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  • sábado, 1 de outubro de 2016

    Onde está Deus?


    Por: Dom José Freire Falcão 

    Onde está Deus? Pergunta do papa Francisco diante do mal que há no mundo de hoje. “Onde está Deus, se no mundo existe o mal, se há pessoas famintas, sedentas, sem abrigo, deslocadas, refugiadas? Onde está Deus quando morrem pessoas inocentes por causa da violência, do terrorismo, das guerras? Onde está Deus, quando doenças cruéis rompem laços de vida e de afeto? Ou quando crianças são exploradas, humilhadas e sofrem — elas também — por causa de graves patologias? Onde está Deus, quando vemos a inquietação dos duvidosos e dos aflitos da alma?” (Via Sacra da Jornada Mundial da Juventude, Polônia).

    Em nosso país, onde está Deus, ao permitir a corrupção vergonhosa com prejuízo especialmente dos mais humildes e pobres? Corrupção que rouba deles o direito a uma habitação digna, o acesso à saúde e o alimento de cada dia, a educação dos filhos. Onde está Deus, quando representantes de nosso povo no Legislativo e no Executivo estão mais voltados para seus interesses pessoais, até mesmo para o enriquecimento ilícito, do que para o bem comum de nosso povo? Onde está Deus diante de todo o mal que há em nossa sociedade: a calamidade da saúde pública, o desemprego, a pobreza extrema?

    Se Deus é a misericórdia infinita, por que não estende sua mão sobre a terra nesta hora em que crianças e adultos são tragados pelas águas dos mares ao fugirem de suas terras; ou morrem sob os escombros de suas casas destruídas por bombas; ou são obrigadas a deixar seus lares, seu trabalho, sua terra, para migrar para outros países?

    Para esses questionamentos não há respostas humanas, afirma o papa Francisco. A resposta está em Jesus. “Jesus, que está neles, sofre neles, profundamente identificado com cada um”, que mendiga e sofre. Sim. Deus está. Está conosco. No sofrimento de pessoas, povos e nações. Mas nosso Deus não é somente o Deus da tristeza e da dor. Em seu Filho Jesus Cristo é, sobretudo, o Deus do amor e da esperança.

    Se Ele bate em nossa porta com o sofrimento, é para purificar-nos. É para que nossa alegria seja marcada pelo serviço aos outros. Alegria que nada pode arrebatar, nem a dor, nem a cruz, nem a morte. Nem por isso devemos deixar de lutar contra todo o mal que há no mundo, em nosso país, em nossa casa. É dever nosso de cristãos.

    A dor é noite que precede o despertar de um novo dia. Esperança de políticos que coloquem em primeiro lugar o bem e os interesses de seu povo; de empresários que não só busquem o lucro, mas o salário digno de seus empregados; cidadãos que trabalhem para o desenvolvimento integral de toda a nação. A exploração dos outros, especialmente dos mais pequeninos, é sempre deplorável e abominável. Mas sempre é possível a conversão dos exploradores e dos que se beneficiam de cargos públicos com o sacrifício da nação e de seu povo. Sim. Deus existe. Há o ateísmo prático dos que exploram os outros, destroem os outros. O ateísmo dos corruptores, dos assassinos, dos malfeitores.

    O ateísmo dos que se vangloriam de não crer em Deus. Seriam eles sinceros? É impossível olhar para os céus ou para os outros, nossos irmãos, sem ter uma crença, ao menos implícita, em Deus. O que há é o ateísmo prático dos que vivem como se Deus não existisse, ao não enxergarem nos outros um irmão, mas simples objeto de exploração. Deus existe. Está presente em nossas vidas e nesta terra.

    Rabindranath Tagore, místico hindu, talvez influenciado pelo cristianismo, em o O Gintanja’li, enaltece o seu Criador: “Fizeste sem fim, pois esse é o teu prazer. Vives esgotando esta taça frágil e enchendo-a sempre de vida fresca... Ao toque imortal de tuas mãos, meu pequeno coração esquece os limites da alegria e cria inexprimíveis expressões... Bêbedo de alegria de cantar, esqueço-me de mim mesmo e chamando-te amigo, a ti que és o meu senhor... Luz, minha luz, a luz que enche o mundo, a luz que beija o olhar, a luz que abranda o coração”.

    Deus existe. É certo de que estamos possuídos por Ele. Voltemos nosso olhar para o céu. O universo proclama a glória de Deus. O ocaso não explica sua origem. Tampouco pode ser confundido com o universo. Ele está acima de tudo, mas presente em tudo. Diz o salmista: “Os céus contam a glória de Deus, e o firmamento proclama a obra de suas mãos”( Sl, 19, 1 0).


    (*) Dom José Freire Falcão - Cardeal – Foto/Ilustração: Blog - Google

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