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  • sábado, 11 de fevereiro de 2017

    Com racionamento e chuvas fortes no DF, Descoberto recupera níveis de outubro passado

    Barragem recuperou 8,53 pontos percentuais em 7 dias; nível chegou a 32,53% na tarde desta sexta. Mas medidas de 'economia forçada' não têm prazo para acabar.

    As chuvas fortes que atingiram o Distrito Federal, aliadas ao regime de racionamento de água imposto desde 16 de janeiro, ajudaram o reservatório do Descoberto a exibir uma recuperação rápida na última semana. Entre o dia 3 e esta sexta (10), o volume útil da bacia passou de 23,99% para 32,52% – uma alta de 8,53 pontos percentuais.

    É como se, para cada 3 litros que já estavam no reservatório, um novo litro de água fosse acrescentado. Com isso, o Descoberto voltou a registrar nível acima de 30% pela primeira vez desde o dia 12 de outubro. Antes dessa temporada, que durou quase quatro meses, o tanque nunca tinha cruzado essa barreira.

    Apesar desse cenário positivo, a rede de abastecimento do DF precisa de muito mais para sair da crise. Até alcançar o patamar de 40%, o Descoberto segue no "estado de alerta". A zona de perigo só acaba no índice de 60%, "abandonado" pelos dois maiores reservatórios ainda em agosto.

    Santa Maria
    O nível do reservatório de Santa Maria também é monitorado com atenção pelo governo. A situação por lá é menos grave, mas também registrou os piores índices da história nos últimos meses. Entre os dias 3 e 10, o volume de água passou de 39,96% para 43,03%.
    Reservatório de Santa Maria, no DF, com 41% da capacidade, em imagem de novembro de 2016 - (Foto de Tony Winston - GDF- Divulgação)

    A bacia de Santa Maria atende as regiões centrais do DF, incluindo áreas como Plano Piloto, Noroeste, Sudoeste, Jardim Botânico, Paranoá, Itapoã, Lago Sul e Lago Norte. Somados, o Descoberto e o Santa Maria abastecem 85% da população da capital.

    Os outros 15% são atendidos pelos chamados "sistemas isolados", que se baseiam no fluxo de água de córregos e rios que cortam o DF. A lista inclui Brazlândia, Sobradinho e Sobradinho II, Planaltina e São Sebastião – nestas áreas, chegou a faltar água por cerca de duas semanas.

    No último dia 30, a Caesb deu início à diminuição da pressão nas redes abastecidas pelo Santa Maria. Com a mudança, a água vai chegar "mais fraca" nas torneias e nos chuveiros das casas dessas regiões. Segundo a Caesb, a expectativa é de redução de 3% a 5% no consumo. Não há data para suspensão da medida.

    Taxa extra
    Além do racionamento na área do Descoberto e da redução de pressão na região do Santa Maria, todo o DF está sujeito a uma tarifa extra nas contas de água e esgoto desde dezembro. No primeiro mês, a taxa rendeu R$ 2,47 milhões aos cofres públicos.
    Hidrômetros em laboratório da Caesb, no DF - (Foto: Renato Araújo/Agência Brasília)

    De acordo com a Caesb, 112 mil contas foram atingidas pela cobrança adicional, que continuará em vigor por tempo indeterminado. A lista de imóveis afetados varia a cada mês, e quem não foi taxado em dezembro poderá receber a cobrança se ultrapassar o limite de consumo nos meses seguintes.

    Responsável pelo abastecimento de água e pela coleta de esgoto, a Caesb afirma que os R$ 2,47 milhões estão em uma conta separada, e ainda não começaram a ser utilizados. Para mexer nesse montante, a companhia precisa pedir autorização à Agência Reguladora de Águas, Esgoto e Saneamento do DF (Adasa).




    Por Mateus Rodrigues - G1 - DF


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