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  • terça-feira, 20 de dezembro de 2016

    Polícia das águas garante segurança no Lago Paranoá

    Companhia Lacustre é a responsável por coibir e combater delitos praticados no Lago Paranoá. Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília

    "Companhia Lacustre é a responsável por coibir e combater delitos praticados no espelho d’água"

    O Lago Paranoá é um dos pontos turísticos mais democráticos da capital do País. Lugar de encontro de pessoas de todas as classes sociais, é, há muitos anos, a principal atração da cidade para praticantes de esportes náuticos, banhistas e pescadores. Com tanta gente no espelho d’água ao mesmo tempo, a segurança tornou-se elemento fundamental para o uso harmônico do reservatório artificial, missão de responsabilidade da Companhia Lacustre da Polícia Militar do Distrito Federal.

    Fundada em 1990, a companhia tem relevante papel na proteção das águas do Paranoá e de outras localidades no DF que tenham recursos hídricos. O pelotão formado por 30 praças e oficiais atua na preservação e no combate a crimes, como a pesca predatória. A bordo de lanchas que alcançam até 100 quilômetros por hora, os militares patrulham as águas para coibir a prática. Para pescar em qualquer manancial público, é preciso ter uma autorização do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), conforme preconiza a Portaria nº 4, de 2009.

    Em 5 de dezembro, a Agência Brasília acompanhou uma ronda do grupamento. O pescador Ananias Alves Soares, de 53 anos, foi um dos abordados. Ciente das obrigações, apresentou de imediato aos militares a carteirinha do Ibama, documento que lhe permite pescar no lago. “O trabalho deles é muito importante, pois tem muito pescador clandestino aqui, o que acaba prejudicando quem é profissional e trabalha na legalidade”, disse.
    O pescador Ananias Alves Soares foi um dos abordados. Ciente das obrigações, apresentou de imediato aos militares a carteirinha do Ibama. Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília
    Incorporado em agosto de 2016 ao Batalhão de Policiamento Turístico, a Companhia Lacustre da PMDF passou também a focar suas ações em locais que recebem grande concentração de turistas. Rondas na Ermida Dom Bosco, no Pier 21, na Prainha e na Ponte JK foram intensificadas. A atuação desses policiais já evitou brigas com consequências mais graves em lanchas; o grupamento também fez apreensão de armas de fogo e flagrante de uso e tráfico de drogas em embarcações.

    Além disso, roubos ou furtos são coibidos nas margens do Paranoá. “Não temos somente o foco no crime ambiental. A intenção é proporcionar um ambiente seguro, saudável e limpo para todo cidadão que usa o lago”, ressaltou o subcomandante do Batalhão de Policiamento Turístico e comandante da Companhia Lacustre da PMDF, capitão Werner Miquelino.
    Trabalho integrado
    A companhia trabalha em contato permanente com outras instituições. Caso os militares se deparem com algum condutor de embarcação aparentemente embriagado, a Marinha do Brasil é imediatamente acionada, pois é a força que é equipada com bafômetros. Já no caso de pesca predatória, o suspeito é levado à Delegacia do Meio Ambiente (Dema), da Polícia Civil.
    As mansões e os clubes às margens do espelho d’água também contam com a proteção do grupamento. Normalmente são esses militares os primeiros a atuar em casos de delitos cometidos nesses locais. Até ocorrências que não competem diretamente à companhia são corriqueiramente atendidas, como a captura de animais em quintais de casas e o socorro a pessoas que ficam exaustas em pranchas de stand up paddle e não conseguem regressar ao píer.
    O sargento Edmar Sá está na Companhia Lacustre desde a fundação, em 1990. Ele coleciona histórias de operações no lago. A mais marcante foi o naufrágio com o barco Imagination, em 22 de maio de 2011, que matou nove pessoas. O sargento conta que a tragédia poderia ter sido maior se não fosse a resposta rápida do pelotão. “Fomos a primeira equipe a chegar ao local e conseguimos resgatar cinco pessoas que estavam se afogando”, relembrou.
    O sargento Edmar Sá está na Companhia Lacustre desde a fundação, em 1990. Ele coleciona histórias de operações no lago. Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília
    Com emoção, ele também se recorda de um amigo morto durante uma operação de rotina. “Durante um serviço, no início dos anos 2000, esse colega fez uma abordagem a um pescador ilegal, se desequilibrou, bateu a cabeça no motor da embarcação e morreu afogado. Foi uma fatalidade”. A maior lancha do grupamento foi batizada em homenagem ao cabo Rocha.
    Atuação de destaque nos Jogos Olímpicos
    A Companhia Lacustre teve papel de destaque durante os Jogos Olímpicos de 2016. Em 3 de maio, dois atletas e um policial militar do Batalhão de Operações Especiais (Bope) tiveram a honra de conduzir a Tocha Olímpica pelo Lago Paranoá. Todos os envolvidos foram escoltados por embarcações do grupamento. Durante a permanência das seleções que jogaram em Brasília, os militares da companhia ficaram de prontidão nas proximidades do Hotel Royal Tulip, onde as delegações estavam hospedadas.

    Galeria de Fotos:  (  goo.gl/n9RpPt  ) 







    Agência Brasília 

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