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  • quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

    Eu sou um usuário - Transporte público do DF - Os nossos parlamentares parecem viver em um mundo encantado paralelo, muito longe da realidade de crise vivenciada pelos cidadãos mortais"


    Por Severino Francisco,

    Caro leitor, não sei se deveria confessar, mas a verdade é que sou um usuário. Não disso que você está pensando, mas do transporte público do DF. Por isso, eu me sinto com certa autoridade para dar os meus pitacos sobre a grave crise que assola o setor, escancarada com o aumento de 25% decretado pelo GDF na semana passada.

    Sigamos as relatoras, as repórteres Helena Mader e Ana Viriato, que, nas páginas do caderno Cidades, nos abasteceram de informações essenciais para avaliar a polêmica questão. Os dados estão na mesa e revelam que o sistema se tornou insustentável, em larga medida por causa da irresponsabilidade de nossas excelências distritais.

    Elas concederam isenções absurdas, que não existem em nenhuma outra capital brasileira. Já apresentaram 59 projetos de lei que ampliam de forma delirante as gratuidades. Alunos de instituições particulares têm direito ao benefício. É sabido que estudantes de alta renda ganham o passe livre para repassar a terceiros, como empregados domésticos.

    Em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, existe o critério de renda para conceder ou não o passe livre. Na capital paulista, por exemplo, o limite é de até R$ 1.182. A demagogia de nossas excelências distritais contribuiu para intensificar o caos. Em Brasília, só 33% dos usuários pagam passagem.

    A crise econômica na qual o Brasil se afundou deveria ensinar a todos, principalmente aos governantes, parlamentares e administradores públicos, alguma lição de sustentabilidade. Gastar mais do que arrecada levou a maioria dos estados à situação de calamidade pública.

    Na verdade, o drama do transporte público no DF veio de longe. O setor sempre foi dominado por famílias mafiosas, que davam as cartas. Com a Copa do Mundo, o governo Agnelo torrou milhões na reforma do sistema e na instalação do BRT, sob a promessa de sanear, definitivamente, o problema. No entanto, as empresas continuaram a oferecer péssimos serviços.

    O processo está sob suspeita porque o advogado que atuou na licitação prestava serviços para famílias de empresários de ônibus vencedores do concurso público. Esse é o “legado” da Copa do Mundo de 2014. Alguém ganhou, e não fomos nós, os usuários, que tomamos ônibus todos os dias e arcamos com uma das passagens mais caras do país, sem a contrapartida da qualidade dos serviços. É preciso esclarecer as responsabilidades por essa bandalheira.

    Os nossos parlamentares parecem viver em um mundo encantado paralelo, muito longe da realidade de crise vivenciada pelos cidadãos mortais. Que eles revisem os seus valores e encontrem alternativas viáveis. Não é justo que os mais desvalidos paguem a conta da inépcia, dos desmandos, da roubalheira e da irresponsabilidade.





    (*) Severino Francisco – Jornalista, repórter, colunista do Correio Braziliense – Foto:Gabriel Palma/TV Globo) - Ilustração: Blog - Google

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