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  • quinta-feira, 27 de abril de 2017

    Pra conhecer a Ceilândia

    Lucas Pinheiro: turistas se surpreendem - Projetos sociais recebem estudantes de São Paulo e do Rio interessados nos espaços e movimentos culturais da cidade mais populosa do DF

    *Por Pedro Grigori

    Grandes obras arquitetônicas como as de Oscar Niemeyer e Lucio Costa costumam ser os principais destinos dos turistas que visitam o Distrito Federal. Segundo o Perfil do turista, traçado pela Secretaria Adjunta de Turismo, a Catedral, Torre de TV e Praça dos Três Poderes representam 77% dos pontos mais atrativos para quem vem conhecer a capital. Localidades distantes do Plano Piloto sempre ficam de fora do tradicional guia de visitas. Tentando mudar essa estatística, dois projetos sociais se uniram para criar uma rota turística na região mais populosa do DF. O Vem Pra Cei mapeou mais de 40 locais de cultura, gastronomia, esporte e lazer dentro da Ceilândia. Desde o ano passado, a cidade vem recebendo alunos de escolas particulares de São Paulo e do Rio de Janeiro, e agora, começa a romper o preconceito e receber estudantes da área central de Brasília para mostrar um novo lado de uma cidade que respira cultura.

    Um dos organizadores do projeto é Sérgio de Castro, 38 anos, que desde os 18 anos trabalha junto ao grupo Atitude para incentivar a valorização da Ceilândia. Hoje, no cargo de diretor executivo, conta que trazer gente de fora para apreciar a região cria um sentimento de pertencimento à população da Ceilândia. “Os moradores daqui costumam ir ao Pistão Sul ou ao Plano Piloto para se divertir, e, ao ver que pessoas de outras regiões do quadrado e de outros estados estão vindo para cá, conhecer a cidade, faz com que eles valorizem a sua localidade e tenham orgulho de viver na Cei”, destaca.

    A ideia do projeto veio de fora, tendo como exemplo rotas turísticas em regiões paulistas, como Capão Redondo e Paraisópolis, e cariocas, como Santa Marta, Vidigal e Rocinha. As primeiras visitas ocorreram em julho do ano passado. De lá para cá, 400 alunos “estrangeiros” conheceram a cidade. Os grupos são formados, principalmente, por jovens de escolas particulares de São Paulo e do Rio de Janeiro, que vêm conhecer os pontos turísticos da capital, e, por indicação de uma agência de turismo parceira, são convidados a visitar também a Ceilândia.
    Sérgio de Castro: a Ceilândia valorizada

    Xô, preconceito
    Uma das visitas realizadas nos últimos meses veio do centro de São Paulo. A Chapel School, escola americana no Brasil, levou 45 alunos para conhecer a Ceilândia. A diferente realidade da vida dos alunos e da população virou tema de documentário feito pelos estudantes, que só levaram para casa lembranças boas e surpreendentes. Composta principalmente por filhos de embaixadores e empresários de multinacionais, a mensalidade da escola custa em média R$ 8 mil, quase três vezes a renda domiciliar real da Ceilândia, mensurada pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) em R$ 3.076, na última Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios.

    “Os alunos passaram três dias no DF. Em relatos na sala de aula, afirmam que a melhor parte da visita foi ir à Ceilândia. Lá, eles puderam conhecer a história dos moradores e ver como é possível a realização de projetos que promovam mudanças de vida por meio de questões culturais”, conta Lilian Campos, coordenadora do currículo norte-americano da Chapel School. A professora ainda relatou a segurança que sentiu na comunidade. “O brasileiro tem um costume de pensar que por alguém carecer de algo, vai querer roubar a nossa bolsa ou o que estamos levando. Mas não é assim. Voltamos para casa sem enfrentar nenhum problema, ao contrário, só temos boas recordações. O brasiliense é muito sortudo por ter uma Ceilândia por perto para levar seus alunos”, garante.

    Coordenador do Movimento Underground de Brasília, Lucas Pinheiro, de 25 anos, conta que os moradores do DF têm mais resistência em conhecer a Ceilândia, do que os que vêm de fora. “Recebemos visitas de famílias com renda mensal de quase R$ 100 mil. Quando eles são de outros estados, não costumam ter um conhecimento prévio sobre a cidade, e saem daqui superfelizes com a visita, perguntando até como fazem para ajudar os projetos. Já os de Brasília, muitas vezes chegam receosos, devido a tudo que ouvem falar da Ceilândia em noticiários, mas ao fim da visita, saem com outra visão”, afirma.

    O Vem Pra Cei acaba de lançar um site e começa a dar os primeiros passos em direção a um novo objetivo: a criação de um mapa interativo com os pontos turísticos da região. “No site, além de contar a história da nossa cidade, mostraremos por geolocalização pontos de interesses para quem quiser conhecer a Ceilândia”, explica Sérgio. O mapa conta com pontos como o Rancho do Palhoça, a Praça da Bíblia, Museu da Memória Viva, Túnel do Tempo e o Restaurante Sabor dos Sertões.
    O grafite está entre os cursos oferecidos pelo projeto Atitude
    Oficinas explicam um pouco mais da vida cultural da cidade
    Alunos vindos de regiões nobres de São Paulo e do Rio visitam a Casa do Cantador

    CONHEÇA

    Casa Cultural 7 da Norte

    Fundado há seis meses, é um dos novos pontos culturais incluídos na rota. Durante as visitas dos grupos de escola, são ministradas aulas de grafite, DJ e dança. O espaço conta com um estúdio comunitário, utilizado por artistas da comunidade que buscam fazer gravações musicais profissionais por um preço menor do que o encontrado 
    no mercado.

    Restaurante Sabor dos Sertões

    O ponto de turismo gastronômico do Vem Pra Cei tem nove anos de existência e se firmou como um dos principais points da cidade. Entre os principais pratos do restaurante estão a rabada, sarapatel, cupim assado no forno e a picanha. Os pratos são servidos com arroz, farofa, feijão carioca, salada e macarrão. Preço médio: R$ 20
    #VemPraCei 
    Organização: Grupo Atitude e Movimento Underground de Brasília — http://vempracei.com.br/ - http://vempracei.com.br/ - Para agendar visitas a Ceilândia e ajudar o projeto, entre em contato com a direção do Grupo Atitude pelo (61) 98450-7925


    (*) » Pedro Grigori -*Estagiário sob supervisão de José Carlos Vieira – Fotos: Grupo Atitude-Divulgação – Correio Braziliense

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