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  • sábado, 19 de novembro de 2016

    À caça das mangas


    "Aqui nesta região, tem a minha favorita, a manga-coquinho. Ela é bem docinha e não tem muito fiapo" Gerardo do Nascimento (em cima da mangueira), aposentado
    Ao alcance da população, as mais de 100 mil mangueiras espalhadas pelo DF estão carregadas, esperando para ser colhidas. E, quando acabar o período da fruta, é chegada a hora das jacas. Vantagens de se viver em uma cidade-pomar.

    Para muita gente, subir em árvores é brincadeira de criança. Para Gerardo do Nascimento, 63 anos, é uma doce aventura. Há mais de uma década ele tem o hábito de escalar pés de mangas da Quadra 106 Sul. O aposentado tem a sorte de viver em uma cidade que é um verdadeiro pomar. Manga, jaca, amora, abacate e diversas árvores frutíferas podem ser encontradas pelos parques, entrequadras e áreas verdes. E o que é melhor: tudo ao alcance da população.
    A favorita dos brasilienses é a manga. A partir do fim de outubro, é possível encontrar pessoas balançando os galhos, subindo nas árvores ou manuseando varas para tentar colher a doce fruta. Em todo o Distrito Federal, são pelo menos 100 mil árvores espalhadas pelos cantos da cidade, de acordo com a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap). A quadra 302 Sul tem a maior concentração de mangueiras (veja mapa).
    As espécies mais encontradas são a manga comum, a coquinho, a espada e a tommy. A população pode desfrutar dos pés carregados até janeiro. A fruta é típica da Índia, mas o sucesso e a fartura é tanta que parece ser nativa da capital. Acostumado a levar as mangas para a família, este ano, seu Gerardo resolveu convocar a esposa e os cunhados para ajudá-lo na colheita. Mesmo com a árvore molhada, ele não se intimida, rapidamente sobe no pé e sacode os galhos. Embaixo os parentes juntam as frutas e as guardam. A fartura é tanta que a família consegue encher uma sacola grande e uma mochila. “Aqui nesta região, tem a minha favorita, a manga-coquinho. Ela é bem docinha e não tem muito fiapo”, explica o aposentado. A mulher de Gerardo, Dalcina do Nascimento, 50, gostou de ajudar o marido. “Estou adorando participar, estamos colhendo e saboreando também. Já comi umas três. Ano que vem, estaremos aqui novamente”, planeja.
    Além do sabor, a fruta é rica em minerais e vitaminas, como A, B, C e E. A professora Elenice Batista, 42, também tem o seu ponto favorito. Escolheu a Praça do Buriti para colher as mangas. Moradora do Recanto das Emas, sempre que tem um tempinho, ela passa pelo local. “Como trabalho aqui perto, acabei descobrindo a praça. Não compro manga no mercado, gosto de pegar no pé mesmo”, diz. A Praça do Buriti é um ponto conhecido entre os amantes da fruta. Depois do almoço, é comum encontrar muitas pessoas colhendo. Apesar do movimento intenso, a professora afirma que a concorrência é menor que em sua cidade. Mas não há motivo para se preocupar com os “concorrentes”. De acordo com a Novacap, 10% da arborização das superquadras são compostas por mangueiras. O plantio é realizado pela companhia e por moradores da região.

    O taxista Élio Santos espera ansioso que as jacas amadureçam: árvores carregadas no Cruzeiro (Minervino Junior/CB/D.A Press)
    Jaqueiras

    As jacas também chamam a atenção nesta época do ano. Grande ou pequena, é possível encontrar as jaqueiras carregadas. Quem passeia pelo Cruzeiro/Sudoeste encontra os frutos em abundância. Não à toa, o local recebeu o nome de Avenida da Jaqueiras. As árvores foram plantadas em 1980 pelo Governo do Distrito Federal. Em média, são 35 mil pés de jaca em todo o DF, de acordo com a Novacap.
    O fruto não é tão disputado, o cheiro causa certo estranhamento para muitas pessoas. Para o taxista Élio Santos, 64 anos, o “cheirinho” da jaca é justamente o maior atrativo. Há 15 anos, ele trabalha em um ponto de táxi na Avenida das Jaqueiras. “Infelizmente, o período para a colheita é só em janeiro, estou aqui aguardando o momento certo para colher”, diz. Há dois tipos da fruta: mole ou dura. De acordo com o taxista, há apenas um pé de jaca dura em toda a avenida, que fica bem em frente ao seu local de trabalho. “Eu prefiro a jaca dura, é mais saborosa e melhor para fazer doce”, justifica.
    Muitas pessoas têm utilizado a fruta verde para criar diversos pratos salgados, como moqueca e fricassê. A fruta é rica em carboidratos, fibra e potássio. Apesar de ser uma fonte de fibras, o professor de gastronomia do Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb) Alexandre Vargaz, 32, explica que a fruta não pode substituir nenhuma carne. “A jaca é bem versátil. Quando está verde, tem a textura semelhante ao frango, mas não tem nenhuma proteína. Verde ou madura é uma delícia”, diz.

    Sempre que passa próximo ao Buriti, a professora Elenice Batista sai com um saco cheio de mangas (Ed Alves/CB/D.A Press)


     Fonte: Correio Braziliense

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