A Organização das Nações Unidas completará 80 anos em
24 de outubro. Criada em 1945, logo após a Segunda Guerra Mundial, nasceu com a
missão de ser o grande fórum de mediação entre os povos, o escudo diplomático
contra novos conflitos globais. Oito décadas depois, no entanto, o que se vê é
uma instituição envelhecida, enfraquecida e cada vez mais desacreditada. Não
são poucos os líderes, de diferentes espectros ideológicos, que hoje fazem
severas críticas ao organismo multilateral. Da direita à esquerda, há consenso
em um ponto: a ONU já não exerce o prestígio e a autoridade que teve no
passado. Pior: em muitos episódios recentes, demonstrou uma inoperância que
beira a irrelevância.
Um dos exemplos mais gritantes talvez tenha sido antes
e durante a pandemia de Covid-19. A Organização Mundial da Saúde, braço da ONU,
revelou-se submissa a pressões políticas e interesses externos, sobretudo da
poderosa indústria de medicamentos. Longe de liderar uma resposta global,
assistiu ao surgimento de um cenário desigual, em que países ricos
monopolizaram vacinas e insumos, enquanto nações pobres ficaram à margem. O
discurso de solidariedade global não passou de retórica.
Outro caso emblemático é a guerra da Rússia contra a
Ucrânia. Desde 2022, o Conselho de Segurança se vê paralisado pelo veto de seus
membros permanentes, incapaz de tomar decisões concretas. A ONU assiste de
braços cruzados a uma guerra prolongada, que ceifou milhares de vidas, deslocou
milhões de pessoas e abala o equilíbrio internacional. A mesma paralisia já
havia sido registrada na guerra civil da Síria e no conflito do Iêmen,
evidenciando a fragilidade estrutural do sistema multilateral. O problema, porém,
vai além da incapacidade técnica.
Cresce a percepção de que a ONU está sendo corroída
por dentro. Em vez de neutralidade diplomática, o que se vê é a promoção
insistente de pautas que minam a soberania dos Estados: imigração irrestrita,
governança climática centralizada, uniformização cultural e social. São
diretrizes apresentadas como consensos universais, mas que escondem a tentativa
de enfraquecer autonomias nacionais em favor de uma elite transnacional pouco
transparente. É nesse ponto que muitos governantes têm perdido a paciência. A ONU
não consegue conter guerras, não consegue garantir segurança coletiva, mas
empenha-se em impor um projeto de centralização política global. Tal desvio de
função explica por que cresce o coro dos que defendem seu fim. Ainda assim, o
vácuo seria perigoso. Um mundo sem ONU mergulharia na lei da força, sem
qualquer fórum de mediação, por mais limitado que este seja. A alternativa,
portanto, não é extinguir a Organização, mas reformá-la radicalmente. É preciso
devolver-lhe neutralidade e resgatar seu propósito original: ser guardiã da
paz, não agente de agendas políticas disfarçadas. Aos 80 anos, a ONU é uma
senhora cansada, mas ainda necessária. O desafio é resgatá-la antes que se
transforme apenas em palco de discursos vazios ou, pior, em ferramenta de projetos
que nada têm a ver com os interesses dos povos que um dia prometeu proteger.
Os Estados Unidos que sempre foram os maiores
financiadores desse organismo, já não enxergam como o mesmo entusiasmo a
atuação da ONU. Na abertura da 79ª Assembleia Geral, no último dia 24 de
setembro o ritual de reclamações se repetiu. A chegada do presidente americano
ao evento foi marcado por um fato inusitado. Tanto ele como sua esposa, ficaram
parados a meio caminho, quando a escada rolante que conduzia ao auditório
parou, sem maiores explicações. Também o teleprompter que deveria servir de
guia para o discurso de Trump, simplesmente deixou de funcionar. Muitos dizem
que ambos os acontecimentos foram de clara sabotagem ao americano, que não
esconde seu desânimo com a atuação da ONU. Em tom de ironia Trump agradeceu a
ONU por essas falhas, que para ele endossam os argumento de todos aqueles que
acreditam que esse organismo precisa ser urgentemente repensado.





