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  • domingo, 6 de dezembro de 2015

    Carta à Rollemberg

    Quando as urnas indicaram, no segundo turno, que Rodrigo Rollemberg seria o novo governador da capital federal, os brasilienses e, principalmente, os candangos suspiraram aliviados. Finalmente um legítimo filho do cerrado (nascido no Rio de Janeiro em 1959, veio com a família para Brasília em 1960) fora ungido com a nobre e árdua missão de resgatar a cidade, depois de décadas, das mãos de forasteiros e alienígenas de toda ordem.

    Administrar uma cidade sui generis no mundo, patrimônio cultural da humanidade, ícone do movimento modernista, erguida no momento de maior otimismo dos brasileiros, era tarefa que cabia melhor a quem é do lugar e que habitou, desde a infância, num gigantesco canteiro de obras e pôde assistir de perto como se transforma sonhos e utopias em concreto armado.

    Para aqueles que presenciaram o plantio das primeiras árvores, presas a ligas de borracha a estacas de madeira da cor verde; do brotar dos gramados, protegidos, com zelo, pelos fiscais DPJ, os graminhas, que muitas vezes confiscavam a bola das peladas, sob protestos e sem cerimônias; para quem nadou no Lago Paranoá ainda em formação ou mesmo o atravessava de jipe quando ainda era só a cratera. Ou quem brincou nas areias junto às construções, nas manilhas, e perambulou pela cidade, quase provinciana, tranquila e sob o céu espetacular do cerrado; para todos esses que aqui experimentaram o idealismo puro da juventude: e para os muitos anônimos que penaram os desvãos da vida, despencando dos andaimes ou simplesmente sendo sepultados pelos desmoronamentos de valas instáveis e profundas, numa época em que os direitos trabalhistas eram solenemente ignorados.

    É para todos esses que retirastes a espada encravada na rocha. Governador é, antes de tudo, um saco de pancada, sujeito à ira constante da população e sempre aquém dos desejos infinitos do cidadão. De toda forma, é preciso ficar atento a um ponto essencial: nenhuma qualidade se destaca mais num administrador, seja ele quem for, do que o amor verdadeiro pelo lugar. Esse sentimento é mais intenso ainda quando ambos crescem juntos, atravessando infância, adolescência e juventude. Há a necessidade do fazer, do aparecer, do mostrar, do realizar. Quem votou com consciência precisa se convencer de que votou bem.

    A cidade se transformando além da janela, enquanto o espelho assiste silente às modificações físicas do corpo e da alma. É essa identidade entre a sua pessoa e a cidade que levou a maioria dos brasilienses a reconhecer em você alguém qualificado para essa tarefa, que, muito mais do que uma posição de destaque pessoal, é um lugar de onde o fogo arde com mais intensidade e onde o sucesso e a ruína estão separados apenas pelo fio de navalha.

    As chaves da cidade, depositadas em suas mãos, servirão tanto para abrir portas de oportunidades para todos, como servirão também com serrar a passagem dos aproveitadores, políticos oportunistas, especuladores e demais mercadores de ilusões que sempre enxergaram a cidade como uma mercadoria de lucro rápido e fácil. Cuide da cidade com se cuidasse de si, afinal ambos fazem parte do mesmo conjunto, têm a mesma história. A diferença é que um é a semente e o outro, a árvore frondosa de muitas sementes que virão.

    A frase que foi pronunciada
    “Se nos esquecemos de quem somos, o outro nos fará ser qualquer coisa.”
    (Reni Szajnbrum)


    Por: Circe Cunha – Coluna “Visto, lido e ouvido” – Ari Cunha – Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google

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