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  • quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

    Do Jabuti ao Nobel, um tributo para Lygia Fagundes Telles

    Lygia Fagundes Telles é a maior escritora viva do Brasil. Sua indicação ao Prêmio Nobel de Literatura foi iniciativa feliz, lúcida e justa da União Brasileira de Escritores (UBE). Para o nosso país, a concessão do prêmio à autora de obras-primas como Ciranda de pedra, As meninas e As horas nuas seria imensa conquista, à altura da qualidade e importância de nossa literatura, uma das mais ricas, diversificadas e belas do mundo, mas que jamais recebeu reconhecimento de tamanha envergadura.

    Por isso, a candidatura é muito importante para o país, para a nossa população, nossa literatura e nosso setor editorial. A Câmara Brasileira do Livro (CBL) apoia a indicação de Lygia, que, aos 92 anos, é expressão do que há de melhor no Brasil. Independentemente da decisão da Academia Sueca de Letras, a presença de nossa escritora entre os indicados é ótima oportunidade para os brasileiros conhecerem melhor nossa grande autora e o mundo saber quem é Lygia Fagundes Telles. Também constitui estímulo ao hábito da leitura e ao surgimento de escritores.

    É importante entender como funciona o processo de indicação e escolha dos candidatos e do vencedor. A Academia Real das Ciências da Suécia, que promove pesquisas científicas, é responsável pelos prêmios de física, química e economia. O Instituto Karolinska, grande universidade de Estocolmo, indica os ganhadores em medicina. A Academia Sueca de Letras escolhe o vencedor em literatura. E o Comitê Nobel Norueguês, formado por pessoas indicadas pelo parlamento da Noruega, é o responsável pela eleição e entrega do prêmio da paz. Essas instituições enviam formulários a cientistas, professores e intelectuais de todo o mundo, solicitando a indicação de candidatos cujo currículo e trajetória são examinados por comitês de especialistas. São eles que, em cada um dos quatro órgãos, elegem os vencedores.

    Antes de Lygia, outros brasileiros poderiam ter ganhado o prêmio, como os físicos Mário Schenberg (que explicou a perda de energia nas supernovas) e César Lattes (que comprovou a existência da partícula subatômica méson pi); o médico Carlos Chagas (descobridor da doença que leva o seu nome); os escritores Carlos Drummond de Andrade e Jorge Amado; e o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, indicado ao Nobel da Paz em 1990, quando o vencedor foi o Dalai Lama; Celso Furtado (estudos sobre desenvolvimento econômico); o bioquímico Maurício Rocha e Silva (que descobriu a bradicinina, importante para a controle da pressão arterial); e Otto Gottlieb (que inventou um índice para medir a biodiversidade de ecossistemas).

    Tomara que, em outubro, quando costuma ocorrer o anúncio dos ganhadores, em Estocolmo, na Suécia, o Brasil receba, pela primeira vez, um Prêmio Nobel. Vamos torcer. Seria fantástico que a inusitada conquista se desse no universo dos livros e por meio da genialidade de Lygia Fagundes Telles. Nossa menina autora ganhou três vezes o Prêmio Jabuti (1966, 1974 e 2001), promovido pela Câmara Brasileira do Livro, o primeiro que recebeu em sua brilhante trajetória de escritora e o mais importante do setor editorial brasileiro. Agora, tem tudo para conquistar o maior do mundo, o Nobel de Literatura.

    Sempre desbravadora, foi uma das primeiras mulheres a se formar na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Integrante da Academia Paulista de Letras, da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa, pode, mais uma vez, ser pioneira, dando o primeiro Nobel ao Brasil. Saiba, porém, querida Lygia, que, para todos nós, você já é a maior, independentemente do resultado final. Cabe-nos agradecer tudo o que já fez e ainda fará pela literatura e o livro do Brasil.


    Por: Luís Antonio Torelli - Presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL) – Fonte: Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google

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