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  • sexta-feira, 18 de agosto de 2017

    O futuro do sindicalismo brasileiro


    *Por Almir Pazzianotto Pinto

    O sindicalismo pode ser definido como ação coletiva para proteger e melhorar o próprio nível de vida por parte de indivíduos que vendem a sua força de trabalho (Allen, 1968:1). Mas é difícil ir além desta definição abstrata e indeterminada, porque o sindicalismo é um fenômeno complexo e contraditório. Ele nasce, de fato, como reação à situação dos trabalhadores na indústria capitalista, mas constitui, também, uma força transformadora de toda uma sociedade.

    O parágrafo pertence ao Dicionário de Política, de Bobbio, Matteucci e Pasquino (EdunB, Brasília). Sintetiza o significado da palavra sindicalismo, exceto em relação ao Brasil, onde surgiu como resposta das classes trabalhadoras ao capitalismo selvagem das primeiras décadas do século passado, até ser submetido ao controle do governo durante o período conhecido como era Vargas (1930-1945). A intromissão do Estado na organização dos trabalhadores inicia-se em1931, até tornar-se absoluta com a aprovação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em 1º de maio de 1943. A partir daí, o movimento sindical perde forças, para se sujeitar ao rígido controle do Ministério do Trabalho.

    Vinculadas ao governo pela Constituição de 1937 e pela CLT, as organizações sindicais reagiram de forma distinta. Boa parte se apelegou e aceitou com agrado o regime de completa submissão, mas outra parcela, controlada por partidos políticos de esquerda, lutou para conservar certo grau de dignidade e independência. Durante mais de 40 anos poucos foram os movimentos grevistas e todos, duramente, reprimidos pela polícia.

    Porém, nos períodos mais repressivos, como no governo do general Dutra (1946-1950) e nos anos de regime militar (1964-1985), a sociedade civil reconheceu o relevante papel desempenhado pelo sindicalismo autêntico na defesa dos salários e de melhores condições de vida para as classes trabalhadoras. O movimento operário não é apenas uma reação a uma situação dada, uma das peças indispensáveis do equilíbrio social, é também um fator original novo que constitui, para o conjunto da sociedade, um fator de mudança, escreveu Michel Crozier (1922-2013) no Tratado de Sociologia do Trabalho (Editora Cultrix, 1973).

    Atualmente, nos países ocidentais, a função essencial dos sindicatos é a negociação coletiva, isto é, a discussão dos salários, das condições de trabalhos e, eventualmente, de todo e qualquer problema que se relacione com tais assuntos, prosseguiu o sociólogo francês, na opinião de quem o sindicato sempre supõe uma revolução contra a ordem estabelecida e a greve não é uma doença (...) na medida em que fornece aos assalariados a garantia mais segura de sua posição econômica. Não podemos subestimar a presença das organizações sindicais na história. 

    A força sempre foi fator crucial nas relações entre capital e trabalho, escreveu o historiador Edward Hallet Carr. Sem contar com a presença atuante de organizações sindicais livres, os trabalhadores estariam à mercê dos apetites da economia capitalista.

    O fim da contribuição obrigatória, provocado pela reforma trabalhista, produzirá efeitos em toda estrutura, mas não lhe provocará o desaparecimento. O primeiro consistirá na redução do número de sindicatos. Os artificiais, ou de carimbo, desaparecerão por falta de sócios, de legitimidade e de dinheiro. Sobrevirão aqueles que forem aptos a arregimentar trabalhadores e trazer os empregadores à mesa de negociações. O segundo é a aquisição de liberdade da qual estiveram privados durante o Estado Novo, o governo Dutra e o regime militar. Trata-se, todavia, de liberdade incompleta, uma vez que no art. 8º da Constituição, não obstante afirme ser livre a associação sindical ou profissional como já o fizeram as constituições de 1946 e de 1967 (Emenda nº 1/69), sobrevivem as raízes corporativo-fascista da Carta Constitucional de 1937.

    A perda de receita exigirá medidas de reestruturação das entidades. As mais afetadas serão as federações e confederações, dependentes da contribuição obrigatória. Estou convencido de que um novo mundo se descortina diante dos trabalhadores. Ao Estado de direito democrático, fundado nos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, é essencial a presença de entidades sindicais que negociem e, se necessário, recorram ao direito de greve, previsto na Constituição.


    (*) Almir Pazzianotto Pinto  - Advogado. Foi ministro do Trabalho e presidente do Tribunal Superior do Trabalho

    Zumbis que matam no trânsito

    Tenho andado espantada com uma esquisitice, em particular, dos tempos modernos: o uso do telefone celular. Há duas décadas, o aparelho era artigo de luxo para boa parte da população brasileira. Andar de ônibus portando um deles gerava reações imediatas de incredulidade: “Se tem dinheiro para celular, por que está andando de ônibus?” — era o que se comentava, à boca miúda, sobre  quem tagarelava no “tijolão”.

    Desde a década de 1970, quando foi criado, o tamanho, o peso e, principalmente, o custo caíram bastante. Ampliou-se o acesso, e o tal aparelho revolucionou a maneira como as pessoas se comunicam. De repente, virou ferramenta de trabalho. E a demanda não é só por chamadas, mas por aplicativos de fotos, acesso à internet, mensagens instantâneas e tantos outros recursos que aproximam os usuários e, paradoxalmente, criam um distanciamento sem fim entre eles.

    Nascia uma geração de zumbis. Gente que vive com a cara enfiada na tela do celular e passa a maior parte do tempo num limbo, imaginando estar com centenas (?) de amigos, quando, na verdade, não está nem lá nem cá e vive longe de todo mundo. A cena se repete na mesa do restaurante, no happy hour, nos encontros de família e no cinema. Tão perto e tão longe.

    A dependência do aparelho, no entanto, não afeta somente as relações interpessoais. Ela provoca centenas de mortes no Brasil e no mundo quando os usuários assumem o volante e acreditam serem capazes de digitar mensagens, navegar nas redes sociais, fazer selfie e enviar imagens. Em alguns países da Europa e em parte dos Estados Unidos, as mortes no trânsito provocadas pelas distrações ao usar o celular são consideradas uma epidemia.

    Para conter o uso, alguns países têm veiculado vídeos com imagens reais de acidentes de trânsito. Recentemente, assisti a dois. Na verdade, um e meio. Jovens em uma sala relatam em que situações usam o celular ao volante e sorriem. Até que entra uma jovem com sequelas de um acidente provocado por um motorista distraído ao telefone. Na colisão, os pais dela morreram. Depois de ouvir a história, eles são convidados a olhar nos olhos da sobrevivente e repetir os motivos pelos quais dirigem falando ao telefone. O constrangimento é visível. Alguns não conseguem e choram.

    O outro vídeo começa engraçado, com as pessoas andando e teclando, batendo a cabeça nas placas de sinalização. E evolui para os acidentes, cada um mais brutal do que o outro. Não consegui terminar de assistir. É ainda mais assustador quando, nas ruas, a cena é protagonizada por jovens e velhos motoristas. Certamente, os mesmos zumbis dos bares, restaurantes e encontros familiares que parecem ter perdido a capacidade da comunicação presencial — com afeto, olho no olho, abraço, cara feia e choro de verdade, em vez de emoticons.

    Por Adriana Bernardes – Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google

    quinta-feira, 17 de agosto de 2017

    HOSPITAL DE BASE » Mudança para acelerar transição

    "O hospital não pode parar. Esse é um carro que estamos trocando o pneu com ele andando" – (Ismael Alexandrino Júnior, secretário adjunto de Gestão em Saúde e novo diretor-geral do Hospital de Base do DF)

    *Por Otávio Augusto

    O secretário adjunto de Gestão em Saúde acumula funções e assume a direção-geral da maior unidade de saúde do Distrito Federal. Medida serve para facilitar o trabalho da equipe de transição que assumirá o Instituto Hospital de Base

    A equipe de transição do Instituto Hospital de Base começará a trabalhar em alguns dias. Até o fim do mês, o Executivo local deve criar o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) para a implementação do conselho de 11 pessoas que vai gerir a unidade médica, de forma indireta, a partir do próximo ano. Ontem, o grupo que fará a mudança ganhou um reforço substancial. Agora, o secretário adjunto de Gestão em Saúde, Ismael Alexandrino Júnior, assume o cargo de diretor-geral do hospital. A troca, segundo o governo, é para facilitar processos burocráticos, o que gerou críticas de sindicatos.

    Logo nas primeiras horas do dia, Ismael se reuniu com gestores do Hospital de Base. Ele coordenou o processo de elaboração e implantação do Instituto, uma aposta do secretário de Saúde, Humberto Fonseca, para melhorar os serviços da unidade. Além disso, a pasta quitou, na noite anterior, dois meses de horas extras atrasadas. Ismael também visitou alguns setores e conversou com servidores. “A ideia não é ser um diretor-tampão. Vamos trabalhar para a transição ocorrer sem choques. Cobrei dos gestores as principais demandas para termos prioridades”, destaca Ismael.

    O cargo é estratégico, uma vez que ele é chefe de todos os subsecretários na função de secretário adjunto de Gestão em Saúde. “Reuni-me com a antiga gestão para trabalharmos nesse processo”, explica. O endocrinologista Júlio César completaria um ano como diretor do Hospital de Base do DF amanhã. Agora, assume a gerência de Medicina Interna da unidade.

    Apesar das críticas ao modelo de gestão, Ismael garante que a população perceberá, em um curto espaço de tempo, melhorias em filas de espera e em marcação de consultas, por exemplo. Atualmente, as principais queixas são por falta de leitos e de insumos. “Acreditamos, piamente, que haverá melhorias. Mas é preciso entender que elas acontecerão incrementalmente, ou seja, não é trocar o modelo de gestão que as coisas estarão prontas”, completa.

    Críticas
    Entidades que representam os servidores receberam com “preocupação” a troca na direção do Hospital de Base do DF. O presidente do Sindicato dos Médicos (SindMédico), Gutemberg Fialho, avalia que as mudanças são para “atropelar” a implementação do Instituto. “Estão colocando gestores alinhados para acelerarem o processo. A comissão eleitoral para eleição do representante ocorre antes mesmo de o estatuto do Instituto existir. O apressamento do processo deixa todo mundo inseguro”, reclama.

    Para a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde (SindSaúde), Marli Rodrigues, a nomeação dos gestores deixa clara a intenção do governo em usar o Hospital de Base como moeda de troca. “A criação desse instituto não visa a nenhuma melhoria no atendimento”, queixa-se.

    Ismael minimiza as críticas e aposta no diálogo para atenuar o embate. “A minha posição em relação aos sindicatos sempre foi de respeito e conversa. Isso será importante no processo de transição. O hospital não pode parar. Esse é um carro que estamos trocando o pneu com ele andando”, compara. Até o momento, 480 servidores pediram remanejamento do Base. Eles atuarão em outros setores da rede pública. Os funcionários têm até setembro para escolher se ficam ou não na unidade médica.

    No detalhe - Veja como fica o funcionamento do Hospital de Base:

    » Os servidores concursados poderão escolher se permanecem na unidade ou se preferem ser transferidos para outro local da rede pública

    » Os novos profissionais serão contratados com base na CLT. Terão de bater metas e poderão ser demitidos

    » Os servidores que se aposentaram no Hospital de Base poderão ser recontratados como celetistas sem precisar passar por processo seletivo

    » O governo terá de divulgar balanço de atendimentos e prestar contas anualmente até março. Haverá auditorias externas para analisar os dados

    » O Hospital de Base terá um sistema que divulgará filas de espera, demanda reprimida e capacidade de atendimento. Isso hoje não acontece.

    » O conselho administrativo será formado por 11 integrantes, sendo o secretário de Saúde o presidente. Cinco postos serão indicados pelo governador. A Câmara Legislativa, o Conselho de Saúde, a Associação de Pacientes, a sociedade civil e os sindicatos da saúde indicam um nome cada um.



    (*) Otavio Augusto – Foto: Matheus Oliveira – Agência Estado – Correio Braziliense 

    quarta-feira, 16 de agosto de 2017

    TECNOLOGIA » Inteligência artificial no DF

    Reconstituição computadorizada do rosto de Luzia. Algumas características como a cor da pele e o cabelo crespo são apenas suposições.

    Inteligência artificial no DF

    *Por » Jéssica Eufrásio

    Um sistema de inteligência artificial está em implantação na Procuradoria-Geral do Distrito Federal (PGDF). Chamada de Dra. Luzia, a “robô-advogada” está em fase de testes e foi instalada nos computadores para auxiliar os funcionários do órgão nos procedimentos de emissão de petições na procuradoria fiscal. A expectativa é de que o programa ajude a acelerar o andamento dos cerca de 300 mil processos de dívida ativa em andamento.

    A ideia é da startup brasiliense Legal Labs. A empresa criou o sistema para acelerar a tramitação desses processos, cujo objetivo é requerer de pessoas físicas e jurídicas inadimplentes os tributos devidos. Atualmente, o governo do DF move ações para tentar recuperar aproximadamente R$ 24 bilhões em ativos. Segundo a procuradoria, a robô ficará responsável pela triagem e peticionamento dos autos de processos que estejam em fases específicas.

    Sócio da empresa, Ricardo Fernandes diz que a ideia de criar a robô surgiu na Universidade de Brasília (UnB), com o grupo Direito Tec/UnB, do qual faz parte. Ricardo e o professor da Faculdade de Direito da UnB Henrique Araújo Costa idealizaram o projeto, que juntou estudantes interessados em pesquisar o uso de sistemas de inteligência artificial empregados na área do direito.

    Homenagem
    O projeto — cujo nome foi escolhido em homenagem às mulheres e ao primeiro fóssil humano encontrado nas Américas — ficou pronto no início de julho. Desde então, o software ainda passa por avaliações e ajustes. A plataforma é capaz de realizar três tarefas principais: gestão de processos jurídicos, o peticionamento automático e o compartilhamento de modelos.

    Na prática, a máquina da PGDF interpretará as decisões dos juízes nos despachos e certidões e, a partir daí, selecionará a petição mais adequada para cada situação jurídica. “A robô já está gerando petições. Com isso, os processos podem ser feitos em uma velocidade que o ser humano não consegue alcançar. Além disso, diminuímos a quantidade de erros que humanos poderiam cometer. Trata-se de um passo para o futuro”, afirma Ricardo Fernandes.

    Segundo o pesquisador, a próxima etapa será levar a ideia para outras procuradorias do país. “É um sistema muito simples, interativo e de grande usabilidade por ser bastante intuitivo. Nesse caso, cabe aos humanos apenas supervisionar o trabalho. O impacto de uma revolução e tecnologia dessas será de nível nacional nos processos de execução fiscal. O plano é aplicar esse sistema por todo o país, para ajudar cada vez mais as procuradorias brasileiras”, finaliza.


    (*) Jéssica Eufrásio* -  *Estagiária sob supervisão de Mariana Niederauer – Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google

    Visão do Lago

    Visão do Lago

    *Por Severino Francisco

    Confesso que sou um usuário. Não disso que vocês estão pesando, mas sim do transporte público. Circulo muito de ônibus e, em um desses deslocamentos, deparei-me com André Correia, aluno do curso de jornalismo em que eu era professor e, mais tarde, colega de redação. Perguntei em que jornal estava trabalhando e ele me respondeu que havia mudado de profissão e agora era professor de educação física no Lago Paranoá.

    Estudou jornalismo, mas o esporte aquático estava no sangue e, ao fazer um trabalho de escola sobre um plano de negócio, concebeu uma empresa de instrução de remo. Isso o levou até o curso de educação física.

    O avô, Agenor Correia, havia sido campeão de remo muitas vezes nas décadas de 1930 e 1940; o pai, Dozinho, fundou o remo olímpico em Brasília. Agora, André passa boa parte de sua vida dentro do Lago Paranoá.

    De minha parte, sou um animal do deserto e sofro com a miragem da água. Mas, para mim, o Lago é, principalmente, uma paisagem. Por isso, fiquei com muita curiosidade de conhecer a visão de quem vive dentro da paisagem, sente a sua pulsação, convive com os bichos, sabe dos perigos e experimenta os êxtases.

    “O que é esse Lago para você?”, pergunto: “É uma joia, é uma maravilha”, responde André, com entusiasmo: “Garante o equilíbrio ecológico do brasiliense. Talvez sem esse Lago, Brasília fosse ainda mais árida, pois o cerrado foi muito devastado. O Lago dá um alívio”.

    Digo a André que desconfio da poluição do Lago, mas ele discorda: “Nos primeiros tempos, as árvores não foram retiradas. A matéria orgânica apodreceu e a gente sentia o mau cheiro de longe. No entanto, agora existem poucos pontos isolados de poluição, como é o caso da área próxima à estação de tratamento de esgoto, no fim da Asa Norte”.

    Ao percorrer o Lago, André se depara com lugares em que a água é translúcida. É uma Brasília diferente que se apresenta. Os biguás, os mergulhões e as garças fazem a festa para os olhos. Encontra muitas famílias de capivaras, jacarés em lugares isolados e ariranhas em ocasiões mais raras: “Algumas vezes, o pessoal que faz pedalinho vê uma cabeça de bicho repontado na água e se assusta pensando que é cobra, mas são pequenas tartarugas”.

    O Lago me parece um lugar traiçoeiro. Onde mora o perigo? “Sim, tem razão. É porque você tem uma visão plana na beira da Prainha, mas, se vai para o meio da Ponte Honestino Guimarães, a profundidade e o volume de água aumentam. Muita gente morreu afogada ali. É porque o relevo acompanha a descida por onde passava o Rio Paranoá. Sempre recomendo que se nade só nas margens”.

    A liberação da orla estimulou um movimento de ocupação da beira do Lago. André prevê que a área se transformará em um território de lazer semelhante ao que é hoje a Água Mineral. Todavia, até lá existe um longo caminho a percorrer: “Primeiro, o poder público precisa oferecer mais áreas urbanizadas no Lago. Ele não está preparado para receber pessoas. Depois, é preciso investir pesado em educação. Você sabe, educação é tudo”.

    André diz que um dos instantes de maior alumbramento acontece quando o céu desce e se mistura com o Lago nas alvoradas e nos poentes. É um momento de beleza sobrenatural.

    Desembarquei no meu ponto, André seguiu viagem e fiquei pensando: para mim, o Lago é uma entidade mítica. Tivemos a nossa Atlântida soterrada: a Vila Amauri. É o Lago que me dá a ilusão de que o sertão virou mar.


    (*) Severino Francisco – Jornalista, repórter do Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google

    Quinta Cultural convida Coletivo Do Quadrado

    Dois projetos que movimentam a cena cultural brasiliense promovem um intercâmbio nesta  quinta-feira (17) e quem ganha é o público

    Brasília já foi a cidade do rock’n’roll. Agora, ela é a cidade do rock, do samba, do jazz, da MPB e de gêneros que se misturam e se reinventam. Pipocam novos nomes, novos sons e projetos, criando uma identidade de música autoral, mas que dialoga dentro da linguagem universal da arte. Dentro deste cenário, dois projetos que impulsionam a cena musical da cidade se uniram para uma apresentação que vai sacudir a capital federal. Nesta quinta-feira (17/8), o Q Cultural abre a casa, ou melhor, as ruas do Setor Comercial Sul para o coletivo Do Quadrado.

    O primeiro é uma iniciativa para resgatar uma das áreas no coração da cidade, o Setor Comercial Sul, com arte e empreendedorismo com uma programação intensa toda semana. O outro integra músicos, cantores, compositores e poetas, celebrando diferentes ritmos nos palcos do nosso quadradinho.

    Representando esta proposta, um dos idealizadores do projeto, o músico planaltinense Wilson Bebel, se apresenta no palco principal para mostrar a que veio. Com trabalho que transita entre o samba e o choro e um estilo sem igual. Para este show Bebel convida a compositora, cantora e percussionista Nãnan Matos para celebrar, com um repertório autoral a conexão Brasil-África.

    Já o palco Kombiando recebe a dupla de cantoras e compositoras Tatá e Danú com seu ritmo bem característico que apelidaram de “psicojazz rural”, com uma sonoridade aerada. No Q Cultural elas embalam a plateia com faixas do seu álbum “O Leve”, como “Foi foda quando você soltou a minha mão”, que ganhou os prêmios de melhor intérprete e arranjo no Festival da Rádio Nacional de 2016. Nas picapes, o DJ residente Nagô divide os holofotes com o DJ Mak que vão sacudir o público entre um show e outro.

    Q Cultural
    O projeto é fruto da evolução da “Quinta Cultural”, criada no ano passado com o propósito de movimentar e revitalizar o Setor Comercial Sul. Com o intuito de valorizar o empreendedorismo da região e fomentar a arte local, inicialmente foi capitaneado pela Secretaria Adjunta do Trabalho. Agora, foi estabelecida parceria entre a Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos e a Secretaria de Cultura, além de realização da Associação Traços de Comunicação e Cultura. Também apoiam o evento, Administração de Brasília; Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social, e produção da Central de Produção (CP). (Vídeos - Fotos)



    Serviço: Q Cultural - ( nesta  quinta-feira (17) -  Local: SCS Qd. 6 - estacionamento em frente ao Pátio Brasil - Horário: a partir das 17h30 - Entrada: Gratuita - Classificação indicação: Livre - Facebook.com/qcultural - Instagram: @qculturaldf









    terça-feira, 15 de agosto de 2017

    Governo concentra esforços para pagar salários do funcionalismo

    O governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg, reafirmou nesta terça-feira (15) que o governo está fazendo todos os esforços para assegurar o pagamento em dia do salário dos servidores do DF. Foto: Dênio Simões/Agência Brasília

    Decisão sobre pagamento integral, porém, será tomada no fim do mês, quando fechar a folha de pessoal. Para garantir os vencimentos aos servidores, governo é obrigado a adequar repasses para fornecedores e prestadores de serviços

    O governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg, reafirmou nesta terça-feira (15) que o governo está fazendo todos os esforços para assegurar o pagamento em dia do salário dos servidores do DF. Até o momento, o Executivo local tem obtido sucesso em garantir o depósito integral dos vencimentos até o quinto dia útil, mas essa é uma decisão que o governo só consegue adotar no fechamento da folha de pessoal, na última semana de cada mês.

    Em evento de entrega de mais 500 escrituras (chegando ao total de 29.642 documentos distribuídos nesta gestão) no Riacho Fundo II nesta terça-feira (15), Rollemberg destacou que o DF vive uma situação financeira difícil e, ainda assim, tem conseguido honrar o compromisso com os servidores.

    “Desde o início do governo, damos prioridade ao servidor. Fazemos todo o esforço para manter os salários integrais e em dia”, disse. Ele confirmou que a situação fiscal do DF é difícil, mas afirmou que “buscará até o último momento alternativas para garantir o pagamento”.
    “Desde o início do governo, damos prioridade ao servidor. Fazemos todo o esforço para manter os salários integrais e em dia”   -(Rodrigo Rollemberg, governador de Brasília)
    Rollemberg explicou que o governo tem sido obrigado a atrasar pagamentos a fornecedores e prestadores de serviços, como os da empresa de vigilância Juiz de Fora. O governo repassou, nesta terça, R$ 6 milhões à companhia, para fazer o pagamento aos funcionários terceirizados.

    Na entrega de escrituras, Rollemberg dialogou com integrantes do Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio, Conservação, Trabalho Temporário, Prestação de Serviços e Serviços Terceirizáveis no DF (Sindiserviços) e os comunicou do repasse.
    Compensação previdenciária 
    “Não é um privilégio, é nosso direito. O governo federal nos deve, reconhece isso, mas não transfere esse dinheiro tão importante para o DF”  -(Rodrigo Rollemberg, governador de Brasília)

    Uma das alternativas citadas pelo governador nesta manhã é o recebimento de R$ 780 milhões devidos pela União ao DF, referentes à compensação previdenciária. “Todos os meses, desembolsamos R$ 200 milhões para pagar a aposentadoria de quem entrou para o serviço público do DF antes de 2006”, detalhou.
    A questão está no Supremo Tribunal Federal. Rollemberg afirmou que esse montante garantiria os pagamentos até o fim do ano. “Não é um privilégio, é nosso direito. O governo federal nos deve, reconhece isso, mas não transfere esse dinheiro tão importante para o DF.”




    Agência Brasília

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