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  • sexta-feira, 21 de abril de 2017

    Clube do Choro - "Orgulho de Brasília"

    Foto Renata Samarco/Divulgação - Paulinho da Viola e Reco do Bandolim


    *Por Severino Francisco

    No princípio, era a solidão espacial do descampado. Para defender-se, os brasilianos fizeram do apartamento de Raimundo de Brito, na 105 Sul, o quintal para as primeiras rodas de choro. Raimundo era um jornalista muito culto e sarcástico. As mulheres dos boêmios marcavam sob pressão e foram batizadas com a sigla Fidom — Fiscalização doméstica. Em 1967, o médico Arnoldo Velloso e o advogado Francisco de Assis, o Six, viajaram até o Rio de Janeiro para conhecer Jacob do Bandolim.

    O mestre estava prostrado em uma cama havia três meses, com um sério problema na coluna. Six era gaiato e se apresentou na condição de ginecologista. Velloso estudou na Alemanha e, com ajuda de Six, fez aplicações da técnica de terapia neural. No dia seguinte, quase que milagrosamente, Jacob levantou-se, pegou o bandolim, chamou Elizete Cardoso e tudo virou uma festa. E, assim, estabelecia-se uma conexão afetiva e musical de Jacob com Brasília.

    Quando Jacob tocava nas reuniões do sábado à tarde, no apartamento de Raimundo de Brito, as sessões se revestiam de uma sacralidade de missa, era preciso cuidado até para respirar. Jacob exigia uma reverência absoluta à música. Incentivava e cobrava. Não poderia haver mestre mais carismático e rigoroso. Jacob surpreendeu a todos ao afirmar que o citarista Avena de Castro era o seu melhor intérprete.

    Se o samba é um gênero das classes populares, o choro é de classe média; e veio para Brasília transferido com os funcionários públicos. Ao se mudar do Rio para a capital modernista, Bide da Flauta, o instrumentista preferido de Pixinguinha, resolveu comprar uma espingarda, pois os jornais cariocas diziam que havia muita onça. Mas ele não encontrou nenhuma onça; topou com Pernambuco do Pandeiro, que logo o convidou para animar as rodas de choro.

    Certa noite, Tio João travou um duelo com um morcego da Rodoviária até o Clube do Choro. Tio João se defendia com o trombone, mas o morcego contra-atacava com voos rasantes na escuridão do Eixo Monumental. Quando as rodas de choro foram transferidas para o apartamento de Odette Ernest Dias, na 311 Sul, as plantas da flautista revelaram um ouvido apuradíssimo. A audição contínua daqueles mestres fez com que as plantas vicejassem com um esplendor extraordinário.

    Com extrema lucidez, Reco do Bandolim profissionalizou o Clube do Choro e criou a Escola de Choro Rafael Rabello. Elas projetaram o choro rumo à plataforma do futuro; antes delas, o choro era “música dos velhos”. Depois, tornou-se música dos jovens. Hoje, é possível encontrar uma legião urbana de crianças e adolescentes armados com violões, cavaquinhos, bandolins e pandeiros.

    Revelou uma infinidade de talentos da música, que brilham nos palcos mais importantes do país. Na passagem dos 57 anos de Brasília, gostaria de brindar os 40 anos do Clube do Choro, endereço da boa música e endereço da educação de qualidade. É o que precisamos para construir um país melhor. O Clube do Choro é um motivo de orgulho para Brasília.


    (*) Severino Francisco – Jornalista, colunista do Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google

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