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Tempo do horário eleitoral pode até atrapalhar

Nem sempre quem tem mais minutos na TV e no rádio consegue atingir objetivo de ganhar votos

Na batalha do horário eleitoral gratuito, quem tem mais tempo sai em vantagem. Entretanto, para especialistas, quantidade não significa qualidade. Um programa longo, avaliam marqueteiros e consultores políticos, corre forte risco de se tornar repetitivo e levar o eleitor ao cansaço e ao desinteresse.

“Tecnicamente, é preciso repetir uma mensagem para fixá-la na memória do eleitor. Porém, isso pode ser feito mudando a apresentação. Por técnica, o objetivo principal de uma campanha é levar a mesma mensagem, para que o eleitor forme o posicionamento desejado. Mesmo assim, ela deve ser transmitida de maneiras diferentes por canais diversos”, explica o consultor estratégico Alexandre Bandeira.

O especialista avalia que não basta ter muito tempo, se não houver conteúdo e qualidade. Para ele, a larga exposição pode resultar no efeito contrário. “Rrádio e TV, se bem usados podem definir a campanha. Por isso os marqueteiros direcionam boa parte de seus orçamentos para tais atividades”, avalia.

Pouco espaço
No caso dos candidatos dos partidos nanicos, que se apresentam em poucos minutos ou até mesmo segundos, as estratégias de marketing são preciosas. “Melhor do que colocar o candidato fazendo um discurso na TV, é colocar os contextos desse discurso e estruturá-lo em um clipe que utiliza a música e imagens que gerem maior impacto do que o simples discurso. Para o rádio, a mesma coisa sem as imagens, predominando o jingle”, indica Alexandre.

O exemplo de um candidato nanico que conseguiu ficar na memória dos brasileiros, lembra, é o falecido deputado federal Enéas Carneiro, eleito em 2002 com 1,57 milhão de votos. Por isso é cuidado na hora de utilizar bordões e imagens engraçadas para não ridicularizar os candidatos. “Muitos tentam ir nessa linha e poucos conseguem êxito. A maioria vai parar nos registros humorísticos, mostrando a fase escabrosa do programa eleitoral”, completa.

Tem que saber aproveitar
Para o professor da Universidade de Brasília (UnB) Fábio Iglesias, a discussão em torno do tempo para a propaganda eleitoral na TV e no rádio depende de como cada eleitor receberá as mensagens. “É um debate que chega a muitas conclusões. Para os candidatos majoritários, sim, pode sobrar tempo para mostrar suas propostas. Aí, eles apelam para a repetição. Entretanto, isso também é uma estratégia e pode não ser ruim. A repetição deixa aquilo na sua cabeça. Então, não é uma ideia desvantajosa”, avalia.

Já os candidatos nanicos precisam saber aproveitar o pouco tempo. “Neste caso, eles têm que usar recurso persuasivo imediato. Eles não conseguem, com o curto tempo, mostrar suas propostas de campanha, aí entram outros recursos, como imagens ao lado de figuras importantes, frases curtas que ficam na cabeça do eleitor, fotos com famosos. É um discurso mais apelativo mesmo”, afirma.

Mas para Iglesias, é preciso cuidado na hora de apelar para o humor nas propagandas eleitorais. “Enéas foi muito hábil no curtíssimo espaço de tempo que tinha na rádio e na TV. O interessante ali é que não era só a frase, mas a figura como um todo: um senhor careca, barbudo, de óculos, que falava de maneira enérgica: “Meu nome é Enéas”. Mas isso não é regra. Às vezes, o candidato quer ser engraçado, por ter pouco tempo, e acaba caindo no ridículo”.

O cientista político João Paulo Peixoto, também da UnB, duvida dos efeitos do horário eleitoral. Segundo o professor, apesar de ser vista como a “menina dos olhos dos marqueteiros”, a televisão não define as eleições, muito menos o rádio. “Ele pode até empobrecer o debate entre os candidatos, mas não é o fator definitivo. Tem gente que vai votar no candidato da sua rua e essa pessoa pode ter segundos na TV”, diz.

Saiba Mais
Há exemplos históricos de candidatos que fracassaram embora tivessem mais tempo de TV e rádio. Os casos mais conhecidos são os da primeira eleição presidencial direta, em que o ex-vice Aureliano Chaves e o deputado Ulysses Guimarães contavam com mais tempo do que todos os demais juntos. Aureliano amargou o 9º lugar e Ulysses o 7º. Collor, o vencedor, tinha pouco tempo.

Entre os presidenciáveis deste ano, Dilma Rousseff (PT), candidata oficial, tem 11 minutos e 24 segundos;  Aécio Neves, do PSDB, tem 4 minutos e 35 segundos; Marina Silva (PSB), substituta de Eduardo Campos, tem 2 minutos e 3 segundos; o Pastor Everaldo (PSC), 1 minuto e 8 segundos; os outros 5 minutos todos juntos.
 Fonte: Da redação do Jornal de Brasília - Carla Rodrigues 

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