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  • domingo, 28 de maio de 2017

    UnB: orgulho e o mundo da RBPI

    Por José Flávio Sombra Saraiva

    A comunidade acadêmica das relações internacionais no Brasil está em festa. Comemoram-se as boas décadas da história da UnB nesses meses também, celebradas por vários colegas e dirigentes da UnB, mesmo na quadra de tempo parco de existência de uma universidade nova. Não podemos dizer que a UnB seja uma universidade universal, mas vamos caminhando, mesmo com os problemas diários, devotados ao desejo de que ela possa ser ainda uma verdadeira universidade mundial, a mostrar avanços no campo científico nesta pouca história brasiliense. Sejamos sinceros: as métricas mundiais indicam que a UnB ainda é modesta e provinciana. Não temos nenhum prêmio Nobel da UnB. As listas de grandes universidades não incluem nosso cosmo.

    Somos nós, professores e pesquisadores ,que levamos a UnB ao mundo. Apesar da politização crescente no câmpus, vamos vivendo. Aprendemos a sobreviver. Lemos sem gosto recentes artigos populistas publicados e de convenções laudatórias aos políticos da universidade. Poucos sobem da UnB atual. Esqueceram que aqui e acolá há alguma ciência na criação de uma universidade. Na verdade, é a ciência a sua virtude.

    No meio do caminho dessas festas, desejava lembrar um projeto interessante. Comemoramos nesses dias a evolução histórica de uma revista de 60 anos, voltada para o escrutino da política internacional, lançada originalmente na cidade do Rio de Janeiro em 1957, mas há 35 anos mantida pela UnB. A Revista brasileira de política internacional (RBPI) é publicada há algum tempo em Brasília, na UnB, com apoio do Ibri, desde os inícios da década de 1990.

    O ano de 2017 está para os internacionalistas brasileiros como a lembrança histórica dos inícios da RBPI, bem como a evolução extraordinária da moderna RBPI de hoje no conjunto da produção científica de alta qualidade internacional. A RBPI vem sendo um case de avanço importante de publicação na área ampla das relações internacionais. A RBPI é revista A1 nesse tema científico no Brasil. Publicada pelos esforços dos professores da UnB, a RBPI não fica atrás das revistas científicas americanas, chinesas, inglesas e francesas.

    O editor-chefe da RBPI, o professor Antonio Carlos Lessa, com sua equipe animada, vem criando meios inéditos na difícil corrida de uma revista brasileira internacionalizada nas métricas mais relevantes do mundo. É a única no Brasil, no campo internacionalista, considerada de projeção acadêmica global.

    A RBPI já nasceu internacionalizada. Ao folhearmos o segundo número publicado, no tempo do Rio de Janeiro, editado, em junho de 1958, despontava abertamente a preocupação de Oswaldo Aranha ante o problema do restabelecimento das relações diplomáticas com a União Soviética. O grande estrategista chamava, em seu artigo na RBPI, a atenção do interesse da opinião pública da controvérsia tanto na imprensa quanto no meio parlamentar. Exarava Aranha, antecedendo os novos mundos da política internacional em suas palavras na RBPI: “Esse fato, por um lado, dá a medida da importância do problema e da sua natural repercussão na política interna. Por outro lado, revela o crescente interesse da opinião pública pela política exterior. É um interesse da opinião pública pela política exterior. É um interesse indicativo de que já temos plena consciência da nossa maioridade para a vida internacional”.

    Interessou-se o público da RBPI pelos números 55/56, lançados entre setembro e dezembro de 1971, sob o profissionalismo de Cleantho de Paiva Leite. Artigos fortes e temas como as forças de mudança na América Latina e sua relevância com os Estados Unidos da América, os pontos de fricção na América Latina, além dos estágios do desenvolvimento econômico no Brasil, apesar dos fatores de dependência do país, estavam na RBPI daquela quadra. Eram os tempos de um sonho de autonomistas que carregavam os nacionalistas, na RBPI, em vários autores e articulistas, a despertarem as linhas de condutas voltadas ao entendimento do sistema internacional que o Brasil deveria navegar.

    Após o falecimento de Cleantho, um grupo de intelectuais e diplomatas conseguiu manter, com amor e dedicação, a RBPI. Trouxeram a Brasília esse tesouro. Surgiu o novo editor, o historiador Amado Luiz Cervo, professor emérito da UnB, para renovar a revista para os novos tempos. No ano 37 da publicação, no primeiro número da RBPI, no ano de 1994, o diplomata Paulo Roberto de Almeida ofereceu um importante índice remissivo geral da revista dos anos de 1958 e  1992.

    A modernização da RBPI, com Cervo, até os inícios dos anos 2000, é reconhecida por todos que leram aquela quadra de transformação do Brasil no sistema internacional e as novidades da globalização econômica. Importante nessa área foi a relevância crescente de um conselho editorial de brasileiros que conheciam o mundo. Composto o conselho editorial com Helio Jaguaribe, Moniz Bandeira, Celso Lafer, Celso Amorim, Sérgio Bath, Antonio Augusto Cançado Trindade, entre outros intelectuais e internacionalistas, o balanço foi de avanço importante para os estudos específicos em um momento de transição sistêmica no sistema internacional.

    Porém — se não houvesse a melhoria constante do avanço crítico e editorial da RBPI que se criou pela própria revista nesse longo tempo e a crescente competência dos artigos submetidos — não existiria uma RBPI tão competente e representativa com ela é. Um gol para a UnB. Um gol do Brasil. Outro gol no mundo. Isso deve ser a universidade para o mundo.

    (*) José Flávio Sombra Saraiva -  Professor titular de relações internacionais da UnB, pesquisador 1 do CNPq e diretor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) – Foto/Ilustração: Blog - Google

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