Bebê foi
transferido na noite desta quarta e morreu duas horas depois.
Criança
sofreu 7 paradas cardíacas à espera de vaga e mais 3 em UTI.
Do G1 DF
Morreu
na madrugada desta quinta-feira (21) o bebê de três meses que aguardava por um
leito na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) da rede pública do Distrito Federal. Segundo a família, a criança conseguiu ser
transferida somente na noite desta quarta, após quatro dias de espera. Enquanto
aguardava por um leito de UTI, o bebê sofreu sete paradas cardíacas e, após a
transferência, mais três, segundo a família da criança.
O
bebê deu entrada no Hospital de Planaltina com pneumonia na noite de sábado
(16). Apesar de uma determinação da Justiça para internação da criança na UTI,
a Secretaria de Saúde informou que não haviam vagas disponíveis. Apesar disso,
segundo a pasta, a criança estava recebendo todo o atendimento necessário e
teria prioridade para ser transferido.
No
fim da tarde desta quarta, a família foi informada de que havia surgido um
leito no Hospital de Taguatinga, mas a criança só foi transferida às 22h. Por
volta de meia-noite, o bebê morreu.
A
avó Denise Sevilha disse acreditar que, se não fosse a demora em conseguir um
leito, o bebê teria tido mais chances de lutar contra a doença. “Transferido
ele foi, mas já atrasado, já não estava mais em tempo. Desde a segunda-feira
que os médicos diziam que ele estava muito, muito grave. A médica já tinha
falado que se passasse de ontem, ele não sobreviveria. Durante a tarde ele deu
uma parada cardíaca e continuou roxinho, estava todo geladinho o corpo. A gente
imagina que ele já tinha falecido, mas eles [médicos] disseram que não.”
“A
gente acha que se ele tivessem tomado um providência mais cedo, ele teria
sobrevivido. Ele não sobreviveu porque estava sofrendo muito, muito, muito
mesmo. Pense numa criança que sofreu para sobreviver, foi ele", diz
Denise.
"Ele
inchou muito, estava com o corpinho todo furado porque não encontravam veia
nele. Furaram demais, nas perninhas, nos braços, ele ficou todo roxinho. A
testinha dele, a cabecinha estava toda roxinha, ele não estava mais fazendo
xixi, a barriguinha estava imensa de grande. Foi muito sofrimento.”
Segundo
a Secretaria de Saúde, a rede pública tem 432 leitos de UTI. Em 2010, eram 206.
Transferido ele foi, mas já atrasado, já não estava
mais em tempo. Desde a segunda-feira que os médicos diziam que ele estava
muito, muito grave. A médica já tinha falado que se passasse de ontem, ele não
sobreviveria."
Denise Sevilha, avó da criança

