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  • quarta-feira, 14 de março de 2018

    Brasília, capital do racionamento, sediará o 8º Fórum Mundial da Água


    Os olhos do mundo estarão voltados para Brasília do próximo domingo (18/3) até o dia 23. A capital da República vai sediar, pela primeira vez, o Fórum Mundial da Água, que está em sua oitava edição. O momento não poderia ser mais apropriado: o palco das discussões enfrenta, há um ano e meio, uma crise hídrica sem precedentes, desencadeada por secas atípicas, desperdícios e, sobretudo, falhas de gestão e planejamento.

    Historicamente, a cidade-sede do evento trienal ocupa o centro das discussões. Por isso, com lições colhidas dos próprios erros, o Distrito Federal vai mostrar a representantes do Brasil e do exterior um manual sobre como não esperar a crise atingir níveis alarmantes para se agir. E mais: ensinará soluções viáveis capazes de mudar, de casa em casa, a cultura de uma população e, assim, reduzir o desperdício da água.
    Especialistas ouvidos pelo Metrópoles afirmaram que a crise no DF serve de alerta para o mundo, pois remete à necessidade de prevenção contra o problema, em detrimento das medidas para remediá-lo.
    “A falta de investimento durante décadas é um dos fatores que originaram a crise. O reservatório do Descoberto, por exemplo, foi feito na década de 1970, não estava preparado para atender à demanda que há hoje. Ficamos 40 anos sem investimento e dependentes de chuvas”, explicou o professor Oscar de Moraes Cordeiro Netto, do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia Ambiental e Recursos Hídricos da Universidade de Brasília (UnB).
    Planejamento
    O pesquisador acrescentou que a estiagem prolongada em 2016 e 2017 principiou a escassez, pois reduziu o aporte dos principais reservatórios do Distrito Federal, Descoberto e Santa Maria. Apesar disso, segundo ele, os órgãos que deveriam preparar as cidades para uma possível crise não estavam alinhados.

    “Num primeiro momento, não houve muito envolvimento da Caesb [Companhia de Saneamento Ambiental do DF] e da Adasa [Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Ambiental do DF], que foram pegas de surpresa. Agora, caso o cenário se repita, estarão muito mais atentas e preparadas”, disse.
    De acordo com o diretor-presidente da Adasa, Paulo Salles, não havia como prever a crise. Disse ainda que a agência agiu no momento exato. “Certas coisas são imprevisíveis, a gente vai reagindo a elas. Mas, já vimos indícios desde abril de 2016, quando irrigantes na região do Rio Preto [divisa leste entre DF e Goiás] identificaram pouca água”, relembrou.
    Eduardo Cyrino, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) nas áreas de qualidade de água e ecotoxicologia, discordou. Ele afirma que os órgãos responsáveis pela distribuição e regulação da água deveriam ter implementado ações pelo menos um ano antes.
    “A maioria das pessoas entende que a água é um recurso infinito, que a crise é mentira do Estado e que está cheio de água embaixo da terra”, explicou. “A partir do momento em que se percebeu redução de chuvas, já era possível se pensar na possibilidade de crise”, afirmou Cyrino.
    O volume anual de chuva no Distrito Federal desde 2015 reforça a afirmação do especialista. O nível de precipitações nesse período tem ficado aquém das previsões do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Em 2015, choveu 18,6% abaixo da média. No ano seguinte, 25,3% a menos e, em 2017, houve redução de 15,3%. Neste ano, contudo, tem chovido mais, e a expectativa é de que a situação melhore.

    O próprio governador Rodrigo Rollemberg (PSB) disse, pela primeira vez, que o racionamento acabará ainda neste ano. Na sexta-feira (9), por exemplo, a Barragem do Descoberto fechou o dia com 61% do volume total, o maior percentual registrado desde agosto de 2016. O reservatório de Santa Maria estava com 43,8% – a maior marca desde setembro de 2017.
    Soluções
    Segundo admitiu o presidente da Caesb desde 2015, Maurício Luduvice, a ação dos órgãos responsáveis foi tardia, pois a companhia havia elaborado estudos que sinalizavam a crise hídrica. Porém, essas pesquisas ficaram engavetadas. Ainda, conforme destacou, as medidas adotadas para abrandar a situação podem servir de lição para o mundo.
    Reduzimos a dependência do Descoberto de 60% para 52%, por exemplo. Ampliamos a captação com mais fontes, como o Bananal e o Lago Paranoá, e diminuímos a pressão d’água, além de transferir o recurso entre os sistemas." - (Maurício Luduvice, presidente da Caesb) 

    Luduvice também salientou o sistema de Corumbá IV. O projeto é uma “dobradinha” dos governos goiano e brasiliense, e deve ser concluído até agosto, garantindo o abastecimento no DF por pelo menos 30 anos. A partir de dezembro, a população da capital da República deve começar a receber a água captada no Lago Corumbá.
    Arte: Moisés Dias - Metrópoles  Economia - Além das lições aprendidas com os equívocos causadores da crise hídrica no Distrito Federal, os representantes estrangeiros vão encontrar no fórum soluções simples e baratas desenvolvidas por adolescentes em escolas.
    Uma delas foi criada por sete estudantes com idades entre 14 e 16 anos, alunos do Serviço Social da Indústria (Sesi) do Gama, sob a liderança de um professor. Eles compõem a equipe Lego of Olympus, que elaborou, no ano passado, com técnicas de robótica e ao custo de R$ 300, o Sistema de Irrigação por Método Automático (Sima).

    Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 72% da água disponível para consumo no Brasil destina-se à agricultura. Para reduzir o uso do recurso nessa atividade, a equipe criou a engenhoca, movida à energia solar e medidora da umidade do solo. Assim, o Sima auxilia agricultores a fazer aguagem pontual na terra. O resultado? Economia de até 65%.

    “Por um aplicativo de celular, controlamos um interruptor ligado a uma bomba d’água. Com base na umidade do solo, nós ativamos ou não a irrigação”, explicou Isadora Marinho, 15 anos, aluna do 1º ano do ensino médio. “Acompanhamos um agricultor e vimos que ele gasta 1,2 milhão de litros de água por semana, em 2 hectares. Com o Sima, o gasto caiu para 420 mil litros”, comparou Luan Melo, 15.
    Outra equipe de estudantes do Sesi, a MegaZord, recorreu à química e buscou solução caseira para baixar o desperdício de água nas residências. O grupo desenvolveu um produto bioecológico, o Pipi, que altera cheiro e cor da urina em vasos sanitários. Desse modo, reduz a necessidade de descargas e culmina na economia de água.
    “O Pipi é feito com sal quaternário de amônio, ácido cítrico, corante orgânico azul e essência de lavanda. Quando entra em contato com a urina, tira o mau cheiro e a deixa azul, o que dá sensação de limpeza e diminui a necessidade de uma descarga por uso”, explica Maria Eduarda Araújo, 12 anos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 75% da água consumida em residências são gastos em banheiros.
    Os produtos utilizados são facilmente encontrados em lojas de produtos químicos. Após misturados, são armazenados em uma saboneteira acoplada ao lado do vaso, a qual se conecta a uma mangueira, responsável por despejar o líquido no sanitário. Cada litro da solução equivale a 33 descargas.
    A Lego of Olympus e a MegaZord vão apresentar os projetos no estande do Sesi no 8º Fórum Mundial da Água.
    8º Fórum Mundial da Água - De 18 a 23 de março, Centro de Convenções Ulysses Guimarães e Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha - Inscrições abertas no >>>>  site oficial do evento



    Fonte: Douglas Carvalho    - Foto: Tony Wiston – Metrópoles


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