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  • quinta-feira, 8 de outubro de 2015

    Feriado? #MÚSICA » Feitiço é nosso!

                   "O Feitiço foi uma espécie de talismã para mim" Dhi Ribeiro, cantora

    Casa por onde passam os grandes nomes da MPB e artistas brasilienses de primeira linha comemora 26 anos com uma série de shows

    Porto seguro para cantores, compositores, instrumentistas, grupos e bandas brasilienses, e de outras regiões do Brasil, o Feitiço Mineiro chega aos 26 anos como uma das principais referências de boa música na capital brasileira. O fato de ter um palco ocupado continuamente, dá uma dimensão de sua importância artística.

    Espaço democrático, criado pelo saudoso Jorge Ferreira, o bar e restaurante da 306 Norte, acolheu em mais de duas décadas representantes de diferentes segmentos musicais: quase todos os integrantes do Clube da Esquina — Milton Nascimento é o único que só esteve ali como espectador —, os mais renomados bambas e sambistas da nova geração, trios e quartetos de jazz, regional de choro e roqueiros de diversas tendências, todos ciceronados pelo mestre de cerimônias Jerson Alvim.

    Para comemorar o aniversário, que transcorre em outubro, o Feitiço desenvolve até o dia 24 extensa e variada programação. Na abertura, hoje, às 20h, promove uma autêntica roda de choro, ao reunir Toninho Geraes, Makley Matos, Dhi Ribeiro, Fabinho do Samba e Marquinhos Benon. e o conjunto liderado pelo cavaquinista Evandro Barcelos.

    “Toco no Feitiço desde a inauguração. Para mim, sempre foi prazeroso me apresentar ali, ao lado de grandes músicos e acompanhando mestres do samba. Recordo-me do projeto Gente do Samba, criado pela Sônia Alves na década passada, que trouxe, entre outros, bambas como Monarco, Délcio Carvalho, Nelson Sargento, Walter Alfaiate, Noca da Portela, Dona Ivone Lara e Beth Carvalho”, lembra Evandro Barcelos.

    Roda informal
    O músico adianta que na noite de hoje o público vai assistir a uma roda de choro informal, como manda a tradição. “Nós estaremos em volta de uma grande mesa, ao lado de Toninho Geraes, Makley e Dhy, Fabinho e Marquinhos. Lancei o Makley ao convidá-lo para fazer parte do Samba Choro, grupo que formei com outros instrumentistas. Dono de uma bela voz, ele saiu daqui para brilhar no Rio de Janeiro, a partir dos bares da Lapa”, diz Evandro.

    Makley é capixaba, mas foi em Brasília que despontou como um intérprete cheio de suingue e percussionista, em shows no Feitiço, no Bar do Calaf e outros locais. Em 2006 radicou-se no Rio de Janeiro e foi descoberto depois de vencer o festival de novos talentos Jovens Bambas do Velho Samba, promovido pelo bar Carioca da Gema, onde passou a ser uma das atrações.

    Em 2010, Makley foi selecionado para o elenco do musical É com esse que eu vou, criação de Sérgio Cabral e Rosa Maria Araújo. Ele foi um dos destaques do grupo, ao lado de Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta, sob a direção do violonista Luis Filipe de Lima. O espetáculo ganhou registro em CD e DVD, lançados pela gravadora Biscoito Fino. Em carreira solo, o cantor lança em breve seu primeiro disco.

    Dhy Ribeiro também teve o Feitiço como plataforma de lançamento. Cantora já com uma estrada, ela ainda não havia lançado disco, quando em 2008, tendo Jorge Aragão como padrinho, foi contratada pela Universal Music. “O Feitiço foi uma espécie de talismã para mim. Lá assinei o contrato com a gravadora, pela qual no ano seguinte, lancei o Manual da mulher, meu CD de estreia”, recorda-se. “Ser convidada para participar da roda de samba que abre as comemorações dos 26 anos do Feitiço, me dá uma alegria imensa”, acrescenta.

    Compositor talentoso e cantor dos bons, o mineiro Toinho Geraes foi adotado pelos cariocas. Morador do Rio de Janeiro desde a segunda metade da década de 1980, teve como anfitrião Beto Sem Braço, que o apresentou aos bambas do Cacique de Ramos, o mítico bloco do subúrbio do Rio.

    Mulheres, gravado por Martinho da Vila; Uma prova de amor, que Zeca Pagodinho transformou em sucesso; e Me leva, registrada em disco por Agepê e mais recentemente por Diogo Nogueira, são seus sambas que estão na boca do povo. “Tudo que sou, que fiz com Paulinho Rezende, bombou nas redes sociais e é ouvido nas rodas de samba de todo o pais”, festeja. Toninho adianta que na roda no Feitiço vai cantar Mineiro sagaz, “que compus em tributo ao querido Jorge Ferreira”, anuncia.

    Sotaques e ritmos variados
    A programação de aniversário do Feitiço Mineiro prossegue com mais cinco shows. Amanhã quem se apresenta, às 21h30, é o grupo mineiro Lúdica Música, já bem conhecido dos frequentadores do bar e restaurante da 306 Norte. Rosana Brito (voz, violão e direção musical), Isabella Ladeira (voz e percussão) e Gutti Mendes — juntos desde 1991 — faz um som cheio de lirismo, que receeu elogios de nomes consagrados da MPB, como Milton Nascimento, Ivan Lins, Sueli Costa, Carlinhos Vergueiro e Ana Carolina.

    Na próxima terça-feira a atração é a cantora Indiana Nomma, atualmente radicada no Rio, que fez incontáveis shows no Feitiço, ao longo da carreira dela. O epetáculo Conspiração dos poetas, com Tavinho Moura, Mariana Brant e Beto Lopes, no dia 16, vai prestar tributo a Fernando Brant e a Jorge Ferreira, e, certamente, emocionr o público.

    Paulinho Pedra Azul, dono de grande popularidade em Brasília, sob ao palco do Feitiço nos dias 22 e 23; enquanto Clodo Ferreira fecha a programação no dia 24. “Para mim, mais que um compromisso profissional, é algo ligado ao emocional, cantar no aniversário do Feitiço; o que já faço há 15 anos. Vejo nessa comemoração a aura do Jorge Ferreira, figura de singular importância para a arte e a cultura de Brasílias”, afirma o cantor e compositor piauiense-brasiliense.

    O legado de Jorge - (José Carlos Vieira)
    Um bar, antes de tudo, foi feito para conversar, conectar-se com as pessoas e com o mundo, depois, e bem depois, beber e entupir as veias com tira-gostos de primeira.  Agora, acrescente aí um dono de bar que sabia conversar com os clientes, que tratava a todos (até adversários ideológicos) como se fossem antigos conhecidos. Era assim Jorge Ferreira, em qualquer bar ou restaurante de sua cria que você o encontrasse. Mas era o Fetitiço Mineiro seu “filho” mais querido. Era lá que Cruzília se confundia com Brasília. O Feitiço, apesar dos ranzinzas, dos chatos que querem transformar esta cidade em um dormitório da burocracia, é a catedral da boemia. Nossa Sagrada Família, em construção poética constante.

    Jorjão  não foi embora assim… sem deixar lembranças. Muito pelo contrário. Ganhamos dele legados, cacoetes, o dom de celebrar amizades, de pedir mais um chope, enquanto rabiscamos uma poesia no guardanapo. Certa vez, perguntei a Ariano Suassuna sobre a busca que os poetas têm pela eternidade, e ele, lá de cima dos seus 86 anos, me respondeu: “É só uma questão de transitoriedade, José”. E não existe portal melhor que os causos e versos deixados por Jorge em seus livros. Um brinde ao menino das montanhas! Evoé!

    Feitiço Mineiro 26 Anos
    Abertura da programação com roda de samba que reúne Toninho Gearaes, Makley Matos, Dhi Ribeiro, Fabinho do Samba, Marquinhos Benon e o grupo liderado pelo cavaquinista Evandro Barcelos. Hoje às 20h, no ar e restaurante da 306 Norte. Couvert artístico R$ 30. Não recomendado para menores de 18 anos. Informações e reserva de mesa: 3272-3032.


    Por: Irlam Rocha Lima – Correio Braziliense 

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