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  • terça-feira, 15 de setembro de 2015

    Cego no tiroteio

    A notícia que ocupou a mídia no fim de semana foi a reunião ministerial que traçaria os rumos a serem tomados pela economia. O decidido nos encontros de sábado e domingo seria anunciado, como foi, na segunda-feira. É preocupante. Não se tratava de decidir o destino de uma viagem de férias ou o prato a ser servido na festa de aniversário de um membro da família. Tratava-se de dar respostas eficazes para a crise político-econômica que vem sendo tratada de forma errática.

    É conhecida a ojeriza nacional ao planejamento. O brasileiro confia mais na criatividade que na ponderação de fatores aptos a levar à melhor escolha. Deixa para amanhã o que podia ter sido feito há semanas ou meses. Se possível, para depois de amanhã. Chegada a 25ª hora, a urgência impõe uma decisão. Aí, como diz o Gato em Alice no país das maravilhas, “para quem não sabe aonde vai qualquer caminho serve”.

    A frase caracteriza o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Nove meses se passaram sem que tenha sido apresentado plano de governo consistente. O exibido na campanha eleitoral mirava outra nação. Mostrou país cuja tônica era a prosperidade, com os indicadores aptos a servir de modelo para Dinamarca, Suécia ou Alemanha. Educação, saúde, segurança, mobilidade — tudo atendia a expectativa do povo. O irrealismo, embalado para presente, perdeu o encanto antes da posse.

    Despida da falsidade marqueteira, a verdade se apresentou, não mais como farsa, mas como tragédia. O Produto Interno Bruto (PIB) encolhe, a inflação se aproxima dos dois dígitos, o desemprego se acelera, a renda despenca, o dólar dispara, a dívida pública avança para 70% do PIB, o apoio parlamentar do Planalto se corrói, a corrupção toma dimensões jamais vistas, o pessimismo se amplia entre empresários, investidores e consumidores. A resposta ao quadro devastador — que se agravava (e se agrava) dia após dia — pode ser caracterizada com a expressão popular “perdido como cego em tiroteio”.

    Irresponsabilidade talvez seja a palavra mais adequada. A falta de seriedade atingiu nível inaceitável no envio ao Congresso do projeto do Orçamento com deficit. Embora com conhecimento do risco que corria, o Executivo não hesitou em encaminhar a medida com o rombo de R$ 30,5 bilhões. A consequência, prevista pelo ministro Levy, não tardou. A Standard and Poor’s rebaixou o Brasil. De país sério, digno da confiança dos investidores, passou a integrar o time dos irresponsáveis.

    As medidas anunciadas ontem pela equipe econômica para aumentar a receita dependem, em grande parte, de aprovação no Congresso. Será que, com o minguado apoio do governo no Legislativo, as propostas serão aprovadas? Vale lembrar que criação de imposto exige obediência à anualidade. Para a cobrança ser efetuada em 2016, precisa da aprovação em 2015. Há pouco tempo para negociar. Sem combinar com os russos, como diria Garrincha, as iniciativas contam com o ovo ainda na barriga da galinha.



    Fonte: “Visão” do Correio Braziliense – Foto/Ilustração-Google-Blog

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