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  • quarta-feira, 26 de julho de 2017

    O futuro da W3 Sul

    O futuro da W3 Sul

    *Por Severino Francisco

    Com apenas 57 anos de existência, a cidade passou por mutações vertiginosas que alteraram o perfil, a fisionomia, o ritmo, a pulsação e as funções de certos setores. A W3 Sul era o centro comercial e nervoso de Brasília até os anos 1970. O movimento cultural, as rodas de negociação política, as mobilizações dos estudantes e a vida boêmia aconteciam naquele território.

    Em razão do descaso, ela se viu reduzida à condição de bairro fantasma, principalmente à noite. O Mercado Municipal, um dos marcos simbólicos da resistência da W3 Sul acaba de encerrar as atividades. As calçadas estão esburacadas e tomadas pelo lixo. É um cenário desolador e, aparentemente, sem perspectivas de reversão.

    Mas esse não parece ser o destino inapelável das avenidas e ruas de atividade comercial no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Curitiba, em Belo Horizonte ou no Recife. Os shopings vieram e não eliminaram a Rua 25 de Março ou a Rua Oscar Freire, em São Paulo, ou o complexo do Saara, no Rio de Janeiro.

    O trabalho de revitalização promovido pelo Coletivo Labirinto no Setor Comercial Sul é o maior exemplo da viabilidade da W3 Sul, mesmo porque ele é o começo da avenida. As rodas de samba avançam pela madrugada e tornaram a área muito mais segura.

    No momento, o Rio vive uma situação de colapso em razão da rapinagem bilionária dos Alibabás e os 50 ladrões, que amealhavam joias caríssimas, enquanto a cidade agonizava com a falta de investimentos em setores essenciais. Todavia, é de lá que vem a experiência bem-sucedida do bairro da Lapa, reduto dominado pelo tráfico de drogas e transformado em centro cultural vivo, endereço de renovação do samba.

    Por tudo isso, li com muito prazer matéria de duas páginas, de Thiago Soares, no caderno Cidades. Seria preciso desengavetar o projeto de revitalização do arquiteto e urbanista Frederico Flósculo, vencedor do concurso nacional realizado em 2002. A cultura ocupava um lugar de destaque.

    Seria importante convocar os antropólogos, os sociólogos, os economistas, os historiadores e os mobilizadores culturais. A W3 Sul é uma referência muito forte em minha vida. Nos anos 1980, participei, com muito orgulho, de um movimento de resistência contra o fechamento do Cine Cultura.

    Testemunhei Renato Russo pular de uma corda rumo ao palco como se fosse um Tarzan do Terceiro Mundo no espetáculo O último rango, de Jota Pingo, no Teatro Galpão, nos tempos do Aborto Elétrico. Assisti a um show memorável de Cartola no Teatro da Escola Parque.

    Frequentei sebos, com a companhia incômoda do general Golbery do Couto e Silva, o criador do SNI. Eu pensava: tenho cara de guerrilheiro, mas, se esse general me prender, digo a ele que também sou fã do padre Antonio Vieira para aliviar a minha barra. Não aceito ver a W3 Sul com sentença de morte decretada pelo descaso.


    (*) Severino Francisco – Jornalista, repórter do Correio Braziliense – Foto: Antonio Cunha/Esp.CB/D.A Press - Ilustração: Blog-Google

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