Eleições-DF: Entrevista Fábio Félix , deputado distrital eleito pelo PSol - "O autoritarismo não pode vencer" - Blog do Chiquinho Dornas

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quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Eleições-DF: Entrevista Fábio Félix , deputado distrital eleito pelo PSol - "O autoritarismo não pode vencer"


Entrevista Fábio Félix , deputado distrital eleito pelo PSol -  "O autoritarismo não pode vencer"

Primeiro ativista gay assumido a conquistar uma cadeira na Câmara Legislativa do Distrito Federal, Fábio Felix (PSol) foi o entrevistado de ontem do programa CB.Poder — parceria do Correio Braziliense com a TV Brasília —, e prometeu lutar pela democracia durante os quatro anos como deputado distrital. “Será um mandato de portas abertas, construído coletivamente, e que não seja distante das pessoas”, afirmou. Segundo o futuro parlamentar, a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) como presidente do Brasil significaria uma “volta à Idade Média”. “Não acredito que o governo dele vá respeitar as instituições construídas na democracia. Vamos precisar de alianças para defender democracia no próximo período e resistir”, comentou.
Seu partido defende bandeiras mais progressistas. Como é chegar em uma Câmara Legislativa onde a bancada conservadora está crescendo?
Vai ser uma batalha difícil. Será necessário muito debate e diálogo, inclusive na sociedade, com setores importantes, como organizações religiosas. Mas houve uma renovação grande. Tem uma multiplicidade grande de partidos. Temos projetos em comum com o PDT, o PT e a Rede. Vamos conversar com essas bancadas para lutar pelos direitos humanos e sociais.

Como lidar com as pautas de redução da maioridade penal?
Nossa grande aposta é a implementação de políticas sociais. Se tivermos um sistema socioeducativo que funcione de forma pedagógica, dando oportunidades e educação de qualidade, além de profissionalização, esporte, cultura e lazer, teremos condições de tirar a juventude do crime e colocá-la no trabalho ou na universidade. A solução não está em revogar leis ou apostar no encarceramento, mas em implementar políticas sociais, precárias no Brasil.

É possível buscar postos de comando na Câmara Legislativa?
Quero chegar para disputar tudo. Não necessariamente a Presidência da Casa, mas para fazer parte das comissões e defender as ideias que acredito. É importante, especialmente com o que pode acontecer com o Brasil, que defendamos a democracia na presidência da CLDF. O autoritarismo não pode vencer.

Vai apoiar Ibaneis ou Rollemberg?
Ibaneis, de jeito nenhum. Sem chances de o apoiarmos, não faz parte das nossas possibilidades. Tenho preferência pelo Rollemberg, e o PSol acha que podemos dialogar mais com ele. Contudo, ainda esperamos do candidato uma posição sobre a eleição nacional.

Que tipo de posição? Seriam cargos no governo dele?
Não, de forma alguma. Independentemente do governo que ganhe, vamos manter postura de independência na CLDF e não ocupar qualquer cargo no governo. A posição que esperamos é um gesto contra o autoritarismo no Brasil e em defesa da democracia, da diversidade e da preservação das minorias políticas. Ele não necessariamente teria de declarar apoio a Fernando Haddad (PT), mas tem que ser mais explícito naquilo que a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) significa para o Brasil hoje: autoritarismo, atraso e ideias conservadoras.

Quais atitudes o Bolsonaro deveria tomar contra o discurso de ódio?
Ele tem histórico de não fazer nenhum recuo, mas de sempre ativar gatilhos, seja em relação à tortura, à violência contra a mulher, à cultura do estupro. Nesse momento, o mínimo que ele poderia fazer era ser muito taxativo contra a violência. Mas nem ele nem aliados negam as violências.

Você teme por um governo dele?
Não acredito que ele vá respeitar as instituições construídas na democracia. Vamos precisar de alianças para defender a democracia no próximo período e resistir. Temo pela violência, pelo salvo conduto das polícias e do Exército, pelas políticas de segurança pública, pela juventude e pelo retrocesso nas áreas de gênero. Conseguimos grandes avanços e, hoje, o presidenciável que tem chances de ganhar, pode voltar à Idade Média.

Qual será sua primeira ação ao tomar posse?
Tentar ocupar espaço político na CLDF, seja na disputa pelas comissões ou na mesa diretora. Irei me articular para ter espaço e voz.

Em qual comissão quer atuar?
Sem dúvidas na área de educação e direitos humanos. Queremos ter incidência para conversar com as pessoas.


Ana Maria Campos - Coluna "Eixo Capital" -  Foto: Marilia Lima/CB/D.A.Press - Correio Braziliense – 

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