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  • sexta-feira, 23 de setembro de 2016

    #ECONOMIA » Estiagem quebra a safra de milho - "Produtores do DF amargam um prejuízo de até R$ 120 milhões e estimam redução de 70% do plantio. Como resultado, consumidor sente as consequências com a alto preço do grão. Executivo local decretou situação de emergência"

    Em meio à plantação seca de milho, Elias Rapacho estima que este será o maio prejuízo da história do DF

    "Produtores do DF amargam um prejuízo de até R$ 120 milhões e estimam redução de 70% do plantio. Como resultado, consumidor sente as consequências com a alto preço do grão. Executivo local decretou situação de emergência"

    Produtores agrícolas do Distrito Federal têm enfrentado dificuldades no campo: a estiagem que atingiu as lavouras da capital entre fevereiro e abril desestruturou a produção e provocou queda no rendimento. Passados quase três meses, o estrago é dado como certo para a maior parte dos trabalhadores rurais que investiram na plantação. A safra do milho passou por uma redução de 70% — de 120 sacos por hectare para 35, no máximo 40, segundo gerentes de unidades locais da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF). A Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do DF (Seagri-DF) estima um prejuízo entre R$ 115 milhões e R$ 120 milhões com a produção do grão. Por causa do baixo rendimento, produtores tentam compensar com a alta do preço. O saco de 60kg, geralmente vendido a cerca de R$ 20, é hoje comercializado por aproximadamente R$ 50.

    O período sem chuva e as altas temperaturas afetam inclusive a cadeia produtiva: o milho serve de alimento para aves, suínos e bovinos, além do consumo humano. Sem produção, o mercado de carne também é prejudicado. A maior parte dos compradores de grãos do DF são fábricas que produzem ração para animais. Também há demanda de outros estados, como Espírito Santo e Minas Gerais. Mas, com as espigas sem grãos, a expectativa é uma das piores do ano. As poucas produções de milho que deram resultado foram plantadas dias antes da safrinha: período compreendido entre fim de fevereiro e início de março.

    Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o período chuvoso no DF vai de outubro a fim de abril. Em janeiro deste ano, choveu 398,8mm, acima da média prevista para o mês, que é de 247,4mm. Mas, a partir de fevereiro, o resultado ficou abaixo. “Como faltou chuva nessa segunda safra, compreendida a partir de março, não teve grãos. A perda é muito significativa, principalmente para as regiões de Mato Grosso, Goiás, DF, Minas Gerais e sudoeste do país, onde o normal era ter duas safras por ano. Os produtores acreditam muito na segunda safra, porque 2015 foi um período bom, mas, este ano, acabou sendo muito ruim”, explicou o meteorologista Hamilton Carvalho.

    No Núcleo Rural Tabatinga, às margens da DF-355,  próximo a Planaltina, o produtor rural Elias Rapacho, 52 anos, vive o pior momento da temporada. Natural do Rio Grande do Sul, ele planta grãos há 36 anos — 15 só em Brasília, desde que se mudou para a capital com a família, em 2001, por causa do tempo ruim no estado de origem. Em meio às plantações de 85 hectares envelhecidas pelo sol forte, ele contou que a falta de chuva começou a preocupar há quatro anos, mas, desta vez, afetou em maior grau. O produtor investe em soja na primeira chuva (de outubro a fevereiro); milho, na safrinha, assim como sorgo (cereal utilizado prioritariamente como alimento de gado) e mexerica. “Esta é a temporada mais fraca. A produção de milho vai cair quase 100%. Colhia 100 sacos do grão e vou tirar 70% menos. Tudo isso só por causa da chuva, porque nos outros anos sempre foi normal. Falta saber o prejuízo em agosto ou setembro”, lamentou.

    Escassez
    Rapacho deve colher o grão plantado em fevereiro entre o fim deste mês e o próximo. Com o resultado aquém do esperado, o produtor já planeja o próximo plantio de soja, que começa em outubro. Ele ainda alertou para a possibilidade de faltar grão. “As lavouras não estão produzindo quase nada. Mesmo com o pivô (leia Para saber mais), não ia ter a quantidade de água necessária. O investimento é caro. Gasto R$ 3 mil por hectare para soja e milho”, explicou. “Agora, é fazer outro plantio quando começa a soja. A safrinha é um risco, mas nada comparado ao que estamos enfrentando. Vim do Sul, porque lá sofríamos muito. Aqui, é a primeira vez que isso acontece”, acrescentou.

    O gerente da unidade local da Emater-DF na área do Núcleo Rural Tabatinga e engenheiro agrônomo, Lucas Pacheco Máximo de Almeida, esclareceu que a estiagem supera 80 dias em determinadas regiões. Ele explicou que, sem chuva, não há fecundação, o que impede a produção de grãos. O resultado no milho, por exemplo, são espigas pequenas e com poucos grãos. “Essa realidade pegou o momento crítico do cultivo do milho, na fase do emponderamento, quando a espiga gera os grãos. Isso significa uma perda de produtividade, que em alguns casos atinge 100%. A média de prejuízo, porém, ficou em 65%. Em números, um produtor que colhia 100 sacos por hectare na safrinha vai colher em torno de 35”, estimou.

    Ele considerou que a alta do preço nas últimas três semanas equilibrou o prejuízo. Ao longo da semana passada, no entanto, houve a entrada do milho do Mercosul em território brasileiro e o valor voltou a cair. “A situação preocupa, porque o pessoal acostumou a fazer duas safras no período da chuva, graças às tecnologias de soja precoce. Com a quebra econômica da safrinha, os produtores começam a pensar o uso ou não dela. Isso, em termos econômicos, vai gerar uma redução da produção e, consequentemente, toda a cadeia vai sofrer”, alegou.

    Emergência
    O governador do DF, Rodrigo Rollemberg (PSB), há uma semana decretou situação de emergência nas regiões rurais. O decreto do Executivo local, publicado em 7 de junho no Diário Oficial do DF, vale por seis meses. A medida vai subsidiar o pedido de refinanciamento de dívidas dos produtores, a prorrogação dos débitos e a justificativa de quebras de contrato.

    Segundo o secretário de Agricultura, José Guilherme Leal, em um primeiro momento, a pasta tem comunicado os agentes financeiros que operam em Brasília e financiam o crédito rural para que tomem conhecimento da manifestação oficial do GDF sobre a situação crítica no campo. “Vamos fazer uma reunião com a Câmara Setorial de Grão, produtores, agentes financeiros e entidades envolvidas na produção e comercialização dos produtos para apresentarmos o decreto e a nota técnica. A expectativa, com isso, é que se crie um ambiente em que os profissionais do campo possam discutir, caso a caso, a necessidade de alongamento dos seus orçamentos”, ressaltou.

    Leal confirmou que a principal área atingida é o cultivo do milho. Segundo ele, o foco, agora, é impedir que a mesma redução atinja outras esferas. “O estrago nesse setor já está feito. Estamos com uma preocupação maior quanto à produção de hortaliças, porque vários dos rios da região estão com volume baixo.” A maioria da plantação do feijão é irrigada por pivô. O secretário estima, no entanto, que, como a água não tem sido suficiente, pelo menos 30% dos equipamentos usados estão parados. A baixa produtividade, portanto, também afeta o principal alimento que vai à mesa do brasileiro.

    O gerente da unidade local da Emater-DF na área do PAD-DF e engenheiro agrônomo, Marconi Moreira Borges, explicou que a expectativa de chuva no período da safrinha, foi baixa. Além disso, as temporadas ficaram concentradas em poucos dias. Para agravar a situação, a temperatura ficou três graus mais alta do que a de costume. “Por causa de tudo isso, as colheitas não vão produzir praticamente nada. Desde a segunda quinzena de fevereiro, os produtores viram chuva só no retrato. Sem chuva a planta não consegue realizar a fotossíntese, absorver água, nem fazer nada do que precisa”, alertou.

    Com a falta de chuva, os rios também baixaram o volume. Os produtores que plantam de forma irrigada feijão e milho, por exemplo, também perderam água. “Não tem água para todo mundo. Isso significa que houve uma redução direta de 70% da renda do produtor, que não vai ter dinheiro nem para pagar os custos de produção. É uma tristeza, porque vai faltar recursos para plantio da safra normal, que começará em outubro. O decreto do estado de emergência tende a facilitar os processos de negociação com os bancos”, acredita.

    Para saber mais - A função do pivô
    A irrigação por pivô é a mais utilizada para plantações de grãos, como feijão, milho e soja, além de tomate, algodão, cana-de-açúcar, batata, cebola, alho e frutas, a exemplo de banana e mamão. Também é usada para pasto. Trata-se de uma estrutura de equipamento que varia de 4 a 6 metros de altura. Existem três principais tipos: o pivô central fixo, que cobre uma área circular; o pivô central rebocável, que cobre várias áreas circulares, pois desloca de uma para outra; e o sistema linear, em que o equipamento se desloca em linha reta.

    O pivô central é indicado para áreas de cultivo contínuo. A torre é fixada ao solo, irrigando de forma circular uma área pré-determinada. O rebocável é mais usado em regiões de cultivo contínuo, uma vez que aproveita ao máximo a produtividade do campo irrigado. Já o linear é ideal para áreas retangulares, pois permite o aproveitamento total da área — é abastecido por um captador lateral localizado na primeira torre.



    Fonte: Isa Stacciarini – Fotos: Marcelo Ferreira/CB/D.A.Press – Correio Braziliense 

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