arquivo/CB


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