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  • quinta-feira, 13 de abril de 2017

    #História: Maestro Claudio Santoro - seu legado; deveria ser exibido nas escolas do Distrito Federal.


    *Por Severino Francisco

    Com agudeza, o compositor Guilherme Vaz — que foi aluno de Claudio Santoro na Universidade de Brasília — observa que o mestre organizou a passagem do ouvido musical do século 19 para os dos séculos 20 e 21. Santoro tinha os múltiplos talentos de compositor, educador e líder cultural. Trabalhador incansável, ele captava infinitas músicas.

    Compôs peças serialistas, dodecafônicas, eletrônicas, nacionalistas e trilhas sonoras para cinema. Era um artista contemporâneo que não se atinha a nenhum gênero, mas transitava e se apropriava livremente de todos, conforme a circunstância e a necessidade. A perseguição que sofreu por não renunciar à convicção política comunista soa surreal nos tempos atuais, em que a única ideologia parece ser o dinheiro.

    Essa circunstância provocou grande instabilidade e precariedade econômica em sua vida. Teve de dar aula de piano, fazer trilha sonora de cinema e mudar-se em condições nem sempre favoráveis para sobreviver. No entanto, felizmente, era um comunista de espírito anárquico, livre e experimental. Tudo em que tocava virava música e, mais do que isso, música de qualidade.

    Tinha um grande conhecimento da música e era muito exigente com todos os que se aventuravam a ser iniciados por ele. Quando cultivava apenas a poesia impressa, Vinicius de Moraes perguntou a Santoro o que precisava para ser compositor. Santoro lhe recomendou estudar harmonia, melodia e ritmo. Vinicius replicou que não teria paciência. No entanto, os dois estabeleceram uma rica parceria em 13 belas canções de amor, que, de certa forma, antecipavam a bossa-nova.

    Embora despretensioso do ponto de vista da inovação da linguagem, o documentário Santoro — O homem e sua música, dirigido por John Howard Szerman, é valioso pelo painel que traça a vida-obra de Claudio Santoro: do Amazonas ao Rio de Janeiro, do Rio de Janeiro a Brasília (para fundar o Departamento de Música da UnB, nos anos 1960), de Brasília a Alemanha, da Alemanha a Brasília (para fundar a Orquestra do Teatro Nacional, mobilizando jovens talentos da cidade, na década de 1980).

    O documentário de Howard é um filme-concerto, que intercala preciosos depoimentos com fragmentos da música do compositor. Só mesmo o cinema para estabelecer uma convergência entre fotos, falas, memórias, sons e imagens em movimento. Ao fim, nos damos conta de que Claudio Santoro foi um dos grandes compositores da segunda metade do século 20.

    A sua morte abrupta, enquanto dirigia o ensaio da Orquestra do Teatro Nacional, em 1989, aos 69 anos, fulminado por um infarto, na frente dos instrumentistas, parece um movimento dramático das suas peças musicais. Santoro morreu em razão de mesquinharias, vítima da mediocridade que atinge qualquer pessoa com algum talento neste país.

    Como disse Nelson Rodrigues, o Brasil pari seus gênios e depois volta a babar na gravata. Mas os grandes artistas sobrevivem à morte. Esse documentário contribui muito para que cuidemos do legado de Santoro, e a primeira providência seria exibi-lo nas escolas do Distrito Federal. É uma memória e um alerta para que cuidemos, também, dos nossos artistas vivos.


    (*) Severino Francisco – Jornalista, colunista do Correio Braziliense – Fotos/Ilustração: Blog - Google

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