Passo a passo, o governador Agnelo Queiroz deve acelerar a troca de peças-chave do GDF para acomodar os partidos e forças políticas aliadas. Após a sinalização de aproximação do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, com a presidenta Dilma Rousseff, em breve a legenda deverá receber convite para participar do primeiro ou segundo escalão do Palácio do Buriti. A ideia vem ganhando formas concretas nos bastidores do Executivo.
Articuladores governistas consideram que o PSD possui força na Câmara Legislativa. Paralelamente, o casamento pode jogar um balde de água fria nas pretensões das três deputadas distritais oposicionistas filiadas à legenda. Um possível alinhamento com o Buriti acabaria por forçá-las a buscar outras siglas. Mas, como o partido se saiu bem das eleições municipais, a perda poderia ser amortecida. Afinal de contas, a legenda emplacou este ano quatro prefeitos na Região Metropolitana.
SEM RADICALISMO
Também pesa a favor deste cenário o fato de o presidente regional do PSD, o ex-governador Rogério Rosso, manter bons contatos com Agnelo e com integrantes do Governo Federal. “O PSD está aberto ao diálogo, sem radicalismos”, afirma Rosso.
Na leitura do presidente regional, existem grandes chances de se seguir as movimentações do comando nacional da legenda. “Se eu fosse a Dilma, eu ia querer o Kassab ao meu lado. Porque ele é muito preparado”, brincou. Caso Agnelo decida chamar o PSD para a base do governo será mais um exemplo de como o mundo dá voltas da política. No início de 2011, o petista e Rosso trocaram diversas farpas. Rosso foi governador tampão e Agnelo se queixou de diversas “heranças malditas”, supostas deixadas nas gavetas do Buriti pelo antecessor.
Observando de perto as mudanças promovidas por Agnelo, a exemplo da recente troca de comando da Defesa Civil, o deputado distrital Roney Nemer (PMDB) avalia positivamente as escolhas do governador. Segundo o distrital, que integra a base, o governador busca criarmelhores condições de governabilidade e de firmar alicerces políticos para 2014.
“Eu acho que o governador está trabalhando cirurgicamente e habilidosamente na composição das forças que o apoiam. E temos que estar do lado dele. Parceiro é parceiro”, declarou Nemer. Dentro desse processo, o governador só colheu desconfortos em dois episódios. A troca da presidência do Banco de Brasília (BRB) aqueceu os nervos do PT. O segundo foi a tentativa de transferência da Novacap das mãos do PMDB para a Casa Civil.
Nesta prosa, o tema PSB também vem ocupando grande parte das discussões do Buriti. Nos últimos meses, o senador Rodrigo Rollemberg (PSB) vem se afastando sistematicamente da base. No entanto, a situação podemudar, seguindo a mesma dinâmica do caso do PSD. É cada vezmais evidente que Dilma pretende contemplar de forma mais ampla a sigla presidida pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos.
A presidente não quer mais um adversário em potencial para 2014 e Campos vem desfraldando a bandeira branca política com vistas a horizontes mais distantes. Paralelamente, o diretório regional do partido está enraizado no GDF, a despeito da posição do senador. Analistas do Buriti consideram que a acomodação do PSB em pontos-chave do Governo Federal, fará com que Campos entre no circuito para acalmar os ânimos do senador para retomar a amizade com o governador.
(Francisco Dutra, Jornal de Brasília )

