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  • sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

    Céu de Brasília em exposição

    A exposição fica em cartaz até 5 de março e tem chamado a atenção de quem passa pelo Conjunto Nacional

    Resultado de um concurso promovido pelo Correio e que mobilizou os fotógrafos da cidade, mostra traz os melhores cliques dos leitores e de profissionais do jornal

    *Por Luciano Vellasco, 

    Clarice Lispector escreveu que os arquitetos criadores de Brasília reservaram espaço para as nuvens. E, de fato, ao limitar o gabarito dos prédios a seis andares, Lucio Costa proporcionou não apenas uma visão ampla, mas também uma intensa interação dos brasilienses com o céu de Brasília. Esse é um dos aspectos mais singulares do Plano Piloto. A incidência da luz transforma o alvorecer em um espetáculo renovado a cada dia e transfigura os monumentos da capital modernista, sempre convidando a um novo olhar sobre a cidade.

    O alvorecer é o tema da mostra Bom dia, Brasília, no Conjunto Nacional, resultado de um concurso que mobilizou fotógrafos de toda a cidade, tanto profissionais quanto amadores. Na seleção, que durou 10 dias, mais de 2 mil participantes postaram fotos do alvorecer em vários locais da cidade utilizando a hashtag #bomdiabrasiliacb. As escolhidas por uma comissão foram as fotos de Bruno Oliveira, Luis Fabiano Neves e Eduardo Silva Santana. Cada um ganhou um prêmio de R$ 1.000 para gastar no shopping Conjunto Nacional.
    Bruno Oliveira, Esplanada dos Ministérios

    O concurso é uma iniciativa do Correio Braziliense em parceria com a empresa Look Indoor, sob o patrocínio do Conjunto Nacional, e teve como objetivo mostrar o olhar cotidiano do brasiliense sobre o amanhecer da cidade. Os fotógrafos do jornal exercitam esse olhar, diariamente, e postam belas imagens nas redes sociais. Por isso, a mostra inclui também a produção de repórteres fotográficos do Correio. São 18 fotos clicadas por Ed Alves, além de outras 19 flagradas por Antônio Cunha, Minervino Júnior, Marcelo Ferreira e Breno Fortes.

    O servidor público Eduardo Silva Santana foi um dos três escolhidos. Ele conta que estava indo de moto para o trabalho e resolveu parar na altura da Catedral Metropolitana para registrar uma foto, mas não esperava ficar entre os três finalistas. “Eu não estava esperando, porque tinham fotos muito boas. Foi uma surpresa muito grande para mim”, comenta o servidor, que ainda brincou dizendo que chegou cinco minutos atrasado ao trabalho, mas que valeu muito a pena.
    Luis Fabiano Neves, Torre Digital

    Reação
    Os trabalhadores que passam todos os dias pelo shopping aprovaram a iniciativa. O vendedor Andrei Paternostre, 22 anos, trabalha no Conjunto Nacional em um quiosque que vende óculos de sol e convive, cotidianamente, com a vista privilegiada que tem do céu na Esplanada. Segundo ele, o que torna Brasília única é amplidão e a proximidade com o céu. Por conta da arquitetura tombada da cidade, é possível vê-lo de qualquer lugar do Plano Piloto. E a exposição é uma forma de valorizar essa singularidade. “Achei sensacional. Movimenta o conceito das pessoas e estimula a passarem a observar mais a cidade. Além disso, incentiva a se esforçarem para tentar retratar algo bonito no cotidiano”, comenta Andrei. Andrei conta também com a beleza do céu para vender seus óculos. “Sempre tento mostrar a forma que os óculos mudam a cor das nuvens para eles verem o céu diferentemente”, diz o vendedor.
    Eduardo Silva Santana, Catedral de Brasília

    A esteticista Maria da Glória Mendes, 40, também apreciou o concurso. Ela se extasia com o céu da capital, faz caminhadas semanais no Parque da Cidade e reserva um tempo para admirar o espaço celeste. “Sempre estou observando o céu lindo e limpo. Tiro fotos para enviar aos meus parentes no Piauí e quase todos comentam que o sonho deles é conhecer Brasília”, conta Maria que não sabia da exposição, e, por acaso, havia marcado de se encontrar com outra pessoa e parou para observar as fotos.

    Muita gente não dispõe de tempo para apreciar as mutações silenciosas do espaço de Brasília. A correria do dia a dia inibe a vontade de parar e admirar as belezas da capital. Mas isso não é uma regra para todos. A aposentada Semiramis Pedrosa de Almeida, 70, conta animada o quanto gosta do céu da capital. “Eu tenho a impressão de que estou em uma lona imensa, parece que estamos em outro planeta”, comenta. Ela faz muitas caminhadas e, como não dispõe de carro, resolve tudo a pé e tem a possibilidade de admirar com mais calma as pequenas nuances da cidade. “Estou aposentada, então tem esse lado bom. Eu paro, olho as plantas, olho os animais, o nascer do sol, o pôr do sol, eu olho tudo”, conta animada, parabenizando a iniciativa.

    Visite - Mostra Bom dia, Brasília - No 1° piso — Praça JK do Conjunto Nacional - As fotografias ficarão exposta no shopping até 5 de março - A visitação é gratuita, com classificação indicativa livre.

    Povo fala - O que você achou da mostra Bom dia, Brasília?





    “Exposição belíssima mostrando o amanhecer da capital. Brasília é isso mesmo: céu colorido e monumentos bonitos” - (Ana Lúcia Souza, 55 anos, auxiliar administrativa)






    “O cotidiano não permite que a gente pare para perceber como Brasília é linda. Eu passo todo dia pelos mesmos lugares, mas não percebia que o sol deixava Brasília tão bonita” - (Felipe Silva Cordeiro, 18 anos, estudante)






    “Gostei das fotos. Moro em Brasília há um mês e alguns pontos turísticos eu ainda não tinha visto. A exposição me fez querer conhecer mais ainda” - (Francisco Fagner de Oliveira, 30 anos, motorista)







    “Achei a exposição interessante e criativa. Mostra de uma forma diferente as paisagens que a gente vê todo dia, mas não enxerga dessa forma”- (Jéssica de Brito, 24 anos, estudante)






    “Essas belezas precisam ser registradas. Marcam o amanhecer de Brasília e retratam bastante o que é a cidade” - (Ribamar Rodrigues, 51, servidor do Senado)







    “Desde que cheguei a Brasília, eu, meu esposo e meu filho sempre passeamos nesses lugares. As fotos reproduzem bem a beleza da capital” - (Karen Cíntia Silva, 26 anos, dona de casa)










    (*) Luciano Vellasco - Estagiário sob a supervisão de Severino Francisco – Correio Braziliense

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