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  • domingo, 23 de abril de 2017

    Projeto de R$ 6 milhões promete reformular Biblioteca Demonstrativa (BDB)

    Prevista para ser reaberta no dia 20 de novembro deste ano, a “nova” BDB promete ter parede de vidro, sala de informática e Sala de informática, paredes de vídeo, área destinada às crianças, local de estudos, auditório e cozinha. Essas são algumas das novidades inseridas no novo projeto da Biblioteca Demonstrativa Maria da Conceição Moreira Salles (BDB), que deve reabrir as portas ao público geral em 20 de novembro, data em que se comemora os 47 anos do espaço.

    De acordo com Cristian Brayner, responsável por comandar o Departamento de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (DLLLB) do Ministério da Cultura (MinC), setor destinado a cuidar da Biblioteca Demonstrativa, o projeto está orçado em cerca de R$ 6 milhões e promete reconstruir o espaço.
    “A ideia é transformar a BDB num modelo de biblioteca para ser replicado em todo o país, tanto em cidades do interior quanto em áreas da periferia. Para isso, nos inspiramos em espaços de sucesso na Europa, que tiveram como objetivo a formação de um público leitor em suas regiões”, explicou.
    Novidades
    Por isso, as obras para a “nova” biblioteca, que passou a ser chamada de “midiateca” pelo MinC, vão derrubar todas as paredes do espaço, mantendo de pé apenas a fachada da BDB.
    "Os problemas estruturais encontrados pelos Bombeiros no passado já foram resolvidos, mas acreditamos que seria uma desonestidade com os brasilienses entregar o espaço como ele está"
    (Cristian Brayner)

    Assim, o lugar ganhará paredes de vidro, sala de informática, duas áreas para abrigar o acervo de 100 mil livros da instituição, área externa para leitores fumantes, cozinha (com microondas e máquina de café), salas de estudos privadas, auditório, sala de aula, gibiteca, espaço infantil (com sofás e tapetes coloridos) e escritório de direitos autorais.
    Enquanto a BDB não é reinaugurada, o acervo bibliográfico e o escritório de direitos autorais serão deslocados a outro espaço da cidade. O mobiliário antigo será desfeito e um novo vai compor a biblioteca.
    Descaso
    O projeto empolga, mas o histórico da BDB permite desconfiar do discurso institucional. Prometida desde sua abertura, em 1970, para servir de modelo ao país, a biblioteca tornou-se um dos símbolos do descaso do poder público na área cultural.
    Fechada desde maio de 2014, por conta de problemas elétricos e estruturais, a BDB coleciona uma série de promessas de reaberturas que nunca se cumpriram. Em março de 2016, por exemplo, o MinC havia dito que o local seria entregue no segundo semestre do mesmo ano. Como se sabe, nada aconteceu.
    Até mesmo a gestão atual errou na escolha de datas. Em janeiro de 2017, o MinC afirmou que o espaço seria reaberto em outubro deste ano. Porém, devido à complexidade das obras, o órgão adiou, por enquanto, a reinauguração em um mês.

    Por Paulo Lannes – Foto Giovanna Bembom - Metrópoles

    Por uma Universidade de Brasília


    *Por Márcia Abrahão Moura

    A Universidade de Brasília nasceu praticamente com a capital. A cidade ainda era um grande canteiro de obras quando, em 21 abril de 1962, o antropólogo Darcy Ribeiro, nosso primeiro reitor, inaugurou as atividades no câmpus da Asa Norte. Gerações de estudantes, docentes e técnicos dedicaram esforços, nos últimos 55 anos, para a construção do que hoje é a UnB, uma das 10 maiores instituições de ensino superior do Brasil e uma das melhores da América Latina.

    Com quatro câmpus consolidados no Distrito Federal e diversas atividades ligadas ao ensino, à pesquisa e à extensão, a UnB tem, em seu DNA, o espírito inquieto, corajoso e transformador de seus fundadores. É chegada a hora de resgatar essa vocação e tornar a UnB, mais uma vez, uma universidade pulsante e, efetivamente, patrimônio de Brasília.

    Esse é o desafio que nos inspira desde que assumimos a gestão, no fim do ano passado. Um de nossos principais compromissos é promover a reinserção da Universidade nos debates de relevância para a sociedade. Temos, hoje, 2,6 mil professores, 3,2 mil técnicos e 47 mil alunos, que representam valiosos recursos humanos. Quantas boas ideias, soluções criativas, análises inusitadas não surgem diariamente dessa multidão que compõe a comunidade universitária?

    Foi a partir dessa perspectiva que realizamos algumas importantes discussões nos últimos meses. Temas como a PEC do teto de gastos, a segurança nos câmpus, abordada sob uma ótica de gênero, e a crise hídrica estiveram em debate, com a participação de representantes das comunidades interna e externa. Pretendemos repetir periodicamente esse tipo de encontro. A posição geográfica da UnB, na capital do país, local que serve de vitrine para dezenas de outras nações, também permite o fortalecimento dessa vocação de palco para o debate público.

    Sabemos, contudo, que é preciso mais para aproximar a instituição da realidade que a cerca. Nesse sentido, outra medida foi a criação do Decanato de Pesquisa e Inovação. Incorporando o Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT) da Universidade, um órgão que já dialoga com a iniciativa privada, o novo decanato trabalha para a promoção de uma troca constante com o setor produtivo. Esperamos, assim, ampliar a contrapartida que a instituição oferece à sociedade, em forma de conhecimento, tecnologia e inovação.

    Ainda nesse rol de ações para levar a UnB para fora de seus muros, estamos relançando a revista Darcy, publicação de jornalismo científico e cultural da universidade. Darcy reunirá, em uma linguagem clara, objetiva e didática, informações sobre a ciência produzida na instituição. A revista, idealizada e nascida em 2009, mas interrompida nos últimos três anos, ressurge para levar o nosso trabalho de forma mais efetiva aos que o sustentam e aos que dele podem se beneficiar.

    Como pano de fundo dessas medidas, está o compromisso com a melhoria da qualidade acadêmica. Fruto de um projeto ousado, a UnB precisa voltar a brilhar entre as grandes universidades. Para que isso se concretize, estamos investindo na melhoria das condições de trabalho do corpo docente e técnico. Essa estratégia inclui o estímulo à renovação das práticas pedagógicas, de forma a enfrentar as rápidas mudanças e os complexos desafios postos pela sociedade contemporânea.

    Outra necessidade é o acompanhamento mais cuidadoso do desempenho dos estudantes. Se, por um lado, nos esforçamos para garantir equidade de acesso — aumentamos a quantidade de cursos noturnos e, desde o ano passado, 50% das vagas são preenchidas por jovens oriundos da rede pública de ensino — por outro, ainda nos falta dar melhores condições para que todos os estudantes concluam, com êxito, os seus cursos. Reduzir a evasão, problema comum a muitas instituições de ensino superior, é uma das nossas tarefas.

    Honrar todos esses compromissos, em um cenário de crise econômica e de cortes, exige criatividade. O orçamento para custeio e para investimentos está aproximadamente 45% menor do que em 2016 — e, embora tenhamos fontes próprias de arrecadação, somos impedidos de usar grande parte desses recursos devido aos limites do teto orçamentário. Estamos em diálogo constante com autoridades e com outras instituições que enfrentam o mesmo problema, apontando a necessidade de rever esse tipo de restrição no atual momento econômico.

    Enquanto isso não acontece, nos esforçamos para otimizar processos, reduzir o excesso de burocracia, o desperdício e aproveitar melhor nossos recursos humanos e materiais. Hoje, quando a universidade chega aos 55 anos, completados na sexta-feira, nosso maior desejo é que a UnB seja cada vez mais motivo de orgulho da comunidade interna e da sociedade. E que continue cumprindo a missão de ser uma grande universidade, no coração do Brasil e com o olhar para o mundo.

    (*) Márcia Abrahão Moura - Reitora da Universidade de Brasília (UnB) – Fonte Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google

    João de Deus e os 2 Franciscos


    *Por Ana Dubeux

    Antes de começar nossa conversa deste domingo, vai lá no canal do Correio no YouTube ou entra no nosso site e clica no vídeo do Chiquinho do Cedoc. (veja os vídeos) Para ser mais exata: Chico Lima Filho, há três décadas neste jornal, deu um depoimento sobre suas lembranças cuidando das memórias de Brasília, impressas no Correio Braziliense, para celebrar este aniversário conjunto de 57 anos. Por que eu acho que você deve assistir? Porque é bom se emocionar. E Chiquinho emociona, o Correio emociona e Brasília emociona.
    Brasília é uma cidade que, como todas as outras, faz parte da história de muita gente. Mas tem uma peculiaridade: jovem que é, muita gente é protagonista da história de Brasília. Herdeiros de mestres, como Juscelino Kubitschek, Oscar Niemeyer, Athos Bulcão e Lucio Costa, são pioneiros, empreendedores, artistas, intelectuais, servidores públicos, profissionais, jovens e crianças que assumiram o sonho de transformar uma capital inventada em realidade. A cada dia, escrevem um capítulo da cidade que alcançou tamanho e problemas de metrópole.

    Como contemporâneo, nascido na mesma data, o Correio ajuda nessa biografia. Conta a trajetória das pessoas, mostra as novidades, resgata o passado e eterniza nas páginas e na web a história da capital. Nosso Chiquinho do Cedoc é testemunha e protagonista dessa simbiose. Acompanhou e arquivou cada momento importante. Recuperou e ainda recupera, a pedido de tantos leitores e da redação, cada pedacinho de notícia de gente, de cerrado, de passado, de presente.

    É preciso ter orgulho de ser guardião de Brasília. O Correio tem. Tenho certeza disso a cada aniversário da cidade e do jornal, quando renovamos um compromisso. Cada suplemento especial e cada homenagem feita à capital é também um reconhecimento. Na quinta-feira, em conversa com o médium João de Deus, ele lembrou a importância do Correio para Brasília e para tantos que daqui tiram sustento e inspiração. Ele mesmo se diz grato. “Devo muito do que sou ao Correio”, repete sempre que pode. Ao lado de outro Francisco, o Severino, fomos a Abadiânia – eu, o fotógrafo Ed Alves e o motorista Romualdo Dourado – ouvir o médium falar sobre Deus, o perdão, a morte, Sérgio Moro e o amor pela capital. “Brasília é a pátria do evangelho”, disse John of God, como é conhecido internacionalmente. Severino Francisco, mestre dos mestres na arte de contar histórias sobre a capital e defensor ardoroso do Correio, saiu de lá encantado.

    Severino Francisco sempre disse que o jornal e a capital são parceiros na convivência, na posição de vanguarda, companheiros de uma mesma missão: salvaguardar o pioneirismo, preservar o título de patrimônio, eternizar a importância dessa epopeia que foi a construção de Brasília. Vida longa à capital! E que sempre possamos ser testemunhas desse sucesso.


    (*) Ana Dubeux – Editora Chefe do Correio Braziliense

    À QUEIMA-ROUPA: Júlio César Reis, presidente da Terracap

    Júlio César Reis, presidente da Terracap

    Na semana passada, o balanço da Terracap indicou que a construção do Estádio Mané Garrincha provocou um prejuízo de R$ 1,3 bilhão à empresa. É possível reverter esse quadro?
    A Terracap está se reestruturando para dar a volta por cima. A construção do estádio gerou um rombo bilionário. A empresa sempre alavancou seus empreendimentos com recursos próprios. Atualmente, estamos indo ao mercado financeiro para buscar recursos e honrar com a infraestrutura de empreendimentos lançados e vendidos em gestões passadas, quando vivíamos o auge do mercado imobiliário. Esses recursos foram utilizados no estádio. Os empréstimos servirão também para alavancar novos empreendimentos da companhia. Estamos ainda reduzindo em 30% o quadro de servidores por meio de um PDI.

    Quais empreendimentos são as apostas da empresa?
    A venda direta, principalmente de lotes dos condomínios da Etapa 2 do Setor Jardim Botânico, e a segunda etapa do Setor Noroeste, além do Trecho 2 do Taquari. No caso do Noroeste, essa etapa foi lançada pela Terracap no fim de 2013, mas a infraestrutura não foi feita. Vamos concluir essa pendência para comercializar as demais unidades das quadras 103 a 107. Parte da segunda etapa já chegou a ser vendida, mas não foi totalmente ocupada porque houve as licitações sem obras de infraestrutura. A Terracap vai honrar esse compromisso, que deveria ter sido cumprido até 2014.

    A transferência dos índios que ainda vivem no bairro está concluída?
    Temos acordo com duas das três etnias, mas estamos perto de fechar um acerto com a terceira etnia. Parte deles será transferida para a área ao lado do viveiro de mudas da Novacap, no SOF Norte, e outros pretendem voltar para o seu local de origem.

    A Terracap vai investir em parcerias para melhorar os resultados?
    A Terracap lançou recentemente o edital para a Granja do Torto. A licitação foi suspensa pelo Tribunal de Contas, mas esperamos em breve reverter isso. Temos total segurança de que os procedimentos adotados pela empresa foram adequados. Temos ainda o Biotic, que é um parque de tecnologia da informação e biotecnologia, estamos em processo de contratação do agente financeiro que vai estruturar o fundo de investimentos e distribuir os títulos.

    E a PPP do estádio? O Mané Garrincha vai deixar de ser um elefante branco?
    O projeto chamado Arenaplex engloba, além do estádio, o ginásio Nilson Nelson e o complexo aquático Cláudio Coutinho. Já recebemos o modelo de negócios da empresa que foi habilitada e estamos analisando essa documentação, para submetê-la ao Tribunal de Contas até maio. A expectativa é lançar o edital de licitação em julho. Com isso, será possível que o Mané Garrincha sirva de palco para uma maior quantidade de ventos esportivos e culturais, de maneira mais adequada.

    O que muda na gestão daqui para a frente?
    A atual gestão da Terracap e o governo estão focados na governança e na transparência. Existem diversos desafios a serem enfrentados e resolver o balanço era um deles. As contas da Terracap devem retratar a real situação da empresa, para que ela possa ser compreendida e acreditada. Com aprovação do balanço, demos um passo importante nesse sentido.


    Por: Helena Mader – Coluna “Eixo Capital” – Foto: Breno Fortes/CB/D.A.Press – Correio Braziliense

    sábado, 22 de abril de 2017

    Histórias de Brasília: "A grande corrida de inauguração"

    A festa de inauguração de Brasília foi um evento monumental que durou três dias. Além da transferência oficial dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para a nova capital, houve missa, desfiles, um grandioso baile no Palácio do Planalto e muito mais. Mas a última atração, e que seria a mais popular de todas, com ampla cobertura da imprensa nacional e internacional, foi o Grande Prêmio Juscelino Kubitschek.

    O GP foi composto por algumas corridas menores que serviram de abertura para a principal, disputada no Eixão Sul. Era um circuito em linha reta: os carros atravessam o Eixo inteiro e, no final, havia uns cavaletes sinalizando para onde dar a volta e continuar em outra reta. O vencedor da corrida foi o paulista Jean-Louis Lacerda Soares, pilotando uma lendária Ferrari Testa Rossa, que só teve 21 unidades fabricadas no mundo inteiro.   

    Como prêmio, Jean-Louis recebeu um relógio do próprio JK e, depois, em uma cerimônia na Rádio Nacional, o troféu das mãos do argentino Juan Manuel Fangio, pentacampeão de Fórmula 1 que tinha vindo para a inauguração da cidade.

    Uma curiosidade sobre a Ferrari que venceu o GP Juscelino Kubitschek. Ela foi vendida por Jean-Louis Lacerda, ainda nos anos 1960, por cerca de US$ 2 mil. Em 2009, restaurada e já uma raridade, foi leiloada por US$ 11,4 milhões.



    João Carlos Amador - Criador do Projeto Histórias de Brasília 

    sexta-feira, 21 de abril de 2017

    Pronunciamento do governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg, nesta sexta-feira (21/4), na missa em ação de graças ao aniversário de Brasília

    É com profundo agradecimento que subo aqui para agradecer em nome de todos essa celebração. Agradecer a Deus a oportunidade de estarmos reunidos neste momento, celebrando os 57 anos da nossa capital. Lembrar, que há 60 anos, isso aqui era um cerrado, e hoje nós temos uma cidade que, há 30 anos, já é reconhecida como patrimônio cultural da humanidade. Brasília é a maior demonstração da capacidade de realização do povo brasileiro. Quando nosso povo está unido consegue produzir maravilhas como Brasília, que são reconhecidas mundialmente pela sua singularidade, pela sua criatividade e pela sua diferença em relação as demais cidades do mundo. Nós estamos vivendo um momento muito singular também na história do nosso país e temos a oportunidade, nós, que somos a primeira geração de Brasília a governar esta cidade. Nós temos um grande desafio de resgatar o espírito de Brasília, o espírito dos pioneiros que vieram de todos os lugares desse país, não apenas para construir uma nova cidade, mas para construir um novo país. E temos muito que agradecer porque Brasília foi generosa com todos nós. Todos nós temos, aqui em Brasília, uma qualidade de vida melhor do que teríamos em qualquer outra cidade brasileira. E só temos uma forma de retribuir essa generosidade. É com muito trabalho e com muita dedicação, dando o melhor de nós onde quer que estejamos para construir uma cidade melhor. Tenho muita convicção que com muita fé e com muito trabalho nós vamos construir uma cidade melhor. Eu quero agradecer a todos que estão servindo ao governo de Brasília neste momento, que estão dando o melhor das suas energias, do seu trabalho, dos seus talentos, da sua competência, para construir uma cidade melhor. E temos que nos espelhar na leitura de Pedro que, com fé e com trabalho, conseguiu uma pescaria generosa. Tenho convicção que assim também será com Brasília, especialmente, olhando sempre para aqueles mais necessitados. Tenho convicção que governar é também estar permanentemente em comunhão com o povo. Agradeço a Deus tudo o que nos permitiu até este momento, mas, sobretudo, peço a sua proteção a sua inspiração, a sua sabedoria, para que todos nós estejamos à altura da nossa missão. Muito obrigada Dom Marcony a você e a todos que contribuíram para a celebração dessa missa em homenagem aos 57 anos de Brasília, e um agradecimento especial aos pioneiros que estão aqui e aos que não estão mais entre nós, mas que contribuíram muito para erguer essa cidade que é orgulho de todos os brasilienses. Muito obrigado!


    Governador Rodrigo Rollemberg

    Clube do Choro - "Orgulho de Brasília"

    Foto Renata Samarco/Divulgação - Paulinho da Viola e Reco do Bandolim


    *Por Severino Francisco

    No princípio, era a solidão espacial do descampado. Para defender-se, os brasilianos fizeram do apartamento de Raimundo de Brito, na 105 Sul, o quintal para as primeiras rodas de choro. Raimundo era um jornalista muito culto e sarcástico. As mulheres dos boêmios marcavam sob pressão e foram batizadas com a sigla Fidom — Fiscalização doméstica. Em 1967, o médico Arnoldo Velloso e o advogado Francisco de Assis, o Six, viajaram até o Rio de Janeiro para conhecer Jacob do Bandolim.

    O mestre estava prostrado em uma cama havia três meses, com um sério problema na coluna. Six era gaiato e se apresentou na condição de ginecologista. Velloso estudou na Alemanha e, com ajuda de Six, fez aplicações da técnica de terapia neural. No dia seguinte, quase que milagrosamente, Jacob levantou-se, pegou o bandolim, chamou Elizete Cardoso e tudo virou uma festa. E, assim, estabelecia-se uma conexão afetiva e musical de Jacob com Brasília.

    Quando Jacob tocava nas reuniões do sábado à tarde, no apartamento de Raimundo de Brito, as sessões se revestiam de uma sacralidade de missa, era preciso cuidado até para respirar. Jacob exigia uma reverência absoluta à música. Incentivava e cobrava. Não poderia haver mestre mais carismático e rigoroso. Jacob surpreendeu a todos ao afirmar que o citarista Avena de Castro era o seu melhor intérprete.

    Se o samba é um gênero das classes populares, o choro é de classe média; e veio para Brasília transferido com os funcionários públicos. Ao se mudar do Rio para a capital modernista, Bide da Flauta, o instrumentista preferido de Pixinguinha, resolveu comprar uma espingarda, pois os jornais cariocas diziam que havia muita onça. Mas ele não encontrou nenhuma onça; topou com Pernambuco do Pandeiro, que logo o convidou para animar as rodas de choro.

    Certa noite, Tio João travou um duelo com um morcego da Rodoviária até o Clube do Choro. Tio João se defendia com o trombone, mas o morcego contra-atacava com voos rasantes na escuridão do Eixo Monumental. Quando as rodas de choro foram transferidas para o apartamento de Odette Ernest Dias, na 311 Sul, as plantas da flautista revelaram um ouvido apuradíssimo. A audição contínua daqueles mestres fez com que as plantas vicejassem com um esplendor extraordinário.

    Com extrema lucidez, Reco do Bandolim profissionalizou o Clube do Choro e criou a Escola de Choro Rafael Rabello. Elas projetaram o choro rumo à plataforma do futuro; antes delas, o choro era “música dos velhos”. Depois, tornou-se música dos jovens. Hoje, é possível encontrar uma legião urbana de crianças e adolescentes armados com violões, cavaquinhos, bandolins e pandeiros.

    Revelou uma infinidade de talentos da música, que brilham nos palcos mais importantes do país. Na passagem dos 57 anos de Brasília, gostaria de brindar os 40 anos do Clube do Choro, endereço da boa música e endereço da educação de qualidade. É o que precisamos para construir um país melhor. O Clube do Choro é um motivo de orgulho para Brasília.


    (*) Severino Francisco – Jornalista, colunista do Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google

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