A foice e o beijo - Blog do Chiquinho Dornas

NEWS

terça-feira, 6 de março de 2018

A foice e o beijo

A foice e o beijo

*Por Circe Cunha

Modelos de estratégias políticas para angariar apoio nas próximas eleições se repetem, em todo país, com vistas às próximas eleições. No vale tudo para cooptar adesões de outros candidatos e partidos para formação de palanques e acréscimo de tempo em rádios e televisões, a única coisa que tem ficado de fora dessas tratativas, feitas à meia-luz, é o anseio e as expectativas dos próprios eleitores.

Nessa equação oportunista dos políticos brasileiros, o desejo, os receios e o mau humor dos eleitores parece dar soma zero. Na visão desses expertises em táticas políticas, o eleitor é um detalhe a ser considerado apenas durante alguns momentos da campanha. Autossuficientes, e do alto de uma arrogância que lhes é própria, alguns políticos parecem não se dar conta de que os bons ventos não estão mais soprando a seu favor. Pelo contrário. Diversas pesquisas de opinião têm apontado que o sentimento predominante entre os eleitores é o de decepção e mesmo de revolta contra a classe política em geral.

O pior é que essas pesquisas indicam ainda que os legislativos federal e distrital estão entre as instituições com o menor grau de credibilidade, é que os eleitores estão descontentes e mesmo raivosos com o atual modelo político que vem sendo perpetuado, e principalmente com seus protagonistas. Às vésperas das eleições, há um divórcio político e litigioso entre eleitores e candidatos. Não é para menos. As seguidas denúncias de corrupção, que vêm à tona a cada instante, deixam mostram sinais evidentes de traição da classe política.

Indiferentes a esses sinais claros, os candidatos para 2018 prosseguem na mesma toada, entabulando acordos e planos que, creem, renderão frutos futuros. Aqui, no Distrito Federal, não é diferente. Quem assiste à dança das cadeiras, em torno dos cargos para o Legislativo e Executivo local, verifica que, mesmo depois de tantas denúncias, inclusive, com prisões de alguns desses figurões, a maioria dos candidatos insiste ainda em buscar apoios junto a políticos não só enroladíssimos com a Justiça, como também que perderam qualquer respeito junto ao eleitorado.

O que o eleitor informado quer é que políticos em débito com a Justiça fiquem de fora não só do pleito em si, mas que permaneçam longe das tratativas para formação de chapas e outras estratégias para 2018. É preciso ficar bem atento às manobras dessas cobras criadas que buscam, nas próximas eleições, apenas o abrigo da prerrogativa de foro para fugir às agruras da primeira instância, principalmente se colocando com suplentes em algumas chapas, com pré-acordo, para vir a assumir a titularidade do mandato, tão logo o oficial de justiça bata à porta.

São estratégias malandras, mas que têm livrado meliantes da lei. Ao insistir em fazer ouvidos de mercador aos reclames dos eleitores, o máximo que esses políticos espertalhões vão obter é o aumento no fosso separando o cidadão de seus representantes, com prejuízos, óbvio para a democracia. De fato, aos olhos do eleitor informado, tecer acordos com denunciados pela justiça, visando a possíveis vantagens políticas e eleitorais para o futuro, equivale, isso sim, a receber, como selo firmado, o beijo. O beijo da morte.

****
A frase que foi pronunciada
“Por um voto em branco, você está dizendo que você tem uma consciência política, mas você não concorda com qualquer um dos partidos existentes.”
(José Saramago, escritor português, Nobel de Literatura de 1988)

Vira volta
»Vendo o alvoroço em torno da aula na UnB com a disciplina criada para ensinar sobre impeachment como “O golpe contra Dilma Rousseff”, lembramos de um detalhe: até agora, ao contrário de outros registros, no túnel do tempo do Senado, não há o impeachment da Dilma exibido na linha presidencial.

Imperdível
»Atenção interessados no pioneirismo de Brasília. Nesta sexta-feira (9/3), às 19h, Tania Fontenele fará uma palestra sobre as mulheres e a história de Brasília. Em seguida, o histórico filme Poeira e Batom. No Instituto Cervantes, SEPS 707/907.


(*) Circe Cunha – Coluna “Visto, lido e ouvido” – Ari Cunha – Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google


Nenhum comentário:

Postar um comentário