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  • segunda-feira, 16 de julho de 2018

    Polícia Federal: avança em inquérito sobre corrupção no DF - (Investigação. Mané Garrincha,Jardins Mangueiral e do Centro Administrativo) - (Decisão de Frejat fica para amanhã)


    PF avança em inquérito sobre corrupção no DF - Delegada responsável por investigações sobre superfaturamento do Mané Garrincha requisita informações de licitação do empreendimento habitacional Jardins Mangueiral e do Centro Administrativo do DF. Nova fase da Operação Panatenaico pode ser deflagrada

    *Por » Ana Maria Campos - Ana Viriato 

    Após deflagrar duas fases da Operação Panatenaico para investigar o superfaturamento das obras do Estádio Nacional Mané Garrincha e do BRT Sul, a Polícia Federal mira desvios na construção do Centro Administrativo de Brasília (Centrad) e de 8 mil unidades residenciais no Setor Habitacional Jardins Mangueiral, projetos inaugurados em governos anteriores. Delegada responsável pelos inquéritos, Fernanda Costa de Oliveira enviou ao GDF pedidos de informações sobre os processos licitatórios dos empreendimentos. O prazo para a resposta sobre o Mangueiral é curto: cinco dias. A menos de três meses das eleições, o aprofundamento das investigações pode mover peças do jogo pela sucessão ao Palácio do Buriti, pois envolve importantes lideranças políticas do Distrito Federal. 

    Em um dos ofícios, a Polícia Federal requisitou a íntegra das propostas das demais empresas licitantes da concorrência pelo Jardins Mangueiral, primeira parceria público-privada habitacional do Brasil. A delegada pede, ainda, as avaliações que embasaram a destinação do valor de R$ 34,1 milhões às áreas comerciais, estimado na proposta das empresas vencedoras; as planilhas orçamentárias descritivas do montante de R$ 424 milhões indicado para a construção das unidades residenciais e de infraestrutura; a descrição do uso dos R$ 47 milhões investidos na manutenção das áreas públicas do empreendimento; e as listagens dos desembolsos de entes financiadores, como o Banco de Brasília (BRB) e a Caixa Econômica Federal (CEF). A requisição de informações sobre Jardins Mangueiral saiu da PF em 25 de junho e o prazo para resposta termina nesta semana. 

    Empreendimento habitacional em São Sebastião (Abaixo) e Centro Administrativo são novos focos de investigação da PF
    O inquérito policial é embasado por delações de executivos da Odebrecht à força-tarefa da Lava-Jato. Em delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e divulgada em 2017, Paul Elie Altit apontou o suposto pagamento de propina a agentes públicos do GDF para que a empresa ficasse à frente da construção das unidades habitacionais em São Sebastião. A licitação aconteceu em 2008, na gestão do ex-governador José Roberto Arruda (PR), e teve como vencedores a Odebrecht Realizações Imobiliárias e o Consórcio Vida Nova – grupo formado pela Silco Engenharia, Cidade Jardins Incorporação, Vilela e Carvalho, Soltec, Emplavi e Geológica Consultoria Ambiental. 

    De acordo com Paul Altit, para viabilizar o empreendimento, Arruda teria exigido R$ 8 milhões, por meio de um intermediário. O empresário da Soltec e ex-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do DF (Sinduscon) Adalberto Valadão seria o responsável pela interlocução. Aos procuradores, o executivo da Odebrecht entregou comprovantes de pagamentos nos valores de R$ 318 mil e R$ 180 mil. “Esses pagamentos solicitados por Arruda tiveram como contrapartida específica o bom desenvolvimento do projeto, sem qualquer entrave”, contou.

    Na gestão seguinte, de Agnelo Queiroz (PT), o então secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Geraldo Magela (PT), também teria obtido vantagens com as obras. Segundo Paul Elie, a Odebrecht doou à campanha do petista ao Senado, em 2014, R$ 1,4 milhão — parte repassada por meio de Adalberto Valadão e parte com recursos não contabilizados, em espécie. “Ele nunca disse ‘me dê dinheiro para campanha, que vou dar as 50 mil unidades’. Mas havia o entendimento implícito de que, com isso, conseguiríamos uma relação mais próxima para anos vindouros”, contou Paul Altit, se referindo à possibilidade de a Odebrecht e o GDF replicarem o modelo de PPP em outros projetos habitacionais. 

    A delegada Fernanda Costa foi responsável por duas etapas da Operação Panatenaico. Na primeira, houve prisões dos ex-governadores Agnelo Queiroz e José Roberto Arruda e do ex-vice-governador Tadeu Filippelli, além de buscas e apreensões nas casas desses políticos. Na segunda fase, ela chegou a representar com pedido de prisão dos mesmos investigados, mas a Justiça concedeu apenas novos mandados de buscas.

    O Centrad também foi usado para ratear propina, garantiram executivos da Odebrecht. Em delação premiada, João Antônio Pacífico afirmou que negociou R$ 15 milhões em valores indevidos com o ex-governador Agnelo Queiroz e o ex-vice Tadeu Filippelli (MDB) para agilizar o processo de ocupação do empreendimento. 

    Intermediadas pelo ex-secretário de Desenvolvimento Econômico Hermano Carvalho, as tratativas buscavam arrecadar recursos para a reeleição da dupla, conforme o delator. Pacífico afirmou ter indicado o funcionário Ricardo Ferraz para participar das negociações. Conforme documentação entregue à força-tarefa da Lava-Jato, Ferraz e Hermano trocaram dez telefonemas, entre 19 de agosto e 22 de setembro de 2014. 

    De acordo com as declarações, havia um cronograma de liberação de recursos. Após a entrega da primeira fase das obras e do início das contraprestações fixas, Agnelo receberia R$ 1 milhão e Filippelli, R$ 2 milhões, por exemplo. Quando o GDF aprovasse um aditivo para incluir a compra de mobiliário, o petista embolsaria mais R$ 1 milhão. Caso o governo assinasse aditivo para ampliar o alcance do contrato, com a inclusão de serviços para a operação, Filippelli garantiria R$ 1 milhão e a dupla ganharia mais R$ 2,5 milhões. A aprovação do reequilíbrio econômico-financeiro do contrato, prevendo o pagamento pela defasagem do índice de reajuste, renderia R$ 2,5 milhões a Agnelo Queiroz. 

    No último dia de seu mandato como governador, Agnelo liberou o habite-se, mas a autorização para a ocupação foi depois questionada pelo Ministério Público do DF e suspensa pela Justiça. Por isso, o espaço segue vazio. Uma comissão administrativa do governo avalia a possibilidade de declarar nulo o contrato, viabilizando, assim, o uso do local. 

    “Delações vazias”
    Ao Correio, Luis Henrique Machado, advogado de Arruda, declarou que as delações são “vazias e sem amparo em provas”. “Oportunamente, a defesa demonstrará, em juízo, as contradições e as inverdades ditas de forma irresponsável motivadas pelo propósito de obter o benefício da delação”, disse. Alexandre Queiroz, defensor de Filippelli, alegou que não teve acesso aos autos do inquérito e, portanto, não se manifestaria.

    Paulo Guimarães, advogado de Agnelo, disse que a defesa já externou diversas vezes que as acusações não procedem e destacou que há contradições entre as versões prestadas pelos executivos que fizeram delação premiada.

    Ex-secretário de Habitação, Geraldo Magela garantiu que “recebeu do PT recursos provenientes de subsidiárias da Odebrecht somente em Caixa 1”. “As contas foram prestadas e aprovadas pela Justiça Eleitoral. A investigação será positiva para esclarecer a situação”, pontuou.

    Decisão de Frejat fica para amanhã
    Aliados estiveram ontem na casa de Jofran Frejat (PR) para tentar convencê-lo a permanecer na disputa ao Buriti. O pré-candidato, que suspendeu a agenda na sexta-feira para repensar o futuro, disse que só tomará uma decisão amanhã, depois de uma conversa com o dirigente nacional de seu partido, Valdemar Costa Neto. A avaliação, entre as pessoas mais próximas, é de que Frejat vai colocar todos os problemas na mesa e buscar uma solução, caso contrário, anunciará a renúncia à corrida ao GDF.

    Bateram na casa de Frejat ontem,  os presidentes do MDB, Tadeu Filippelli, do DEM, Alberto Fraga, do PP, Rôney Nemer, e do Avante, Paco Brito. A visita ocorreu depois de uma reunião na casa de Filippelli, em que eles definiram a estratégia de abordagem. Frejat disse a eles que ainda não tomou nenhuma decisão. 

    O pré-candidato não aceita interferências na campanha e acordos sem o seu aval. Também há dificuldades para fechar as coligações para eleições de deputados federais e distritais e faltam recursos para a pré-campanha. Frejat quer acertar todos os pontos com Valdemar para tomar a decisão. Precisa saber se poderá seguir com independência e quanto caberá à eleição do DF entre os fundos públicos de campanha destinados ao PR. 

    A chapa está quase fechada. O ex-presidente da OAB Ibaneis Rocha (MDB) é cotado para ser o vice e Fraga concorrerá ao Senado. Falta ainda definir quem ocupará a segunda vaga. O deputado Rogério Rosso, presidente do PSD/DF, tem conversado com o grupo sobre essa possibilidade, mas ele não descarta concorrer como cabeça de chapa. Rosso prometeu anunciar uma decisão hoje. Mas pode ser que prefira aguardar Frejat.

    Com a possibilidade evidente de desmantelamento das chapas montadas até agora, Eliana Pedrosa (Pros) e Alírio Neto (PTB), que estão juntos numa candidatura ao GDF, divulgaram nota ontem. “Do nosso lado, eu e Alírio reafirmamos nosso povo e nossa pré-candidatura. Nosso interesse é um só: cuidar de nossa gente. Discursos terroristas sobre heranças malditas e alianças que negociam o futuro não fazem parte do grupo que formamos. Não fazem parte e não aceitamos”, escreveu Eliana.

    Ibaneis viajou para a Rússia na semana passada com as negociações em andamento. Havia possibilidade até de anunciar a união com Frejat antes do embarque, mas alguns ajustes ainda eram necessários.
      
    (*) Ana Maria Campos – Ana Viriato – Fotos: Zuleika de Souza/CB/D.A.Press – Minervino Junior/CB/D.A.Press - Blog/Google – Correio Braziliense  



    domingo, 15 de julho de 2018

    Jofran Frejat: Crise com várias causas - Reação na base arrudista


    Crise com várias causas
    A crise no grupo de Jofran Frejat pode provocar o fim da candidatura do político que lidera as pesquisas no Distrito Federal. Há tempos, há apostas de que o ex-secretário de Saúde, pelo temperamento, teria dificuldades de seguir com a campanha. Frejat não aceita interferências, o que afasta os possíveis parceiros de chapa, nem segue as orientações políticas dos aliados. Tudo isso somado à falta de dinheiro. Pela Lei Eleitoral, apenas depois de 16 de agosto os recursos dos fundos partidário e especial de financiamento de campanha são repassados. Da mesma forma, apenas com o início da campanha serão liberadas as contribuições de colaboradores. Por isso, tem sido difícil avançar. A formação das chapas para candidatos proporcionais também tem provocado embates na base. Ninguém sabe agora o quanto a atitude de Frejat pode desestabilizar ainda mais a campanha e provocar desembarques de políticos para outras chapas.

    Reação na base arrudista
    Todo o grupo político de José Roberto Arruda está chateado com a atitude de Jofran Frejat (PR), de anunciar possível desistência e deixar subentendido que o motivo seriam interferências do ex-governador. Há uma pressão grande para que Arruda não apoie mais Frejat, caso ele dê outro cavalo de pau e reassuma a candidatura ao Buriti. 
    Quando a união faz a força
    O ex-governador José Roberto Arruda pode apoiar outro candidato. Entre os concorrentes que se apresentam no páreo, vários tiveram relação política com ele e até participaram de seu governo. É o caso de Eliana Pedrosa (Pros), Izalci Lucas (PSDB), Alírio Neto (PTB), Peniel Pacheco (PDT), Alberto Fraga (DEM), Paulo Octávio (PP) e Joe Valle (PDT). A vários interlocutores, Arruda disse acreditar que qualquer um desses ganharia a eleição se todo o grupo estiver unido.

    Costura nacional para aliança entre PR e PSDB
    Coordenador da campanha de Geraldo Alckmin, o ex-governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), participou de um jantar na casa de José Roberto Arruda (PR), há 10 dias, com a presença do dirigente do PR Valdemar Costa Neto. O assunto era uma possível aliança nacional entre PR e PSDB, com repercussão local. Jofran Frejat (PR) esteve no encontro. A aposta foi de que, no âmbito do DF, a coligação seria possível. Começou ali a articulação para que o deputado Izalci Lucas (PSDB) desistisse da candidatura ao governo, para ser vice de Frejat.

    Vice
    Um dos motivos da crise é a possível escolha de Ibaneis Rocha como vice de Jofran Frejat, por indicação de Tadeu Filippelli. 

    Recado claro
    Se Jofran Frejat (PR) mantiver a candidatura ao Palácio do Buriti, uma coisa estará clara. Ninguém negocia nada em seu nome. Nenhum acordo sem o seu aval vale. Quem acreditar em interlocutores pode se dar mal. 

    Estilo Jânio Quadros
    Muita gente comparou o gesto de Jofran Frejat, na ameaça de desistir da candidatura, ao gesto de Jânio Quadros quando renunciou ao mandato de presidente da República em 1961. Ele espera um movimento favorável à sua permanência no cargo, como forma de conquistar mais poder. Itamar Franco também tinha arroubos semelhantes. Mas, em tempos de redes sociais, esse tipo de atitude causa muito mais repercussão.

    Consequência 
    A solidariedade de Rodrigo Rollemberg (PSB) a Jofran Frejat (PR) despertou avaliações. Muito difícil ocorrer de forma explícita, mas o ex-secretário de Saúde pode, a depender dos desdobramentos, ajudar na reeleição do atual governador. 
    Reviravoltas
    Esta é a terceira eleição seguida em que Jofran Frejat se envolve numa reviravolta na campanha. Nem sempre por sua causa. Em 2010, ele era vice de Joaquim Roriz quando o ex-governador foi barrado pela Lei da Ficha Limpa e foi substituído na chapa pela mulher, Weslian Roriz. Em 2014, Frejat era o vice na chapa de José Roberto Arruda, também impedido por inelegibilidade, e acabou substituindo o ex-governador, tendo Flávia Arruda como o segundo nome na chapa. Agora, Frejat cogita desistir e não apoiar ninguém.
    Aquele abraço
    O deputado Chico Leite (Rede) fez aniversário na última quinta-feira com uma comemoração na AABB. Reuniu amigos e apoiadores de sua campanha ao Senado. O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) foi dar um abraço.

    As opções da Rede
    A Rede vai se reunir amanhã para deliberar sobre qual caminho seguir nas eleições. Hoje a legenda de Marina Silva tem três opções no DF: lançar Chico Leite ao GDF, coisa que ele não quer, apoiar a candidatura de Peniel Pacheco (PDT) ou abraçar o projeto de reeleição de Rollemberg. 


    Por Ana Maria Campos – Coluna “Eixo Capital” – Correio Braziliense


    sábado, 14 de julho de 2018

    JUSTIÇA » Marcelo Bauer é preso após 31 anos - (Brasília esperava, havia 31 anos, a punição do assassino de Thaís ...)


    Marcelo e Thaís: ele a sequestrou no câmpus da UnB, a asfixiou com clorofórmio e, por fim, a matou a facadas

    Hoje com 53 anos, o gaúcho vai cumprir no país europeu, onde tem cidadania, a pena imposta pelo Tribunal do DF pelo homicídio qualificado cometido em 1987 contra a ex-namorada Thaís Mendonça. Ambos estudavam na UnB, onde ela a sequestrou para matá-la

    *Por Renato Alves

    Brasília esperava, havia 31 anos, a punição do assassino de Thaís Muniz Mendonça, sequestrada e morta aos 19 anos com um tiro e 19 facadas, em 1987. Ela veio em abril, mas só ontem foi comunicada às autoridades brasileiras. O Ministério Público Federal (MPF) recebeu a informação oficial de que Marcelo Bauer está preso, na Alemanha, onde será executada a pena de 14 anos de reclusão pelo homicídio qualificado da estudante brasiliense.

    Aos 53 anos, Bauer está no Centro Penitenciário de Bayreuth desde 25 de abril. Por ter cidadania alemã, cumprirá a pena naquele país, para onde fugiu. Deve ganhar a liberdade em abril de 2032. A efetivação da prisão foi informada em reunião entre integrantes da Secretaria de Cooperação Internacional (SCI/MPF) e da adidância policial alemã, segundo nota divulgada pela assessoria de comunicação do MPF.

    Condenação
    O Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT) condenou Marcelo Bauer à revelia em abril de 2012. O júri impôs uma pena de 18 anos de prisão pelo sequestro, asfixia por substância tóxica e assassinato de Thaís. Após o julgamento de apelação criminal, a pena foi reduzida para 14 anos de reclusão, em 12 de abril de 2012. O crime foi motivado por ciúmes.

    O Supremo Tribunal Federal (STF) manteve a condenação, em maio de 2014. A Procuradoria-Geral da República (PGR) fez o pedido inicial à Alemanha em 2011, quando o Brasil enviou a cópia do processo e a transmissão do caso para a Justiça alemã, diante da inviabilidade da extradição de Bauer, por causa da dupla nacionalidade.

    O judiciário daquele país pediu a localização e a oitiva de testemunhas, além do perfil do DNA da vítima. A partir de então, o juízo da Vara de Execuções Penais do DF autorizou a transmissão do caso ao país europeu e solicitou a homologação da decisão condenatória. O pedido para homologação da sentença estrangeira foi encaminhada à SCI em 2013. Desde então, houve constantes contatos entre as autoridades dos dois países, que culminaram no início da execução da pena na Alemanha.

    Pai de Marcelo, Rudi trabalhava no Serviço de Inteligência da PMDF

    Ajuda de militares
    Encontrar o acusado de sequestrar e matar a jovem se tornou tarefa complicada, segundo investigadores da Polícia Civil, por causa do pai dele. O coronel Rudi Ernesto Bauer trabalhava no Serviço de Inteligência da Polícia Militar do DF. Segundo os investigadores, ele planejou a fuga do filho com a ajuda de colegas de corporação e do Exército.

    Com Bauer foragido, promotores de Justiça do DF concluíram que ele sequestrou Thaís no câmpus da UnB “e, após asfixiá-la com substância tóxica e deixá-la desmaiada, puxou-a para o seu carro, um Passat amarelo, ano 1978, e de maneira cruel desferiu contra ela 19 facadas na região mamária e carotidianas. Não contente, conduziu-a a local ermo, nas proximidades da 415 Norte, em direção ao Lago Norte, para ocultar o cadáver, arrastando-a para o mato, onde, à queima-roupa, a matou”.

    Bombeiros encontraram o corpo de Thaís por volta do meio-dia de 12 de julho de 1987, quando uma equipe apagava um incêndio em meio ao cerrado. O Boletim de Ocorrência nº 2856, registrado na 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul) dois dias antes pelo professor e assessor do Ministério da Educação Hamilton Muniz Mendonça, 48 anos, dava conta do desaparecimento da filha dele. Thaís Mendonça sumira logo após a aula matutina no câmpus da UnB, em 10 de julho.

    O pai a descreveu como morena, magra, com 1,65m de altura, olhos e cabelos castanhos. Mesmas características do corpo localizado na 415 Norte, vestindo calça jeans azul Ellus, tênis brancos Nike, meias soquetes azuis, camiseta branca com um broche escrito “Sindicato já! Servidores públicos.”, relógio Ferrari branco, brincos de plástico marrom, aliança de ouro e quatro anéis, um deles quebrado.

    Sempre armado
    A confirmação do trágico fim de Thaís, aluna do 6º semestre de letras da UnB, veio em 14 de julho, com o laudo do Instituto de Criminalística. Ele trazia o resultado do exame das impressões digitais da vítima. Os investigadores da 2ªDP (Asa Norte) tinham um suspeito. Aluno de sociologia da UnB, o gaúcho Marcelo Bauer, 21 anos, havia namorado Thaís de julho de 1984 a fevereiro de 1987. Parentes e colegas de faculdade e de trabalho da moça contaram aos policiais histórias de perseguição e de agressão dele à ex-namorada, durante e após o relacionamento. Ele costumava andar armado.

    Thaís morava com a mãe e os irmãos, de 20 e 14 anos, no Bloco A da 307 Sul. Os pais estavam separados. Marcelo ficou proibido de entrar no prédio após tentar sequestrar a garota na madrugada de 20 de junho de 1987. Ele a abordou no pilotis, após ela chegar de um encontro com o novo namorado, um jovem de 26 anos,  morador da 405 Norte. Marcelo ameaçou levá-la à força para Pirenópolis (GO), a 140km de Brasília. Mas ela reagiu com berros, o que fez o agressor soltá-la. Com medo, Thaís revelou aos pais as ameaças e as agressões. Marcelo fazia plantões nas salas de aula na UnB, no curso de inglês, no trabalho e na academia de ginástica dela.

    A estudante conheceu o último namorado em 3 de fevereiro de 1987, primeiro dia de trabalho dela no INPS, o atual INSS. Eles trabalhavam na mesma seção e, após alguns encontros, começaram a namorar em maio, quando ele deixou o INPS para assumir a função de assistente de gerente em uma cervejaria. 

    Marcelo morava no Bloco C da 315 Sul com os pais e o irmão, de 19 anos, estudante de engenharia elétrica da UnB. Marcelo estudava de manhã e trabalhava à tarde como auxiliar de administração da Procuradoria-Geral de Justiça do Trabalho do DF. Ele tinha um Passat modelo Surf, amarelo, ano 1978, em nome do pai, de quem ganhou um revólver calibre .22, em 11 de abril de 1987, de aniversário. Rudi Bauer tinha oito armas de fogo em casa.

    "Estou passando por uma situação muito traumatizante com o fim do meu namoro. Ele (Marcelo) não se conforma. Já falou até em suicídio e o caramba. Eu não sei como agir. Estou há três meses nessa situação. Estou gostando de outro cara. E esse cara está sendo ameaçado pelo Marcelo também” - (Thaís, em carta escrita a um amigo de SP, em 15 de junho de 1987)

    Nomes trocados
    A Polícia Civil do DF só encontrou Marcelo Bauer 13 anos após a fuga. Ele estava em Aarhus, na Dinamarca, onde morava havia oito anos. A polícia brasiliense recorreu à Interpol, que prendeu Bauer. Enquanto o governo brasileiro esperava a análise do pedido de extradição do acusado, a Corte de Justiça de Aarhus o soltou, oito meses após sua prisão. O governo brasileiro apelou à Suprema Corte da Dinamarca, que autorizou a extradição. Nesse meio tempo, Marcelo Bauer deu entrada no pedido de cidadania alemã. Quando a Justiça dinamarquesa acatou a extradição do brasileiro, a Interpol descobriu que o acusado não estava mais na Dinamarca.

    A Interpol localizou Bauer na Alemanha. Em 2002, o governo alemão negou a extradição pedida pelo Brasil. Em seguida, o acusado conseguiu a cidadania e mudou o sobrenome. Passou a se chamar Marcelo Nielsen, o mesmo de uma das suas mulheres — ele se casou duas vezes na Europa. Agora, segundo os documentos enviados pelo MP alemão, ele usa também o sobrenome Funke.

    Apesar de tanto tempo, o crime atribuído a Marcelo Bauer não prescreveu após os 20 anos previstos em lei. Graças à atuação do MP do DF e de uma decisão do TJDFT. Em maio de 2009, dois meses antes do prazo para o acusado ser julgado, desembargadores decidiram que ele deveria ir a júri popular, mesmo se não fosse notificado pessoalmente nem aparecesse na audiência. Com essa decisão, foi interrompida a prescrição. A partir de então, o crime prescreveria só em 2029, 20 anos após a decisão do TJDFT.

    O advogado de Bauer não quis dar entrevista, alegando nunca falar à imprensa sobre os casos em que atua. Nenhum parente da vítima e do acusado foi encontrado pela reportagem. Os familiares dos dois também nunca falaram com a imprensa.

    (*) Renato Alves – Foto: Jorge Cardoso/CB/D.A.Press – Acácio Pinheiro-Reprodução/C.B.D.A.Press – Correio Braziliense





    Jofran Frejat (PR) - Um xeque-mate que pode afundar uma campanha - "Crise tem nome: Arruda"

    Um xeque-mate que pode afundar uma campanha 
    O meio político passou o dia ontem tentando entender a movimentação política de Jofran Frejat (PR). Líder nas pesquisas de opinião, com quase o dobro das intenções de voto de Rodrigo Rollemberg (PSB), Frejat tomou uma atitude arriscada. 

    Pode ser um blefe, um ultimato, uma jogada de marketing ou um freio de arrumação. Se for uma despedida, foi em grande estilo. Reforçará a imagem de um gestor honesto que não aceita um balcão de negócios. Mas, se for um xeque-mate apenas para excluir desafetos da campanha, deixará consequências. Cria instabilidade que pode afugentar aliados, promover incertezas na campanha e especulações. Nada disso é positivo num ambiente de disputa e de muitas fake news. 

    Mesmo que Frejat decida manter a candidatura, sempre haverá dúvidas a serem exploradas pelos adversários e boatos sobre a real intenção de concorrer até o fim. Não deixa, no entanto, de ser um gesto de coragem.

    Crise tem nome: Arruda
    Jofran Frejat não fala com todas as letras. Mas o grande incômodo tem nome: José Roberto Arruda (PR). O ex-governador tem feito articulações políticas relacionadas à chapa. Nos últimos dias, por exemplo, cuida de uma costura nacional para emplacar o deputado Izalci Lucas (PSDB/DF) como vice de Frejat. Em jantar com policiais militares, eleitorado que sempre o prestigiou, Arruda fez promessas em nome de Frejat e disse que as cobraria num eventual governo eleito. Frejat não gostou e subiu o tom: “Não vou fazer do meu governo um balcão de negócios”.

    Irritação cada dia maior
    A crise com Jofran Frejat (PR) esquentou na quarta-feira. Ele estava bastante irritado e reclamou muito de interferências do ex-governador José Roberto Arruda em sua campanha. Conversou com Valdemar Costa Neto, que comanda o PR nacionalmente, e fez um desabafo, muito nervoso, com o grupo mais próximo de sua campanha. Saiu de lá com a promessa de que esfriaria a cabeça. Mas não foi isso o que aconteceu. Há tempos, Frejat tem demonstrado contrariedade. Disse várias vezes a interlocutores que poderia desistir. Mas ninguém acreditava. Agora, ninguém mais sabe onde esse anúncio de possível desistência pode chegar.

    Vai vestir a carapuça? 
    O ex-governador José Roberto Arruda reagiu indignado às declarações de Jofran Frejat, principalmente das referências a “balcão de negócios”. Frejat disse ao Correio que “algumas pessoas têm pacto com o diabo” e garantiu que “não venderia a alma”. A alguns interlocutores, Arruda disse que romperia. Mas há quem acredite que ele não vai vestir a carapuça, já que Frejat em momento algum se referiu ao ex-governador publicamente.

    De volta ao passado
    O gesto de Jofran Frejat embolou o jogo político para a campanha, um tabuleiro que já vinha embaralhado havia meses. Se o ex-secretário de Saúde desistir de disputar a eleição, todo o grupo que se formou em torno dele deve migrar para outras pré-candidaturas, de Eliana Pedrosa (Pros), Izalci Lucas (PSDB) e Peniel Pacheco (PDT). É possível até mesmo que a dobradinha entre Eliana e Alírio Neto (PTB) se rompa. As negociações começam do zero.



    Ana Maria Campos – Coluna “Eixo Capital” – Correio Braziliense



    sexta-feira, 13 de julho de 2018

    Frejat admite desistir da candidatura: “Não vou vender minha alma ao Diabo” disse ao presidente do seu partido (PR) Valdemar Costa Neto


    Em primeiro lugar nas pesquisas, o ex-deputado Jofran Frejat (PR) cancelou toda a agenda de hoje (13/07) até domingo para reavaliar seu futuro. Ao Correio, ele disse que está “inclinado a desistir da candidatura ao governo”. 
    O motivo seriam pressões de politicos para dar um rumo à sua candidatura que ele não aceita. “Parece que algumas pessoas têm pacto com o Diabo. Eu não vou vender minha alma”, disse Frejat.
    Ele não cita nomes, mesmo sob muita insistência. Mas ontem Frejat esteve com Valdemar Costa Neto, que comanda o PR nacionalmente, e reclamou de José Roberto Arruda (PR). Disse que não aceita a interferência dele na campanha e desistiria se houvesse alguma ingerência do ex-governador em sua campanha. Estava muito irritado.
    Ao Correio, Frejat reclamou muito da política. “Todo dia sofro pressões muito grandes para fazer coisas que não quero. Não vou jogar meu nome na lama. Tenho história, um passado limpo. Não serei candidato a qualquer custo”, reclamou.
    Ele ainda disse: “Queria ter oportunidade para governar Brasília, para recuperar a cidade. Mas não basta ganhar a eleição. É preciso governar. Imagino o que sofre o atual governador”.
    Frejat continuou: “Não vou fazer do meu governo um balcão de negócios. Prefiro ficar em casa”. Sobre estar em primeiro lugar nas pesquisas, ele avalia que não significa nada.
    De ontem para hoje, Frejat comunicou sua decisão também ao ex-vice-governador Tadeu Filippelli e a aliados mais próximos.
    Para alguns, pode ser apenas uma crise contornável. Mas pode ser também o fim de uma candidatura que teria chances de vitória.

    Ana Maria Campos – CB.Poder – Correio Braziliense


    Entrevista: Rodrigo Rollemberg » "O PSB não pode se omitir" - (Governador quer que o partido apoie Ciro Gomes (PDT) nacionalmente)


    "O PSB não pode se omitir" - Governador afirma que, "no momento delicado da história do país", Ciro é quem reúne condições para unificar forças progressistas 

     Por » Bernardo Bittar - Leonardo Cavalcanti  

    O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), defendeu em entrevista exclusiva a necessidade da tomada de posição do partido. Disse que a sigla não pode ficar inerte às movimentações presidenciais, especialmente por não ter candidato próprio. Rollemberg quer que o partido apoie Ciro Gomes (PDT) nacionalmente. Na visão dele, é preciso encontrar o candidato ideal para o momento político e econômico do país. A seguir os principais trechos da entrevista:

    O movimento do tucano Alckmin em relação ao palanque único em São Paulo não facilita o acordo entre PDT e PSB?
    O (governador de São Paulo) Márcio França (PSB) foi um vice extremamente leal ao Alckmin e sempre manifestou publicamente a posição do PSB de apoio a ele. É claro, pela importância de São Paulo, se o PSDB de lá manifestasse o apoio formal à candidatura do Márcio (o que não houve), ia colocar o PSB em posição de quase obrigatoriedade de apoiar o Alckmin. Uma posição de neutralidade neste momento para Márcio França não vai ajudar em nada a candidatura dele. Com a tradição do PSB, a neutralidade de não ter um candidato para presidente em um momento muito delicado do país seria muito ruim. Por isso defendo o apoio ao Ciro.

    Por que a demora do PSB em se definir?
    Está demorando em função da diversidade que temos no país, do ponto de vista das questões regionais, mas que precisam ser superadas em função do interesse nacional. No Nordeste, principalmente em Pernambuco, é muito grande a força do ex-presidente Lula. Nesse caso, o governador Paulo (Câmara) ainda sonha com o apoio do PT. Por outro lado, Márcio gostaria que o partido apoiasse o Alckmin. Ficou muito claro, tanto para um quanto para outro, que o PSB se dividiria, com prejuízo enorme para o partido, em apoio à candidatura do PT e do Alckmin. Hoje, o partido teria dois caminhos: ou apoia Ciro, ou opta pela neutralidade na disputa presidencial. É inaceitável, para o PSB, nesse momento do país, não ter uma posição definida. Por isso defendo que o candidato que reúne as melhores condições para unificar o campo progressista é Ciro Gomes. Ele consegue unificar o partido. Porque, neste caso específico, ainda que não seja preferência do Márcio e do Paulo, ele não criaria dificuldades nem constrangimento para nenhum dos dois, nem no plano nacional, nem no ideológico, nem no plano local.

    Com qual prazo o senhor trabalha para o acordo com o PDT?
    O prazo é o legal, 5 de agosto. Não estou falando que o PSB está sendo omisso, que fique claro. Espero que, até lá, tenhamos uma posição que não seja de neutralidade. O tempo político é importante para o partido. Tem uma ansiedade nos diretórios nacionais de que essa decisão ocorra antes do prazo jurídico, porque depende até para a candidatura nacional. Se o PSB apoiar a candidatura do Ciro, terá mais possibilidade de atrair outros apoios e se fortalecer.

    Essa indecisão imediata atrapalha as alianças regionais. É o caso do DF?
    É importante o apoio do PDT em Brasília, e, portanto, a candidatura do Ciro facilita o entendimento aqui. Mas, independentemente disso, a questão central é pensar no Brasil. Conhecendo o PSB e todas as adversidades que há nos estados, o melhor caminho é apoiar Ciro. Ele tem a capacidade de unificar partidos do campo progressista, como o  PCdoB e o Solidariedade, por exemplo. Entendo que o PSB pode e deve compor a chapa do Ciro. Defendo o nome do Márcio Lacerda para ser vice do Ciro. O que o PSB não pode é não ter posicionamento, porque é como se o partido não estivesse à altura das aspirações atuais que a população tem no momento.

    Esse movimento do centro-direita que tenta minar a candidatura do Ciro e essa indefinição do PSB dão mais fôlego aos ataques a Ciro?
    É muito provável que o Bolsonaro vá para o segundo turno. E isso dificulta o crescimento do Alckmin. O Álvaro Dias (SD) também atrapalha o Alckmin. Se não fortalecermos a candidatura do Ciro, muito possivelmente haverá um segundo turno entre Bolsonaro e um candidato do PT. E isso não é bom pro Brasil. Acho que o PT terá um papel importante no segundo turno, mas entendo que não será bom para o país. A única forma de isso não ocorrer é se fortalecermos a candidatura do Ciro.

    Mas sem os apoios dos governadores de São Paulo e Pernambuco isso fica muito difícil.
    A posição do partido é conjunta. A gente tem discutido isso de forma muito fraterna, com todas as lideranças do PSB. Tenho muita confiança de que vamos construir essa aliança por um consenso, por um grande entendimento partidário. O importante é que não demore tanto. Quanto mais rápido fizermos isso, mais rápido teremos possibilidades de fortalecer uma candidatura nacional, que possa dar um rumo ao Brasil e, ao mesmo tempo, fortalecer também os arranjos estaduais.


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    (*)  Bernardo Bittar - Leonardo Cavalcanti   - Fotos: Luis Nova/CB/D.A.Press - Correio Braziliense


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