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  • sábado, 15 de outubro de 2016

    LUCIO COSTA EM BRASÍLIA - "O BEIJO ESCONDIDO"

    Brasília, 21 de abril de 1960

    Lucio Costa, como Oscar Niemeyer, não participou da inauguração de Brasília. Mas veio à cidade em dias próximos aos da transferência para uma visita a Juscelino no Palácio da Alvorada, quando agradeceu pela chance de projetar a capital de seu país

    Nem Oscar Niemeyer nem Lucio Costa participaram dos três dias de festa da inauguração de Brasília. Os dois renunciaram às pompas da ocasião. O primeiro quis fugir das solenidades. “Era muito luxo para mim”, disse o comunista. O segundo tinha uma razão afetiva: Julieta Guimarães, Leleta, havia morrido seis anos antes em acidente de carro. O marido estava ao volante. 

    O arquiteto Ítalo Campofiorito, 81 anos, disse que o amigo lhe contou que veio a Brasília nos dias seguintes ao da inauguração. Que esteve no Palácio da Alvorada e deu um beijo de cada lado do rosto do presidente Juscelino Kubitschek, “accolade, como fazem os franceses”, por reverência e em agradecimento. Integrante da equipe de arquitetos que desenvolveram o projeto urbanístico do Plano Piloto, Campofiorito contou ao Correio que ouviu “da boca dele” essa informação. 

    Na histórica entrevista ao Jornal do Brasil, em novembro de 1984, Lucio Costa diz o seguinte: “… vim à inauguração, com Juscelino. Foi a primeira vez que vi a cidade já pronta, inaugurada, pronta para a transferência, para funcionar. Foi uma impressão muito forte.” Note-se que, imediatamente depois de dizer que veio “à inauguração”, ele afirmou que viu a cidade “inaugurada”.

    O arquiteto no fim dos anos 1950, um cinquentão

    O certo é que Lucio Costa não participou das cerimônias oficiais de 21 de abril de 1960 nem das que ocorreram em dias próximos. Suas duas filhas, Maria Elisa e Helena, o representaram, como descreve a arquiteta em Lucio Costa, inventor de Brasília, lançado este ano:

    “Abril de 1960. No aeroporto Santos Dumont, no Rio, um aviãozinho espera, para nos levar, minha irmã e eu, com mais duas ou três pessoas, para a inauguração da nova capital do país. Meu pai não quis ir, fomos só nos duas, e quando ele constatou como era pequenino o avião, não teve dúvidas, foi até a pista para perguntar ao piloto se era seguro…”

    A revista Time ressaltou, na cobertura do 21 de abril de 1960, a ausência do autor do projeto urbanístico nas festividades, ao que o arquiteto respondeu em carta enviada à publicação: “Acompanhei e aprovei o desenvolvimento do projeto de Brasília a partir do escritório da Novacap no Rio, e penso que a realização da ideia original revelou-se melhor que o esperado. Não fui lá por duas razões: primeiro, porque quero deixar todo o crédito pela expressão arquitetônica e efetiva construção da cidade para Niemeyer e (Israel) Pinheiro; segundo, porque minha mulher Leleta adoraria ter estado lá, e prefiro dividir com ela o impedimento.”

    Lucio Costa não veio ao canteiro de obras de Brasília nem mesmo para acompanhar os participantes do Congresso Internacional Extraordinário dos Críticos de  Arte, que trouxe à cidade, em setembro de 1959, alguns dos nomes mais expressivos da arquitetura.  


    A vinda discreta, logo depois do golpe 1964
    Militares se postam na Esplanada dos Ministérios nos primeiros dias de abril de 1960. Lucio estava no STF

    Quatro anos depois da inauguração da cidade, Lucio Costa voltou a Brasília com a mesma discrição da visita a Juscelino em 1960. Foi em 1964, depois do golpe de 31 de março. Não foi, porém, na qualidade de inventor da cidade que aterrissou no aeroporto, tomou um táxi e rumou para a Praça dos Três Poderes. Foi como o sogro de uma vítima do regime de força que tentava tirar o genro da prisão.

    “Foi uma coisa do destino. Vim procurar meu primo, que era presidente do Supremo Tribunal Federal, o Álvaro Ribeiro da Costa, porque o marido de Maria Elisa (Eduardo Sobral) tinha sido indevidamente cassado”, contou o arquiteto ao JB. “Ele era da Petrobras, chefiava o departamento econômico e estava defendendo a empresa contra aqueles outros diretores que estavam com tendência a desnacionalizar a Petrobras. De modo que ele estava muito marcado e aqueles elementos da Petrobras, que queriam disfarçadamente neutralizar a Petrobras, e privatizar aquilo, aproveitaram a deixa, e ele foi sacrificado.” 

    O presidente do STF sugeriu ao arquiteto que entrasse em contato com o marechal Adhemar de Queiroz (1899/1984), militar que teve participação ativa na preparação do golpe de 1964 e que, dias depois de instaurada a ditadura, foi nomeado presidente da Petrobras. “Fui procurá-lo (ao presidente do STF) para ver se conseguia alguma coisa e de lá mesmo tomei um táxi e fui para o aeroporto. Praticamente não vi Brasília”. 

    O economista Eduardo Sobral, tio do governador eleito, Rodrigo Rollemberg, era responsável pela Consultoria Econômica da Petrobras. Defensor intransigente do monopólio estatal da empresa, foi preso em seu gabinete, no Rio de Janeiro, nos primeiros dias de abril de 1964, e levado para o Dops, na Rua da Relação. Ficou detido durante um mês. “Até que um belo dia, sem explicação, apareceu em casa! Não havia nada formal contra ele, não pertencia a partido político e tudo o que fazia na Petrobras era às claras”, relembra Maria Elisa Costa. 

    Se Lucio Costa procurou ou não o marechal Queiroz no Rio, não se sabe. “Se foi, não comentou”, diz Maria Elisa. Dois meses depois, em junho, ela e o marido souberam pelo rádio que os direitos políticos de Sobral haviam sido cassados. Pediram asilo à Embaixada do México e de lá seguiram para a França, onde moraram por quatro anos e onde nasceu a única filha dos dois, Julieta. Quando da abertura dos arquivos do Dops, Julieta Sobral quis saber se havia registros sobre o pai e descobriu que a justificativa para a cassação foi “alta periculosidade intelectual”. Eduardo Sobral morreu de infarto, em 1982. Estava com aos 54 anos. 

    Depois da visita de 1964, Lucio Costa só voltaria a Brasília em 1974

    AS VINDAS

    1ª vez — 1957
    2ª vez — 1960
    3ª vez — 1964
    4ª vez — 1974
    5ª vez — 1984
    6ª vez — 1985 (abril) 
    7ª vez — 1985 (setembro)
    8ª vez — 1987 
    9ª vez — 1988 
    10ª vez - 1991
    11ª vez - 1992



    Por: Conceição Freitas - Correio Braziliense - Publicação: 12/12/2014



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