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  • terça-feira, 12 de junho de 2018

    ELEIÇÕES » Jofran Frejat cobra definição de Joe Valle - "Eles precisam dizer eu quero participar, eu quero entrar"


    Jofran Frejat cobra definição de Joe Valle – Frejat em entrevista ao programa CB.Poder: "Eles precisam dizer eu quero participar, eu quero entrar"

    Pré-candidato a governador, o ex-secretário de Saúde quer uma posição definitiva do presidente da Câmara Legislativa e demais pedetistas para construir uma chapa. Alberto Fraga (DEM) e o ex-vice-governador Paulo Octávio (PP) disputam vagas

    *Por Ana Viriato

    Após meses de negociações monótonas com o presidente da Câmara Legislativa e aspirante ao Senado, Joe Valle (PDT), o pré-candidato ao Palácio do Buriti Jofran Frejat (PR) cobrou uma posição incisiva do parlamentar e demais pedetistas na corrida eleitoral. “Eles precisam dizer ‘eu quero participar’, ‘eu quero entrar’. Porque, se não for assim, não tem como avançar nas conversas”, afirmou, ontem, em entrevista ao programa CB.Poder, uma parceria entre o Correio e a TV Brasília. 

    Na visão de Frejat, a iniciativa é necessária para a negociação do espaço na chapa, cujas vagas à disputa ao Legislativo estão ocupadas pelo deputado federal Alberto Fraga (DEM) e pelo ex-vice-governador Paulo Octávio (PP).
    O gesto ainda comprovaria a “carta branca” que Joe Valle diz ter para a articulação de coligações, clareando o cenário pela disputa ao GDF. O pedetista afirma que, a despeito da aproximação nacional entre a legenda e o PSB, do governador Rodrigo Rollemberg, tem liberdade para fechar as parcerias que considere favoráveis à sigla na capital. “A expressão de Ciro é de que ‘o PSB era a chave para o entendimento da candidatura dele’. Resta saber se cabe na fechadura. Algumas pessoas do PDT já manifestaram interesse em compor conosco”, apontou Frejat.
    Joe Valle alega uma tendência em fechar acordo com o grupo de Frejat, mas diz ser possível uma guinada rumo ao PSB

    Apesar da afinidade entre Joe e o ex-secretário de Saúde do DF, o esforço pela união não alcança unanimidade nos respectivos grupos. Parte dos pedetistas rejeita a aliança, porque, conforme ressaltam, seria difícil explicar ao eleitorado uma dobradinha ao Senado ao lado de Alberto Fraga, cujo posicionamento ideológico vai na contramão da história do partido. Na chapa do ex-secretário de Saúde, os dois pré-candidatos ao Legislativo não assumem, por ora, a possibilidade de abrir mão das vagas.

    Para reafirmar a pré-candidatura de Fraga, o DEM lançará, sexta-feira, o nome do deputado ao Senado. O ato vai ocorrer em um jantar, no Clube de Oficiais da Polícia Militar do Distrito Federal. “Retirar a minha candidatura está fora de cogitação. Se ele (Joe) vier, será sem a garantia de uma vaga”, pontuou o parlamentar.

    O ex-vice-governador Paulo Octávio afirmou que não pretende desistir da cadeira, mesmo porque “a candidatura foi colocada pelo partido”. “Continuo firme. Entendo que política é conversa e entendimento. Mas esta é uma decisão que vai além de mim. O PP não ficará sem uma posição majoritária”, disse. Nos bastidores, especula-se a desistência do empresário, que concorreria sub judice, pois renunciou ao mandato de governador à época da Caixa de Pandora e, com base na legislação, pode ter o registro negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com o recuo, o PP ficaria com a vaga de vice da chapa, abrindo espaço para Joe Valle.

    Prazo pedetista
    A decisão sobre o rumo do PDT na corrida eleitoral deve ser comunicada na sexta-feira, prazo estipulado pelo próprio partido. Ainda assim, o gesto será apenas preliminar, posto que as coalizões são fechadas durante as convenções partidárias, previstas para o período entre 20 de julho e 5 de agosto. Ademais, no fim das contas, as definições nacionais podem respingar nos acordos estaduais, mudando o jogo.

    Ao Correio, Joe Valle alegou existir uma tendência em fechar acordo com o grupo de Frejat. Mas destacou não ser impossível uma guinada rumo ao PSB. “A nossa meta é que haja a construção de uma decisão harmônica de partido, sem nenhuma ruptura. O (presidente do PDT, Carlos) Lupi está coordenando isso e levamos em conta as questões nacionais”, comentou. Sobre uma aliança com o PSB de Rollemberg, disse que “em política, tudo é possível”. Contudo, para ele, “a lógica com que tudo foi construído, deixou muito a desejar”. Segundo o distrital, “é preciso haver um gesto”.

    Até então, a aliança com Rollemberg é motivo de resistência entre pedetistas. O partido desembarcou da base aliada ao governador em outubro último e declarou independência. À época, os correligionários alegaram que não se sentiam “pertencentes e participantes da gestão”. O pré-candidato ao Planalto Ciro Gomes, entretanto, sempre demonstrou manter uma relação amistosa com o chefe do Palácio do Buriti. Em meio aos impasses, há quem defenda, até mesmo, a candidatura avulsa de Joe ao Senado, como pretende fazer o ex-boxeador Popó na Bahia.

    Segundo turno
    Em entrevista ao CB.Poder, Jofran Frejat criticou a pulverização de candidaturas de direita. Se as eleições fossem hoje, seis nomes concorreriam neste campo: Alexandre Guerra (Novo), Alírio Neto (PTB), Eliana Pedrosa (Pros), Izalci Lucas (PSDB), Paulo Chagas (PRP), e o próprio ex-secretário de Saúde. “Se começar a dividir e a apresentar vários candidatos, a tendência é haver segundo turno. No segundo turno, fatalmente haverá negociação. Quem tiver a caneta e o poder na mão vai ter uma facilidade muito maior de negociar do que quem estiver fora”, argumentou. Ele garantiu que ainda não desistiu de firmar aliança com alguns destes nomes.

    Para o postulante ao Buriti, a composição deveria ser prioridade neste momento, em vez da divisão de cargos.“O objetivo é compor para fazer um governo de coalizão, com todo mundo discutindo e, não, ficar fatiando e negociando. A ideia é termos apoio na Câmara Legislativa, na Câmara Federal e no próprio Senado de gente que esteja compondo porque Brasília não aguenta mais esse tipo de separação”, finalizou.

    Calendário eleitoral
    »7 de abril: Data-limite para a desincompatibilização de cargos e filiação partidária
    »20 de julho a 5 de agosto de 2018: Período em que os partidos estão autorizados a promover convenções para a definição dos candidatos
    »15 de agosto de 2018: Fim do prazo para partidos políticos e coligações registrarem candidaturas
    »16 de agosto de 2018: Início da propaganda eleitoral
    »26 de agosto de 2018: Começa a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão
    »29 de setembro de 2018: Fim da propaganda eleitoral gratuita veiculada no rádio e na televisão
    »30 de setembro de 2018: Termina o período de exibição de propaganda eleitoral paga
    »7 de outubro de 2018: Primeiro turno das eleições

    O jogo
    Apesar da indefinição do cenário nacional, o PDT classifica como mais prováveis dois caminhos:

    »Ao lado de Rodrigo Rollemberg
    Caso PDT e PSB fechem aliança a nível nacional, é improvável que a coalizão não se repita no DF. Isso porque, em troca do suporte à campanha do presidenciável pedetista Ciro Gomes, socialistas pedem apoio aos candidatos a governos estaduais, como Rollemberg. Contudo, a possibilidade, dizem integrantes do alto escalão do PDT, faria muitos nomes do partido desistirem de concorrer. Para eles, seria incoerente deixar a base governista e, às vésperas da eleição, restabelecer a parceria entre as siglas.

    »Ao lado de Jofran Frejat
    Um dos fatores condicionantes para a aliança é a garantia de um palanque eleitoral a Ciro Gomes. Frejat pode garanti-lo aos pedetistas em duas situações: caso o PR libere as Executivas Regionais para os acordos que considerarem benéficos ou a sigla apoie o presidenciável a nível nacional.

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    (*) Ana Viriato – Fotos: Ed Alves/CB/D.A.Press – Correio Braziliense







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