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  • sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

    Darcy mediúnico

    Por Joaquim Francisco,

    Bomba! Na passagem dos 20 anos da morte de Darcy Ribeiro, com exclusividade, esta coluna publica entrevista mediúnica com o visionário criador da Universidade de Brasília. Fiat lux, mestre (em tradução livre: dá uma luz, mestre!).

    Qual o papel da universidade em um país como o Brasil?
    Nenhum país civilizado pode viver sem uma universidade, porque ela é o útero onde se reproduzem as classes dirigentes e os corpos profissionais. Aqui se atrasou muito. Só se começou a fazer escolas em 1800 e tanto, quando a América Espanhola, em 1500, já tinha universidades.

    Antes, a ditadura era o grande inimigo. Agora, quem é o inimigo da universidade?

    A universidade está sendo questionada no mundo inteiro. A UnB não pode esperar que alguém venha consertá-la, tem que consertar a si mesma. Não pode chamar nenhum Darcy para colocar meia-sola. É preciso ver se esses professores estão todos ocupados mesmo, estão engajados na pesquisa ou simulando esse engajamento.

    E os alunos?
    O caso dos alunos é exemplar. A maioria dos alunos brasileiros é analfabeta, porque eles querem aprender só com o que o professor diz em sala de aula, como se fosse suficiente para aprender de verdade. Isso é uma estupidez.

    O que atrapalha a aprendizagem na UnB?

    Há uma mania, na UnB, de assembleismo, de clientelismo, por colocar gente demais, de corporativismo e de grevismo.

    Mas, algumas vezes, não é importante fazer greve?
    Seria ideal a greve japonesa, aquela que vai das 18h às 18h15. Nessa hora, eles quebram a reitoria, berram pra burro, fazem o diabo e depois, como eles não são bestas, voltam a estudar, ou seja, aquele tempo é precioso para eles se formarem e eles não podem jogar fora com greve.

    O que o senhor faria se fosse reitor?
    A primeira coisa que eu faria se fosse reitor da UnB seria arranjar dinheiro para importar 100 sábios, do Brasil e de fora, porque você só faz sábios com instrução de sábios. Toda despesa é dispensável, mas não essa.

    O que o senhor acha da interferência dos funcionários nas decisões da universidade?
    Eu acho que o funcionário da universidade é um assalariado. Tem direito a fazer um sindicato, fazer greve e se defender como assalariado. Mas não tem direito de dar palpite na vida acadêmica. Eles não entendem disso e podem matar a universidade.

    E o papel do estudante no processo político?
    Estudante mandar na universidade é o caminho para matá-la. O estudante está em uma casa hierárquica e hierarquizada. O sábio é sábio e tem que ensinar o aprendiz. O aprendiz pode exigir do sábio que ensine a ele. Mas não pode querer substituir o sábio.

    Então, os inimigos da universidade são as pessoas que estão lá dentro?

    São. As pessoas têm de estar no nível da universidade. Ela é a Universidade Nacional do Brasil, tem que ser melhor do que Oxford, que Cambridge. Porque ela foi pensada para isso.


    PS.: Na verdade, a entrevista supostamente mediúnica foi concedida aos repórteres Eliane Gonçalves e Mario Zanato e publicada no jornal Câmpus, do Departamento de Comunicação da UnB, em 1995.



    (*) Severino Francisco – Jornalista, colunista do Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google

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