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Ajuda para memorial de Jango

Família de João Goulart organiza campanha para arrecadar recursos e iniciar a construção de espaço em homenagem ao ex-presidente. O terreno que abrigará a obra foi cedido pelo GDF e o projeto, assinado por Oscar Niemeyer.

Filho do ex-presidente, João Vicente destaca que o principal objetivo do espaço é contar a história de Jango para as futuras gerações: "O memorial será um espaço de debate para os movimentos sociais".

Para preservar a história da luta pela democracia no Brasil e contra o regime militar, foi idealizado o Memorial Liberdade e Democracia João Goulart. Com a concessão do terreno em mãos, os organizadores lançam uma campanha de financiamento coletivo a fim de arrecadar recursos para a construção do complexo. A expectativa é arrecadar dinheiro para iniciar a construção ainda este ano, simbólico pelo aniversário dos 50 anos do golpe militar. 

Do valor total do projeto — orçado em R$ 15 milhões —, a campanha pretende reunir R$ 40 mil até 11 de outubro. O restante, os organizadores esperam conseguir, uma parte, com os sindicatos de trabalhadores brasileiros. “Eles não poderiam estar fora dessa homenagem ao desenvolvimento social brasileiro e também à luta deles”, comentou o filho do ex-presidente, João Vicente Goulart. A outra parte, o Instituto João Goulart busca levantar por meio da Lei Rouanet. A norma possibilita empresas e cidadãos (pessoas físicas) a aplicarem uma parte do imposto de renda em ações culturais. 


Segundo Verônica Fialho, uma das diretoras do instituto, a organização recebia mensagens de apoio ao projeto de pessoas que queriam contribuir para a construção do memorial. “Para fazermos tudo de maneira transparente, buscamos uma empresa de confiança, com conhecimento no assunto e lançamos a campanha para todo o Brasil e para o exterior. Também instituímos uma parcela de R$ 10 para que todos possam participar”, explicou a diretora. 

Até o fechamento desta edição, o site contabilizava R$ 590. Para participar do projeto, basta acessar o link www.kickante.com.br/jango e fazer a doação. Quem se interessar e quiser oferecer um valor acima do estabelecido, também tem essa opção. Em troca, os colaboradores receberão camisetas, postais e vídeos como recompensa a esses doadores. Além disso, eles vão produzir um livro com os nomes de todos os apoiadores. 

O próximo passo é a elaboração de ações e estratégias para ativar o memorial. “É gratificante ver a realização desse sonho e também um grande desafio ao assumir a luta contra os poderosos como Jango fez”, comentou João Vicente. O projeto é o último desenho do arquiteto Oscar Niemeyer para a capital federal. Os traços se assemelham ao Museu Nacional da República. É composto por uma cúpula oval de 1,7 mil metros quadrados, um salão de exposições e um auditório. Um espelho d’água margeia a estrutura e um dos pontos altos do desenho é uma flecha vermelha que sai da abóboda, com a inscrição 1964 em uma das extremidades. A proposta foi aprovada pelo GDF, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pelo Instituto Brasília Ambiental (Ibram). 

O instituto luta pela criação do espaço dedicado à memória de Jango há mais de uma década. A ideia da família, que comanda a instituição, é contar a história do último presidente eleito antes de o Brasil ser governado por uma ditadura militar. De acordo com Verônica, a organização escolheu Brasília por tratar-se da capital da República e por ele ter sido retirado da cidade e do poder que exercia como presidente. Na cidade natal do ex-presidente, São Borja (RS), existe a Casa Memorial João Goulart, que foi cedida pela família à prefeitura e restaurada. No local, estão pertences, fotos e homenagens a Jango. 

O filho do ex-presidente conta que a ideia do memorial surgiu entre 2000 e 2001, mas ganhou forma em 2004, com a criação do instituto. “O objetivo é construir um espaço interativo e relembrar os conceitos de liberdade e democracia, além de contar essa história para as futuras gerações. Não pretendemos criar um mausoléu ou um espaço museológico. O memorial será uma usina de ideias e um espaço de debate para os movimentos sociais”, afirmou João Vicente. 

O orçamento total da obra inclui a edificação do edifício principal, de um prédio anexo, que será a sede do Instituto João Goulart, um projeto paisagístico, além de um memorial virtual. O terreno cedido pelo Governo do Distrito Federal (GDF) no ano passado fica no Eixo Monumental, entre a Praça do Cruzeiro e a Igreja Rainha da Paz. A área tem 10.200 metros quadrados. Em contrapartida à concessão, a entidade deve realizar ações culturais em conjunto com a Secretaria de Cultura dentro do Memorial durante 120 dias do ano. 


Participação

A tradução literal é financiamento da multidão. O método permite que pessoas se mobilizem em torno de um objetivo ou projeto e usem a internet para colaborar e fazer parte da ideia. 

Incentivo

A Lei Rounet permite que empresas e pessoas físicas apoiem projetos aprovados pelo Ministério da Cultura por meio do abatimento no Imposto de Renda, do valor do incentivo. No caso de empresas, o limite é de 4% do IR e de até 6% para pessoas físicas.



Por: Roberta Pinheiro - Correio Braziliense - 19/08/2014


MEMóRIA »Deposto e exilado



Conhecido como Jango, João Belchior Marques Goulart foi o 24º presidente brasileiro e último a governar o país antes da instauração do regime militar, em 1964. Ele nasceu na cidade gaúcha de São Borja, em 1º de março de 1919. Formado em direito, iniciou a carreira política em 1945 e integrou o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Jango foi deputado estadual e deputado federal. Em 1953, ocupou o cargo de ministro de Trabalho durante o governo Getúlio Vargas. Em 1955, foi eleito vice-presidente de Juscelino Kubitschek e, em 1960, de Jânio Quadros. Em 1961, após a renúncia de Quadros, Goulart assumiu a Presidência da República. Governou até 31 de março de 1964, quando foi deposto. O plano foi arquitetado pelas Forças Armadas, com auxílio das elites nacionais e apoio estratégico norte-americano. Jango se refugiou em Montevidéu (Uruguai), onde participou da Frente Ampla, na tentativa de restabelecer o regime democrático no Brasil. Sem poder voltar ao Brasil, morreu no exílio, aos 76 anos, na cidade argentina de Mercedes, em 6 de dezembro de 1976.


10.200m2 
Tamanho do terreno que abrigará o memorial

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