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Jovens e cansados

O desinteresse dos jovens entre 16 e 18 anos pelas eleições, flagrante na baixa emissão de títulos de eleitor, impõe um questionamento adicional à disputa nas urnas. Significa a desesperança de brasileiros que em breve farão parte da população economicamente ativa e desempenharão papel marcante nas próximas eleições. Naturalmente, a morte de Eduardo Campos deixará esse aspecto em segundo plano, pois o súbito desaparecimento do candidato terá implicações de difícil previsibilidade e ocupará amplo espaço no noticiário por várias semanas. Mas o elo que tentarei estabelecer é de que o candidato do PSB representava uma parte do discurso que prometia mudança e se propunha a atender um sentimento latente na sociedade brasileira. Eduardo Campos não era a voz única em favor da mudança — Aécio Neves também aponta claramente nesse sentido. Mas a candidatura do ex-governador pernambucano representava a possibilidade de uma Terceira Via, um caminho diferente da polarização entre PT e PSDB que há décadas monopoliza o debate nacional. Caberá a Marina Silva essa missão?

O desejo por uma nova configuração política, muito comum entre os jovens, constitui, desde 2010, uma das razões para a expressiva votação a favor da integrante da Rede. Elevada a nova condição após a tragédia com Eduardo Campos, ela poderia atrair a atenção do eleitorado jovem. Ainda é cedo, porém, para identificar exatamente qual papel caberá à ex-senadora em relação às propostas do candidato socialista. Trata-se de um legado que tem o respaldo do PSB, da viúva Renata Campos e de milhares de eleitores que exigem ver, de alguma forma, a concretização das propostas do ex-governador. É uma incógnita a reação do eleitorado ante o discurso de Campos na voz de Marina. 

A decepção dos jovens com a disputa eleitoral contrasta com as manifestações do ano passado. Por que ir às ruas em 2013 e não se manifestar de forma veemente nas urnas em 2014? Será necessário mais tempo para analisar o comportamento dessa parcela do eleitorado, mas ainda restam algumas semanas àqueles que pretendem dar algum sentido ao que aconteceu em 2013. Os candidatos e, em particular, a candidata Dilma Rousseff, tentarão mostrar o que fizeram nesses últimos 12 meses para merecer a confiança dos cidadãos por mais quatro anos. Marina e Aécio, cada qual na sua característica, vão indicar novos caminhos. A partir de hoje, com o programa eleitoral gratuito, os brasileiros são todo ouvidos.




Por: Carlos Alexandre - Correio Braziliense - 19/08/2014

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