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  • sábado, 5 de novembro de 2016

    #EspaçosDaCultura - (Os primeiros beneficiados deverão ser a Aruc, a Fundação Athos Bulcão e o Centro de Tradições Populares de Sobradinho (o Boi do Seu Teodoro).

    Espaços da cultura

    Em meio a tantas notícias aziagas, é preciso celebrar a sanção da Lei nº 5.730, publicada no Diário Oficial do Distrito Federal em 24 de outubro. Com ela, o governo local poderá fazer a cessão de bens públicos a entidades considerados patrimônio material e imaterial da cidade. Os primeiros beneficiados deverão ser a Aruc, a Fundação Athos Bulcão e o Centro de Tradições Populares de Sobradinho (o Boi do Seu Teodoro).

    Brasília foi criada por artistas ou por gente com alma de artista. E, por isso mesmo, teve generosos espaços reservados para a cultura. No entanto, a cidade foi atropelada pelo regime militar e, com a redemocratização, tornou-se vítima de sucessivos governos de demagogos, ignaros, ineptos e desamantes da arte. O resultado é que pontos de referência essenciais, como o Espaço Renato Russo, da 508 Sul, e o Teatro Nacional Claudio Santoro se reduziram a monumentos do descaso e habitáculos para fantasmas.

    O ilustre historiador italiano Giulio Argan escreveu que a decadência de uma cidade começa pelo descaso com a arte e com a cultura. A afirmação de Argan é certeira para Brasília. A derrocada dos espaços culturais, obra coletiva de diversos governos, é um sintoma da degenerescência da cidade. E, como diz um pensador local, José Damata, o comandante do Cinema Voador: “É cultura ou é crack!”.

    A Lei nº 5.730 não é a panaceia para todos os problemas, mas ela abre o caminho para a viabilização de várias instituições brasilienses. Com ela, a Aruc pode desenvolver atividades comunitárias e ser revitalizada. Aquele chão da Aruc é sagrado, assisti no terreiro da escola do Cruzeiro a shows memoráveis com Zé Keti, Xangô da Mangueira e Dona Ivone Lara. Batizado por esses mestres, a semente do samba só poderia germinar e irradiar, mesmo no território inóspito da capital modernista.

    O caso da Fundação Athos Bulcão é um dos mais absurdos. A relevância de Athos não é apenas local ou nacional. Ele realizou as experiências mais bem-sucedidas de integração entre arte e arquitetura na história da arte moderna. Segundo o arquiteto e parceiro Lelé Filgueiras, nenhum artista integrou de forma tão profunda a sua arte na arquitetura, apesar das propostas de Fernand Léger e de Mondrian nesse sentido.

    Uma cidade nova e artificial não sobrevive sem instituições sólidas. O chorinho só se consolidou como referência nacional graças ao visionarismo de Reco do Bandolim, que criou a Escola de Choro Raphael Rabello. A situação da Escola de Música de Brasília também é preocupante, pois o terreno que ocupa é alvo da cobiça de especuladores imobiliários.


    Agora, com a regularização dos terrenos das sedes da Aruc, da Fundação Athos Bulcão e do Boi do Seu Teodoro, é preciso apoio para que essas instituições possam desenvolver as suas atividades. 

    O arquiteto Lelé Filgueiras desenhou um prédio belíssimo para a Fundação Athos Bulcão. Os empreiteiros, que se jactam de ser donos de bilhões, poderiam ter um gesto de grandeza e construir a sede da Fundação Athos Bulcão, riscada pelo Lelé Filgueiras.

    Com certeza, ela se tornará em si mesma uma atração arquitetônica, turística e educacional. Seria uma honra associar-se a dois artistas geniais e deixar um legado para as gerações futuras e para a cidade com a qual tanto se locupletaram. O arquiteto português Álvaro Siza, que riscou o prédio da Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, afirmou na inauguração do edifício: “Um museu pode revelar uma cidade para o mundo”.




    Por Severino Francisco – Jornalista, Colunista do Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google

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