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  • terça-feira, 24 de janeiro de 2017

    Crise hídrica - "...política irresponsável que levou políticos locais a negociar terras públicas em troca de votos, chegou e os valores são altíssimos — praticamente impagáveis."

    Um dos fatores da escolha do DF para ser a capital se deu pela riqueza de mananciais na região (Águas Emendadas). Porém, o crescimento populacional acima do esperado e a ocupação irregular do solo levaram à situação limite em que vivemos. A avaliação vem sendo feita pelo engenheiro e especialista em crise hídrica Demetrios Christofidis, para quem a escassez e a carência no abastecimento de água são  realidade que precisa ser enfrentada não apenas com novas formas de captação, mas, sobretudo, com o aumento da eficiência da rede, principalmente por meio de ações que minimizem a perda e o desperdício em todo o sistema.

    Assim como é certo que, ao fim de cada mês, chega a conta individual de consumo de água à residência, a grande conta coletiva, resultante de anos e anos de uma política irresponsável que levou políticos locais a negociar terras públicas em troca de votos, chegou e os valores são altíssimos — praticamente impagáveis. É precisamente nesse ponto que reside a grande diferença entre o político oportunista, cujo horizonte se estende até as próximas eleições e o estadista, que tem visão do futuro e sabe bem das consequências de seus atos. Pior é que todas as causas diretas que levaram à preocupante situação  de escassez no abastecimento persistem inalteradas.

    O  quadro que se tem hoje no Distrito Federal, relativo à questão do abastecimento de água, exige que  a solução do problema de modo satisfatório obedeça ao que diz tanto a Lei do Saneamento Básico  (Lei nº 11.445/2007), bem como as diretrizes contidas na  política nacional de resíduos sólidos PNRS  (Lei nº 12.305/10).  Sem o prévio cumprimento desses instrumentos legais, qualquer ação visando a solucionar o grave problema no abastecimento de água de qualidade para os habitantes da capital do país será inócua.

    A medida que  propugna pela captação de água do Lago Paranoá, que para muitos equivale a beber da própria urina, corre o risco de se transformar numa solução fácil, ou mesmo um grande engodo. Além do aumento contínuo na oferta de água, com cada assentamento irregular que surge sendo prontamente atendido com rede de abastecimento, o desperdício, que ronda 25%, precisa ser prontamente contido. Aliás, essa questão precisa ser discutida e repensada. A Caesb e a CEB são as primeiras a chegar aos loteamentos ilegais e irregulares, o que parece uma incoerência com as leis. Certamente, se Caesb e CEB não fizessem  ligações em áreas invadidas, a grilagem não valeria a pena.

    O assoreamento  e a poluição de mananciais são problemas que perduram e necessitam da ação firme dos órgãos de fiscalização para impedir o comprometimento dos  recursos naturais. Em 1969, a Caesb foi criada também com a responsabilidade de proteger os mananciais, o que, convenhamos, não cumpre. Há ainda quem proponha, corretamente, a transformação do Parque recreativo da Água Mineral em estação exclusiva para a captação e abastecimento de água. De toda forma, nenhuma solução será definitiva e correta se não forem implementadas políticas que ponham fim à indústria criminosa de invasões, defendida pela classe política com assento na Câmara Legislativa e por empresários inescrupulosos de olho apenas no lucro fácil e rápido. Afinal, comprometer o abastecimento de água significa inviabilizar a própria capital.


    A frase que foi pronunciada:
    “Nenhum indício melhor se pode ter a respeito de um homem do que a companhia que frequenta: o que tem companheiros decentes e honestos adquire, merecidamente, bom nome, porque é impossível que não tenha alguma semelhança com eles.”
    (Lições de Nicolau Maquiavel)



    Por Circe Cunha – Coluna “Visto, lido e ouvido” – Ari Cunha – Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google

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