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  • terça-feira, 9 de maio de 2017

    Anjo sobre duas rodas: Grupo de voluntários cria ações para ensinar o brasiliense a pedalar

    O professor Milvo Rossarola (E) e Thomas Freitas: sem medo de encarar a bicicleta e pedalar pela cidade

    *Por Isabella Conte 

    Em meio à correria do dia a dia, à competição e ao descaso, existem pessoas que seguem contrários a essa rotina e insistem em manter um olhar humanista diante da realidade. São cidadãos que usam parte do tempo e de suas energias para o trabalho voluntário. Entre essas ações está o Bike Anjo DF, que tem um objetivo simples, mas de grande importância social e de qualidade de vida: o grupo ensina as pessoas a andar de bicicleta.

    João Paulo Amaral, 30 anos, é um de seus fundadores e conta que a ideia do Bike Anjo surgiu em São Paulo, em 2008, quando ele e mais alguns amigos, participavam de um movimento chamado Bicicletada. “Nós queríamos trazer as pessoas para esse movimento, que era um pedal mensal que acontecia na última sexta-feira do mês, mas elas tinham receio de pedalar sozinhas. Então, para facilitar, a gente acabava indo buscá-las no trabalho ou em casa, e começamos a apelidar essa ação de ser um bike anjo dessas pessoas”, lembra.

    Em 2010, foi criado um blog para facilitar a comunicação entre os bike anjos e quem quisesse ter aulas. O projeto cresceu e atingiu outras regiões do país. Em Brasília, foi fundado em 2012.

    O grupo realiza o evento Escola Bike Anjo (EBA)no último domingo do mês, na praça do Índio Galdino, na 703/704 Sul; faz acompanhamento no trânsito; e também apoia a campanha Bike ao Trabalho que tem objetivo de incentivar o uso da bicicleta como transporte para ir ao emprego.

    Para quem quer receber aulas, é muito simples. Basta mandar um e-mail para bikeanjodf@gmail.com, informando qual é o seu interesse — por exemplo, se é para pedir um acompanhamento no trânsito, o local onde mora e a disponibilidade, que o pedido será encaminhado ao voluntário mais próximo. E, para quem quer se voluntariar, também é fácil, é só comparecer a uma EBA e conversar com os voluntários, para receber as instruções necessárias. Apesar de oferecerem aulas durante o mês, a prioridade são as aulas na praça do Índio Galdino, pois, muitas vezes, o horário de voluntário e aluno não coincide ou não há voluntários próximos à região solicitada.
    "Não me senti velho demais para aprender a andar de bicicleta" Thomas Freitas

    *Por Isabella Conte 

    Segurança
    Este mês, o evento EBA acontecerá em 28 de maio e será aberto para toda a comunidade. Durante a ação são realizados acompanhamentos para ensinar a pedalar e reduzia a insegurança que o aluno possa vir a ter, como por exemplo, em curvas. Não são feitos rotas, nem passeios, ficando as atividades concentradas na praça. O atendimento é feito por ordem de chegada e começa às 15h.

    A aula é adequada ao ritmo do aluno e o atendimento é individual. As bicicletas são cedidas pela escola para o uso dos alunos, menos para crianças menores de 10 anos. Nesse caso, é necessário levar a própria bicicleta para o evento. Anderson Paes, 30, é voluntário do grupo há quase quatro anos e diz que a atividade é gratificante. “Para mim, é incrível, pois além de ajudar os outros a andar de bicicleta, estamos melhorando a autoestima da pessoa. Nós fazemos ela acreditar que consegue”, afirma.

    Quem também tem prazer em ajudar os outros a vencer os desafios relacionados à bicicleta é o voluntário Milvo Rossarola, de 45 anos. Ele conta que conheceu o grupo em 2014 e que, como já gostava de pedalar, resolveu se candidatar à vaga de voluntário. “Outra questão que me influenciou foi o fato de eu ser muito preocupado com essa questão de meio ambiente e de emissões de gás carbônico. Andando de bike, não emitimos nada e preservamos o planeta, então, o fato de eu me voluntariar para ensinar outras pessoas a pedalar acaba influenciando essas pessoas a se preocupar e preservar o meio ambiente”, destaca.

    Thomas Freitas, 30 anos, foi aluno de Milvo e admite que o Bike Anjo foi essencial para que ele perdesse o medo e começasse a pedalar. “Uma amiga me mostrou a página do grupo no Facebook e achei bem interessante. Mandei um e-mail para eles, pedindo aula e, pouco tempo depois, já estava em contato com o professor. Em dezembro do ano passado, fizemos nossa primeira aula”, lembra. Thomas diz que, na primeira aula, depois de uma hora, já estava andando. “O Milvo me ajudou muito. Fomos para o Parque da Cidade e ele foi dando dicas e ensinando como me equilibrar na bike”, completa.

    Na rotina
    Apesar de ainda não ter segurança para fazer da bicicleta seu meio de transporte, Thomas promete que comprará uma bike e fará uma aula de acompanhamento no trânsito. “Esse projeto é muito legal! O professor me deixou bem à vontade e não me senti velho demais para aprender a andar de bicicleta. Além disso, ajudou muito na minha autoestima. Foi um passo a mais dado, um medo que eu quebrei”, finaliza.

    O grupo atende tanto pessoas que nunca pedalaram quanto as que têm medo de pedalar, por isso, acaba sendo bastante procurado e consegue realizar cerca de 30 atendimentos em cada EBA. A aposentada Aparecida Vasconcelos, 61, foi uma das muitas pessoas atendidas durante o evento na Praça do Índio Galdino. “Eu vi o evento pela internet e achei bem legal. Eu tinha 60 anos e nunca havia pedalado na vida, então me animei, comprei uma bicicleta e fui encontrar com eles”, conta. Para ela, a experiência foi, e continua sendo, maravilhosa e ela assegura que, no futuro, também se tornará voluntária para ajudar a outras pessoas que, como ela, nunca tiveram a oportunidade de pedalar. “Eu ainda preciso de mais aulas, mas o meu sonho é o dia em que deixarei o meu carro na garagem e vou pedalar por Brasília. Meu medo já é menor que a minha vontade de pedalar”, admite.

    Outras ações voluntárias
    Há na cidade vários grupos voluntários que ensinam as mais variadas atividades para o brasiliense. Confira alguns projetos:

    Projeto Praia do Cerrado
    A iniciativa surgiu há três anos e tem como objetivo introduzir esportes na vida das pessoas. O projeto conta com dois voluntários, Sérgio Marques e Gustavo Vasconcelos, que ensinam kitesurf, stand up paddle, caiaque e slackline. São aceitas pessoas desde os 6 até os 60 anos e as aulas acontecem no fim de semana das 9h às 18h. Para quem se interessar, também há a possibilidade de alugar os equipamentos.

    Facebook: www.facebook.com/ praia.docerrado/ 
    Telefone: 98451-6167. E-mail: praiacerrado@gmail.com

    Projeto Yoga Brasília
    O projeto surgiu em 2012 e tem como objetivo introduzir o iôga na rotina das pessoas. A criadora e realizadora do projeto, Andrea Hughes, conta que a iniciativa alcança, em média, 200 pessoas por encontro e que os encontros não acontecem com uma periodicidade certa, mas que são sempre divulgados com antecedência no Facebook. Durante as aulas são ensinadas posturas (asanas), respirações (pranayamas), relaxamento (shavasana) e meditações voltadas para a saúde física, mental e emocional.

    Facebook: www.facebook.com/ProjetoYogaEmBrasilia/. 
    Telefone: 981680220. E-mail: projetoyogaembrasilia@gmail.com

    Projeto Música e Cidadania
    A iniciativa surgiu em 2007, a partir do sonho do maestro Valdécio Fonseca, o de proporcionar a jovens de regiões menos favorecidas a oportunidade de conhecer e tocar instrumentos. As aulas acontecem das 14h às 18h (de segunda a sexta-feira) e das 9h às 18h (aos sábados), na Casa da Música no Paranoá, mas alunos de qualquer região são atendidos. Os instrumentos ensinados são o violino, viola, violoncelo, contrabaixo, flauta transversal, clarineta, saxofone, trompete, trombone e tuba. Todos são cedidos pela escola. Quem ministra as aulas são ex-alunos do projeto e alunos de música da Universidade de Brasília (UnB).

    Facebook: www.facebook.com/projetomusicaecidadania/fref?=ts. 
    Telefone: 3049-5186. E-mail: secretaria@musicaecidadania.com


    (*) Isabella Conte * Estagiária sob supervisão de José Carlos Vieira – Fotos: Ana Rayssa/CB/D.A.Press – Correio Braziliense

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