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  • quarta-feira, 28 de setembro de 2016

    Cadeiras cinéfilas - (Alguém precisa dizer onde estão as cadeiras de Sérgio Rodrigues e em que estado)

    O meu personagem de hoje são as cadeiras e, mais precisamente, as cadeiras do Cine Brasília. O leitor pode questionar o tema tão trivial enquanto o mundo explode. No entanto, o assunto é só aparentemente de menos relevância. Vamos aos fatos. Ao conduzir a reforma do Cine Brasília, o arquiteto Milton Ramos convidou o designer carioca Sérgio Rodrigues, que já havia trabalhado com Oscar Niemeyer e Lucio Costa em vários projetos, a desenhar poltronas originais para a sala.

    Sérgio descende de uma família de gênios: era sobrinho de Nelson Rodrigues e Mário Rodrigues. Ele é simplesmente o maior designer de móveis que o Brasil já teve e um dos melhores do mundo. Era arquiteto e proprietário de uma loja famosa no Rio de Janeiro dos anos 1960, a Oca, situada na Praça General Osório. Em Brasília, tem trabalhos no Itamaraty, no Jaburu, no Teatro Nacional, no Iate Clube e na Universidade de Brasília.

    É famoso no mundo inteiro. A poltrona mole que desenhou ganhou o prêmio principal no Concurso Internacional do Móvel, em Cantù, na Itália. Ia contra a tendência de suportes finos da época. Segundo o jornalista Sérgio Augusto, “na Poltrona Mole não se senta, refestela-se”. O sociólogo Odilon Ribeiro Coutinho enfatiza que ela “tem o dengo e a moleza libertina da senzala.”

    Pois bem, em 2010, o Cine Brasília fechou para outro necessário ciclo de reformas. Já era uma sala tombada. Passou cerca de 1 ano e meio em obras. Neste ínterim, um arquiteto telefonou para o professor de arquitetura José Carlos Coutinho e contou que as poltronas desenhadas por Sérgio Rodrigues haviam sido retiradas e substituídas. Algumas providências eram necessárias. Foram colocadas poltronas para cadeirantes e rampas.

    Alegaram que as cadeiras originais desenhadas por Sérgio Rodrigues estavam quebradas e não valia a pena restaurar. O descaso não parou aí. Alguém fez uma foto em celular mostrando que os móveis de Sérgio foram amontados embaixo do palco do Teatro Nacional. E tudo isso foi feito quando o Cine Brasília já era tombado.

    As novas cadeiras são incômodas, inadequadas, quebram facilmente. A gente sai do cinema com a coluna estropiada. Além do que, elas são, nas palavras do professor de arquitetura José Carlos Coutinho, verdadeiras batedoras de carteira, de chave de carro e de crachá. Eles caem e ficam perdidos nos vãos. Com as cadeiras de Sérgio Rodrigues, a gente atravessava a maratona de filmes do Cine Brasília como se estivesse sentado nas nuvens. Eram boas e confortáveis até para dormir.

    Alguém precisa dizer onde estão as cadeiras de Sérgio Rodrigues e em que estado. No próximo ano, o Festival completa 50 anos e um bom presente do atual governo seria encontrar, restaurar e reinstalar as cadeiras originais. É a única maneira de reparar essa trapalhada de deseducação cultural. Tenho certeza de que as cadeiras de Sérgio Rodrigues gostavam muito de cinema.
                     Cine Brasília antes da reforma, com as cadeiras de Sérgio Rodrigues




    Por: Severino Francisco – Fotos/Ilustração: Blog – Google – Correio Braziliense 

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