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  • terça-feira, 27 de setembro de 2016

    Os médicos e os monstros - (Cassem os monstros, repudiem messias oportunistas e protejam a medicina.)

    Quais são os médicos e quem são os monstros? A operação Hyde, que investiga o uso criminoso de OPMEs (órtese, próteses e materiais especiais) desperta um grande interesse, pois envolve todos os profissionais da área de saúde e todos os seus segmentos, como as seguradoras e as operadoras de saúde, de vida, de responsabilidade civil e todos os profissionais da indústria farmacêutica, dos fabricantes de insumos de saúde, de equipamentos, da indústria hospitalar e suas áreas satélites, do universo da toga, sindicatos, políticos e tantos outros. Todos têm interesses diretos nesse universo que gasta bilhões de reais todos os anos. Segundo a Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP), os hospitais privados movimentaram, no Brasil, cifras próximas a R$ 400 bilhões em 2014.

    Todos atuam em cima de uma área extremamente sensível e fragilizada que é a saúde do indivíduo e da população, mantendo um assistencialismo hospitalocêntrico como modelo predominante, desenvolvido entusiasticamente em momento de euforia liberal e submissão cultural. A saúde e a vida ficaram sem preço para o indivíduo, mas também distantes e caras, com um custo impagável para o paciente e para o Estado. Uma nova forma de assistência tem que ser implantada, mas não se faz migração de modelo de um momento para outro, sem correr riscos de grandes equívocos, até maiores que o dano já imposto pelo atual à população.

    A fomentação do escândalo, espetacularmente associado ao romance inglês Strange case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde (O médico e o monstro), em cima da investigação de crime hediondo, como é uma indicação de procedimento médico para obter benefício financeiro, não se referindo só à cirurgia, mas a qualquer procedimento, como um exame invasivo desnecessário, um tratamento intervencionista, uma droga e até um complemento ou orientação equivocada que pode causar algum dano à saúde do paciente, deve ser avaliada em toda cadeia para não ser minimizada quando personifica possíveis vilões.

    Personificar o médico investigado como sendo o único responsável por esta monstruosidade só serve para suavizar o terror e esconder na escuridão das emoções e dos apelos midiáticos, todo o cenário e todo o bando de monstros. Os monstros que fazem os pagamentos, aqueles que superfaturam nas compras, os que se cartelizam para vender ao poder público e criar programas, os que falsificam drogas, os que vendem assistências inexistentes, os que financiam políticos para criar leis favoráveis aos seus interesses, os que vendem e não entregam, os que vestem a pele de cordeiros sociais para morder a saúde com dentes de lobo, toda a alcateia e comensais que parasitam em torno da saúde e, logicamente, os que participam das ações.

    Condenar publicamente um profissional em fase de investigação, já deixando-o penalizado, atende apenas aos interesses dos outros monstros que se escondem no espetáculo, financiam e promovem o servilismo. Personificar em destaque o médico na cadeia criminosa associa a pessoa à ciência médica, contamina a medicina e prejudica a boa prática, pondo uma cunha no elemento humanístico que está fortemente ligado à medicina. Mais de 13 mil médicos atuam no Distrito Federal e Entorno, são quatrocentos mil médicos em todo o Brasil, a maioria convive com o cenário de guerra que é agravado pela vilpenia e a contaminação do conceito da medicina, refletindo diretamente na sua prática e na aplicação do conhecimento médico. A medicina precisa ser protegida. A instituição da medicina deve ser protegida como todas as outras instituições de conhecimento. O país carece de instituições fortes, comprometidas com a sociedade, tanto as civis como as públicas.

    As organizações médicas tentam fazer o seu papel. O Conselho de Medicina é um dos mais atuantes no país. O que mais julga, mais avalia e o que mais pune entre todos os conselhos profissionais. Não porque existem mais praticantes, mas, sobretudo, porque tem maior rigidez na avaliação de suas práticas. As associações médicas trabalham na regulamentação e regulação das práticas médicas aceitas e na formação de profissionais. Fazemos o nosso papel e precisamos da ajuda da sociedade em nome da medicina. Apoiamos a investigação rígida, o julgamento de acusados e a punição dos culpados. O médico condenado deve ter seu crime agravado pela prática inescrupulosa. Repudiamos a condenação prévia de profissionais na publicitação e personificação de culpados que contaminam a medicina. Cassem os monstros, repudiem messias oportunistas e protejam a medicina.




    Por: Luciano Carvalho - Presidente da Associação Médica de Brasília – Foto/Ilustração: Blog – Google – Correio Braziliense

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