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" Rogério Rosso: “Meu projeto neste momento é o fortalecimento do partido”



"Rosso não é caolho nem tem perna de pau"

Presidente do PSD do DF, Rogério Rosso: “Meu projeto neste mo
mento é o fortalecimento do partido”

Nas últimas duas semanas, o presidente do PSD do Distrito Federal, Rogério Rosso, vem sofrendo um bombardeio de críticas por parte de seus aliados, que tentam desconstruí-lo como liderança política. Até parece jogo combinado com os adversários para eliminá-lo definitivamente do jogo sucessório em 2014. “Nunca declarei que sou candidato ao Palácio do Buriti. Quando sou questionado por jornalistas e amigos, minha resposta sempre é a mesma: meu projeto neste momento é a consolidação do PSD como força política. Projeto majoritário se discute com o partido e não pelos jornais”, disse ao Jornal Opção na quinta-feira, 1º.

Sendo o principal líder do partido no DF, Rosso tem como dever de ofício conversar com todas as lideranças que o convidam, mesmo os adversários que teceram críticas à sua rápida gestão frente ao Buriti. “Não tenho como recusar um convite do PT ou de qualquer outra legenda para possíveis alianças, parcerias ou mesmo ajudar numa determinada votação.” De fato é sabido que Rosso foi sondado por emissários de Agnelo sobre possibilidade dele colaborar com o governo. A resposta foi que dependia de como o quadro nacional do PSD — leia-se, São Paulo — iria evoluir. Pronto. Estava feita a confusão. Especulações pipocaram de todos os lados, principalmente das deputadas pessedistas Liliane Roriz e Celina Leão.

Liliane usou as redes sociais para defenestrar o partido e, claro, Ro­gério Rosso. “Faço parte dos 80% da população que desejam o melhor para o DF, e não aprovam a gestão do governador Agnelo”. Bravata para adversários e encenação para a torcida? Provavelmente, as duas coisas. “A Liliane tem meus números de contato, é nossa amiga e fala comigo a hora que quiser. Não precisa mandar recados via meios de comunicação”, lamentou Rosso. Tudo indica que, mesmo Liliane se estrilando, não há como um presidente de partido não falar com outras legendas. Até o PSol, o mais radical dos radicais conversa com adversários.

Quanto a Celina Leão, ela precisa mirar melhor seus ataques. O partido é recente, assim como ela no parlamento. Tanto ela como Liliane tem muita estrada para trilhar e o trabalho que desempenham no parlamento é meritório e tem o reconhecimento da população. Agora, se toda vez que forem contrariadas ameaçarem sair do partido, qual legenda vai confiar nelas num futuro? Lembre-se: o ex-governador José Roberto Arruda é muito bom de voto, mas não é um homem de partido, por isso ele terá dificuldade para encontrar uma legenda para disputar o governo novamente, caso não seja condenado. Portanto, mudar de partido a toda hora, não é a melhor estratégia para conquistar eleitores. 2014 é logo ali.

Quanto as especulações de que “Rosso poderia ocupar a Secretaria do Entorno fazendo dobradinha com o secretário do governo de Goiás, André Clemente”, que ocupa uma pasta semelhante, não passa de bobagem. É uma ingenuidade pensar que Rosso iria para os braços de Agnelo por uma secretaria sem estrutura, sem dinheiro e com meia dúzia de cargos inexpressivos. Que o diga o ex-titular da pasta, Bispo Renato Andrade (PR), que amargou uma grande escassez de recursos e falta de empenho do GDF para, pelo menos, estabelecer uma diálogo com o governo de Goiás. O que incomoda Celina e Liliane não é o fato de Rosso ter sido “sondado” pelo governo de Agnelo e sim a possibilidade de o PSD definitivamente ocupar um ou dois ministérios na Esplanada.

Com o título de quarta maior bancada no Congresso, não tem como o PSD ficar fora da base de Dilma. Mais ainda: efetivando a aliança do bloco PSD-PSB, torna-se a terceira bancada com mais de 100 deputados. Este é o maior problema que aflige as combativas amazonas do Planalto. Ambas vieram do berço rorizista, foram eleitas com os votos dos fundamentalistas de Roriz e, de repente, terão que explicar para este eleitor que não são opositoras do PT. Rosso é apenas o biombo para este crucial dilema que martela as cabeças das jovens deputadas. Se o governo de Agnelo estivesse bem avaliado, não haveria sobressaltos junto ao eleitorado das classes C e D, eternos devedores de Roriz. Caso ocorra esta aliança no DF — possibilidade longínqua —, uma das grandes pedras no caminho de Agnelo seria automaticamente removida: deputada Eliana Pedrosa. Esta sim, tira o sono de muita gente no Palácio do Buriti.

Rogério Rosso caminhou com o Jornal Opção na terça-feira, 30, e o repórter contou 11 pessoas que o abodaram num espaço de dois blocos numa quadra. O curioso era o tipo da saudação: “Rogério, que saudades do seu governo!”. Para quem foi criticado pelos petistas, tudo indica que virou um teflon anticríticas: nada cola. Depois do café, Rogério Rosso retornou à sede do partido para atender uma extensa agenda de compromissos. “Não tenho ambições por cargos. Minha vida pública é direcionada para construir o bem comum, tan­to para os menos favorecidos quan­to os grandes empreendedores. Este sim, será o maior legado que vou deixar para meus filhos e minha família.”

O currículo de Rosso avaliza suas palavras. Depois de conquistar elevados postos executivos em empresas multinacional e na gestão pública, não pode ser avaliado como um pirata da política: como se fosse caolho e com uma perna de pau assombrando aliados
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(jornalista Wilson Silvestre)
Jornal Opção, Goiânia, Domingo 4 de novembro de 2012.

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