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  • quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

    O brasileiro endividado

    Os formuladores de política econômica, que estudam ações do governo destinadas a retomar a economia, correm o risco de repetir os mesmos erros da chamada nova matriz econômica do primeiro mandato da presidente Dilma, se voltarem a exagerar nos estímulos ao consumo. Pelo menos nos próximos meses, esses estímulos terão poucas chances de produzir a reposta desejada.

    É isso o que informa o isento exame da realidade em que está mergulhado o alvo desse eventual esforço: o consumidor. Pesquisa que cobriu todas as regiões do país divulgada ontem pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) revela que a questão do endividamento das famílias é, no momento, muito mais do que um exercício estatístico de economistas ocupados em orientar comerciantes a recompor ou não seus estoques.

    Que 40% das famílias estão atoladas em dívidas estimuladas pelo consumo à prestação e pela ilusão de que a onda de fartura proporcionada pela explosão dos preços de nossas commodities agrícolas e minerais nunca teria fim, até os mais empedernidos desenvolvimentistas já sabiam. O que ainda não havia sido medido com mais rigor e profundidade é o quanto essa situação tem preocupado as pessoas de bem, ou seja, aquelas que se sentem incomodadas quando não pagam em dia seus compromissos.

    A pesquisa revelou que, pela primeira vez em muitos anos, a principal meta da maioria dos consumidores consultados deixou de ser a compra da casa própria ou mesmo ter mais tempo para aproveitar a vida, encontrar um grande amor, fazer uma viagem ou abrir um negócio. Até mesmo a preocupação com a saúde e a segurança da família ficaram em segundo plano.

    Qual é a sua meta para 2016? Pagar as contas atrasadas foi a mais votada pelos entrevistados, com 36,8% indicações. Em segundo lugar, com 34,3% das respostas, ficou a meta de fazer atividade física. Bem abaixo dessas metas para 2016, aparece o primeiro item de consumo: a compra ou troca do carro, com 27,6% das escolhas (nove pontos percentuais abaixo da quitação das dívidas).

    Perder peso e reformar a casa completam as cinco primeiras posições desse ranking revelador do peso que o endividamento tem, atualmente, na vida de milhões de brasileiros. Comprar uma casa ainda é meta de muita gente. Mas o deslocamento desse item para a décima posição, com apenas 16,6% das escolhas, é sintomático da preocupação que a maioria passou a ter com os desafios de curto prazo.

    Para reforçar a evidência dessa preocupação, as respostas dadas à pergunta sobre qual é o maior temor de cada um para 2016 revelaram proporção ainda maior relacionada ao endividamento: 59,9% responderam que era o risco de não conseguir pagar as dívidas. Esse percentual superou o temor de eventuais problemas de saúde (54,6%), a possibilidade de ser vítima de violência e/ou assalto (35,2%) e o medo de perder o emprego (25,7%).

    Ninguém deve apostar que as pessoas não têm mais desejo de consumo. Mas o que a pesquisa está mostrando é que é preciso dar tempo e, principalmente, que o bom senso é bem mais presente nas famílias brasileiras do que supõem algumas autoridades, mais interessadas no brilho rápido.


    Fonte: “Visão” do Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google

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