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Artigo: Biblioteca Demonstrativa de Brasília - Maria da Conceição Moreira Salles

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                                                                                         Revista Entre Lagos

Como é do conhecimento de todos a Biblioteca Demonstrativa de Brasília – Maria da Conceição Moreira Salles, entidade vinculada à Fundação Biblioteca Nacional, órgão do Ministério da Cultura, foi interditada no dia seis de maio deste ano e, no dia nove de maio, teve suspensos todos os serviços internos. As razões dessa interdição? Perigo de desabamento da marquise da entrada principal, contaminação da caixa d’água e problemas sérios nas instalações elétricas. O que provavelmente não é de conhecimento geral é que esse quadro e essa situação não têm origem recente. Na última década, principalmente, todas as diretorias da instituição efetuaram reiteradas demandas ao órgão gestor – a Fundação Biblioteca Nacional – alertando para as diversas precariedades estruturais, que fatalmente culminariam em sua interdição. Bem, a interdição ocorreu, significando que, se algo foi feito a respeito, foi insuficiente para solucionar o problema.

Consta que a Fundação vem adotando providências para a reabertura da Biblioteca, estando na fase de análise dos últimos documentos que foram anexados ao processo, para liberação de verba emergencial, estimando-se que, em aproximadamente quinze dias, será montado o canteiro de obras. É mais um exemplo do tentar recuperar a casa caída sem a adoção de qualquer medida para se evitar que a casa caia.

Não se trata apenas de mais um informe. Trata-se de uma enorme e irreparável perda para a cultura de Brasília. A entidade, antes incorporada ao então Instituto Nacional do Livro, foi inaugurada como Biblioteca Demonstrativa em novembro de 1970, no mesmo lugar onde se encontra até hoje. É uma tradição da cidade.

Estamos falando de uma instituição que já atendeu a mais de mil e quinhentos usuários/dia; detentora de um acervo maravilhoso, colocado à disposição de toda a comunidade; que desenvolve uma inominável série de atividades, todas também voltadas para a comunidade, devendo ser citadas, entre outras, cursos e oficinas, palestras, tira-dúvidas (para concursos e vestibulares), concursos literários, exposições, lançamentos literários, grupo de atualização da mulher. Registre-se ainda a realização de diversos projetos na área musical, como o BDB Convida; o Bibliomúsica, do qual participavam os melhores músicos da cidade e mesmo do país; e o Quintas Sonoras, uma parceria de muito sucesso com a prestigiosa Escola de Música de Brasília; além da parceria com o magistral músico Hamilton de Holanda em um show anual em prol da Abrace. Oferece ainda estágios para estudantes de Biblioteconomia da UNB e para profissionais e técnicos da área.

Uma instituição como essa não pode ser desconsiderada a ponto de ter interrompidas suas atividades por um longo período ou até mesmo tê-las encerradas. Isso é um desrespeito para com a população de Brasília e, repetimos, uma perda inominável para a cultura do Distrito Federal.

Mesmo sendo uma entidade da esfera federal é exigível que a administração de Brasília e seus políticos desenvolvam esforços para o pronto retorno às atividades de tão importante baluarte de nossa área cultural.

Chiquinho Dornas

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