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  • segunda-feira, 21 de novembro de 2016

    Uma cidade que vai se desmanchando

    Sem uma fiscalização efetiva e rigorosa, nenhuma cidade tem futuro promissor. Deixada aos caprichos de cada um de seus habitantes, a tendência é que os espaços públicos desandem progressivamente para o caos. Uma vez instalada as primeiras desordens, é dada a largada para uma sequência desenfreada de múltiplas irregularidades que vão num crescendo de difícil retorno.

    É fácil identificar uma cidade onde os órgãos de fiscalização e controle não funcionam. Elas estão espalhadas por todo o Brasil e já fazem parte da nossa triste paisagem. Praticamente nenhuma metrópole brasileira ficou imune aos processos de degradação paulatina. Sujeira, poluição visual, calçadas irregulares e perigosas, iluminação precária, puxadinhos desengonçados por todo lado. Toda essa confusão urbana é bem conhecida e, de certa forma, estamos nos acostumamos aos desarranjos.

    Turistas que vêm de países onde a fiscalização é onipresente veem nossas metrópoles como retrato acabado do Terceiro Mundo: perigoso e precário. Brasília, principalmente sua área tombada, vai, pouco a pouco, caminhando para se igualar às demais cidades de nosso país naquilo que elas tem de pior. Circular pelas avenidas W3 Norte e Sul, duas das principais e mais antigas artérias da capital e que a décadas vêm aguardando uma reforma séria e profunda, confirma a tese de que a cidade parece entregue à própria sorte.

    Cada comerciante, daqueles que ainda teimam em permanecer nestes espaços comerciais, na ausência dos fiscais, interferem nos espaços públicos como querem. Constroem suas próprias calçadas, montam seus outdoors na dimensão que acham mais visível, montam largos estacionamentos em áreas verdes, espalham mesas e cadeiras escondidinhas por plantas.

    Alguns mais empreendedores constroem coberturas sobre os prédios comerciais e cobrem com generosos telhados coloniais. Tudo na maior boa vontade e longe dos olhos cegos da fiscalização. Na falta de um projeto público consistente, os arquitetos e urbanistas sem diploma vão fazendo o que podem, desconstruindo o bairro tijolo a tijolo.

    Enquanto a desordem vai brotando aqui e ali, os brasilienses vão assistindo a explosão do comércio de lata por todo o lado. Em algumas localidades, como nas vizinhanças do edifício principal da Caixa Econômica no SBS, a multiplicação dos comércios fixos e fora do padrão é assustador. Não parece Brasília.

    Em decorrência da crise econômica e do desdém dos fiscais, a capital do país vai experimentando o modismo dos truck foods. O que parece modernidade esconde um futuro de caos e um grande perigo para a saúde pública. Só Deus sabe em quais condições os alimentos sobre rodas são conservados e preparados. É comum observar nesses trailers a falta de luvas, toucas e outros uniformes de uso obrigatório para quem manipula alimentos. A oferta de água é precária.

    Por todo lado é visível a presença desses trucks, numa concorrência desleal com os comerciantes fixos. Alguns proprietários desses caminhões, livres dos olhos da lei, chegam a cercar seu estabelecimento com gambiarras de luzes, onde instalam mesas e cadeiras. Nesses ambientes improvisados, sob a leniência do GDF, instalam suas caixas de som e seja o Deus quiser. Aos infelizes moradores das áreas vizinhas às centenas de bares espalhados pelo Plano Piloto, resta implorar pela vinda de algum salvador da ordem pública.

    A frase que não foi pronunciada
    “A arquitetura é uma ciência, surgindo de muitas outras, e adornada com muitos e variados ensinamentos: pela ajuda dos quais um julgamento é formado daqueles trabalhos que são o resultado das outras artes.”
    (Vitrúvio)



    Por Circe Cunha – Coluna “Visto, lido e ouvido – Ari Cunha- Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Bl0g - Google

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