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  • sexta-feira, 2 de setembro de 2016

    Entrevista: Márcia Abrahão, a primeira reitora da UnB

    Em apuração: os votos dos técnicos administrativos pesaram na vitória de Márcia Abrahão
    O processo de consulta para escolha da próxima gestão da Universidade de Brasília (UnB) terminou ontem. A candidata Márcia Abrahão, da Chapa 94, e o vice, Enrique Huelva, alcançaram a maioria dos votos e ganharam as eleições ainda no primeiro turno. O resultado contrariou a expectativa de que o pleito seguisse para uma segunda etapa, entre ela e o candidato à reeleição, Ivan Camargo, que compunha a Chapa 93 com Sônia Báo como vice. Com a vitória, Márcia será a primeira mulher a ocupar o cargo.

    Os votos dos servidores técnicos administrativos foram os que mais contribuíram para definir a conquista, que agora segue para validação do Conselho Universitário (Consuni). A verificação e a contagem dos votos levaram mais de sete horas. A comemoração de apoiadores da Chapa 94 começou logo na apuração das cédulas dos técnicos, que deu larga vantagem a Márcia Abrahão. Foram 1.512 votos, contra 500 para Ivan Camargo.

    Entre os professores, o candidato à reeleição foi o mais votado (866), mas a diferença para a principal adversária se revelou pequena, de pouco mais de 100 votos. Entre os estudantes, Márcia recebeu 6.136 votos, e Ivan, 4.487. Ao todo, foram contabilizados mais de 15,4 mil votos válidos.

    A vencedora recebeu 8.398, contra 5.853 da Chapa 95. A candidata da Chapa 93, Denise Bomtempo, e o vice dela, José Manoel Sánchez, ficaram em terceiro lugar. Eles receberam 1.069 votos no total. Assim como nos dois pleitos anteriores, a consulta foi paritária, ou seja, o voto de cada segmento equivale a um terço do resultado. No entanto, para alcançar esse grau de participação, seria necessário que todos os votantes tivessem comparecido às urnas (leia Para saber mais).

    A maior participação foi verificada entre os técnicos: cerca de 75% registraram a opinião nas urnas. Aproximadamente 72% dos professores e 24% dos estudantes prestigiaram o pleito. Denise Bomtempo e Ivan Camargo acompanharam a contagem durante a manhã e parte da tarde, no Centro Comunitário da UnB. Márcia Abrahão chegou depois das 15h, quando seus apoiadores comemoravam a vitória iminente. Após a segunda parcial de votos de estudantes — depois do anúncio dos números de técnicos e de professores —, era possível dar como certa a vitória da candidata, baseado no critério de proporcionalidade.

    O que pesou para o candidato Ivan Camargo, que esteve à frente da universidade entre 2012 e este ano, foi a retirada da flexibilização da jornada dos técnicos para 30 horas semanais pelo Conselho de Administração da universidade. Uma das principais plataformas de Márcia foi a garantia de que concederia a flexibilização, principal reivindicação da categoria.


    Trabalho

    Momentos antes do anúncio oficial da consulta, ela afirmou que as demandas dos técnicos têm sido relegadas a segundo plano na UnB e que pretende mudar isso por meio do diálogo, que incluirá todos os segmentos. A candidata ressaltou ainda que o resultado das urnas é fruto do trabalho árduo durante a campanha, que começou no início de agosto, mas admitiu que ficou surpresa com a vitória no primeiro turno. A comunidade acadêmica votou nas últimas terça e quarta-feira.

    Márcia Abrahão é professora do Instituto de Geociências da UnB e foi decana de Ensino de Graduação durante a gestão de José Geraldo de Sousa, época em que foi implantado na instituição o Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). Na última consulta para reitor, ela chegou a disputar o segundo turno com o professor Ivan Camargo. Desta vez, além de aumentar o número de votos entre os técnicos, ela ganhou entre os estudantes, que, no pleito anterior, preferiram o outro candidato. O vice, Enrique Huelva, é professor do Instituto de Letras.

    Nas urnas - Confira o resultado final oficial
    Docentes
    Chapa 93    202
    Chapa 94    750
    Chapa 95    866

    Estudantes
    Chapa 93    538
    Chapa 94    6.136
    Chapa 95    4.487

    Técnicos
    Chapa 93    329
    Chapa 94    1.512
    Chapa 95    500

     Brancos     33
      Nulos    61

    Total de votos válidos: 15.414


    Protesto na enfermagem
    Enquanto os votos da consulta para reitor da UnB estavam sendo contados, um grupo de estudantes do curso de enfermagem protestou contra o possível término do contrato com a Secretaria de Saúde para o atendimento da Rede Leste, que inclui unidades de saúde de regiões como Paranoá, Itapoã e São Sebastião. Segundo a estudante do 9º semestre de enfermagem Suellen Alves, 21 anos, esses eram campos de estágio historicamente ocupados por alunos da UnB. No entanto, o contrato com o GDF vencerá em março do próximo ano, e eles temem que não seja renovado. Segundo a Secretaria de Comunicação da UnB, o processo de renovação do contrato está em curso. Hoje, os estudantes pretendem ir à Secretaria de Saúde apresentar a reivindicação.

    Por: Mariana Niederauer - Especial para o Correio

    Entrevista:  Márcia Abrahão - "Trabalhar para fazer mais com menos"
    Primeira mulher a ser eleita para assumir o maior cargo da Universidade de Brasília (UnB), a professora Márcia Abrahão assumirá a função com uma proposta de diálogo para a gestão 2016-2020. Acompanhada do vice, Enrique Huelva, diretor do Instituto de Letras, a dupla enfrentará pela frente o desafio de atender os diferentes públicos de uma das maiores universidade do país. “Será uma gestão que abrirá conversas para uma universidade moderna e ágil”, explica Márcia.

    A UnB tem 3.111 servidores e 3.029 professores. Os alunos somam quase 40 mil, divididos entre o Câmpus Darcy Ribeiro, na Asa Norte, e as unidades de Planaltina, Ceilândia e do Gama. Os técnicos, que contribuíram bastante no resultado do pleito, buscam a volta da jornada de 30 horas. Os docentes, a qualificação e menos burocratização dos processos acadêmicos. E os universitários pleiteiam melhorias na estrutura e na segurança. Como solução, a nova reitora pretende manter o diálogo e buscar parceiras.

    Qual a base da nova gestão para a UnB?
    O nome da chapa é Diálogo para avançar. A justifica é que será uma gestão que abrirá conversas para uma universidade moderna e ágil. Um dos pontos é o investimento em tecnologia por meio da integração do sistema de gestão. Durante a campanha pregamos a busca por uma universidade de excelência acadêmica e inclusiva. A visão é a UnB como excelência em diversas áreas, como gestão, ensino, relações interpessoais, ensino e pesquisa.

    Quais os problemas prioritários a serem resolvidos na UnB?
    Os três principais são relacionados à gestão. Atualmente, existe uma quantidade de obras inacabadas, que vamos trabalhar para concluir e entregar para a comunidade acadêmica. A questão orçamentária é um grande problema. Com a redução dos últimos tempos, vamos trabalhar para fazer mais com menos. O último ponto se diz ao funcionamento pleno da instituição nos três turnos — um desafio a ser enfrentado de imediato. A UnB expandiu e está com diversos cursos noturnos, e o atendimento interno e externo é majoritariamente no horário comercial (8h às 17h). Vamos trabalhar para expandir esse atendimento até as 23h.

    Como a Reitoria trabalha a questão de atendimento ao público externo e parcerias?
    A UnB deve ser o palco dos grandes debates nacionais e internacionais. A nossa intenção é atrair essas discussões para dentro do espaço acadêmico, envolvendo esporte, arte, cultura, educação e demais áreas. Para isso, é necessário buscar uma relação forte com o governo federal e local. A visão é que a UnB tem de se abrir também para a iniciativa privada e buscar parcerias nos projetos. Queremos ser palco da busca de soluções para os problemas do país.

    Como pretende atender os problemas dos diferentes públicos da UnB?
    As demandas são muitas. A questão dos técnicos envolve também o funcionamento pleno da universidade, que dará condições para a jornada de 30 horas, conforme reivindicado. Com esse horário, eles terão mais oportunidades para se capacitar. Hoje, cerca de 70% deles têm graduação. Vamos atuar com os diretores das faculdades para abrir vagas e criar mestrados dedicados aos técnicos. Em relação aos professores, são os programas de pós-graduação. A busca é trabalhar com políticas específicas para diferentes tipos de programas de pós. Outra demanda dos docentes é a simplificação dos processos administrativos, envolvendo contratos, convênios e compras. Para os alunos, a preocupação é com a segurança. Vamos dialogar com o GDF para buscar soluções. Ver também a ampliação da iluminação, que é um problema crônico da universidade.

    Qual é a expectativa para a gestão?
    A melhor possível. Conversei com o professor Ivan Camargo, e ele se colocou à disposição para fazer transição positiva na UnB. Vamos trabalhar em parceria nessa fase de mudança para garantir o melhor para a comunidade acadêmica. Destaco que a nossa comunidade é de alto nível. Ela sabe exatamente da necessidade, assim também como as dificuldades. Vamos construir juntos as soluções para os problemas da UnB.



    Fonte: Thiago Soares – Fotos: Beto Monteiro/Secom-Unb – Marcelo Ferreira/CB/D.A.Press – Correio Braziliense


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