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  • segunda-feira, 23 de maio de 2016

    A lição de Águas Claras

    Projetada pelo arquiteto Paulo Zimbres, da UnB, Águas Claras era para ser uma cidade moderna, futurista, ao estilo de Brasília. Parques e intensa arborização compensariam as áreas de chácaras que existiam no local e foram desapropriadas para dar lugar à nova cidade. Na época do governador Joaquim Roriz, por pressão das construtoras, ávidas por lucro, sem se preocupar com o urbanismo e a mobilidade urbana, o gabarito dos prédios foi liberado para o quase infinito, creio que até 35 andares.

    Neste mês, Águas Claras completa 24 anos de existência. Os espigões, antes não previstos para a cidade, surpreendem, criando um adensamento populacional exagerado e não suportado pelas vias de trânsito. Somente na área vertical de Águas Claras, são 120 mil moradores, 722 edifícios construídos e 143 em construção.

    O resultado desse crime cometido contra a cidade aí está. Numa segunda-feira, às 16h, na Rua 9 Sul, fiquei meia hora paralisado no trânsito, sem sair do lugar. A tal ponto aumentou a densidade da população local que o trânsito de veículos está se tornando impraticável. Já se comenta que há desvalorização dos apartamentos em Águas Claras em função da dificuldade do trânsito.

    A Administração Regional demarcou uma ciclofaixa na principal avenida e já se observam moradores criticando a preferência para os ciclistas. Os moradores deviam é fazer um pacto coletivo para só andar de bicicletas quando forem transitar dentro de Águas Claras. Deveriam ser criadas urgentemente ciclovias e campanhas educativas de trânsito para os moradores a deixarem o carro em casa e usarem outros meios de transporte. É uma das soluções para o caos urbano. Outras são a rotatividade de placas, melhorias no metrô, veículos leves sobre trilhos, caronas solidárias etc.

    É a cidade do DF que tem o maior protagonismo nas redes sociais. A Associação dos Amigos e Moradores de Águas Claras, criada em 2011, conta com 16 mil membros e 500 novas adesões se somam mensalmente, para discutir os problemas da urbe e até a política local e nacional. O outro grupo, Mães Amigas de Águas Claras e Região, conta com 43 mil membros, sendo talvez o maior grupo de moradores na internet do DF. Ela ajudou até os moradores atingidos pelo vazamento da Barragem de Mariana, fazendo grande mobilização e enviando 13 toneladas de água para Minas Gerais.

    O estudo encomendado em boa hora pelo presidente do Metrô-DF, Marcelo Dourado, prevê que Brasília será totalmente paralisada em matéria de trânsito em 2020, se não forem adotadas providências, como o transporte sobre trilhos. É de se elogiar a iniciativa do dirigente do Metrô-DF, aliás expert em mobilidade urbana, que se preocupa em soluções a curto, médio e longo prazos.

    Seja de qual rumo for, seja vindo de Taguatinga e adjacências, seja vindo da região de Sobradinho, da BR-60, da BR-40, BR-70, BR-20 ou do Lago Sul, em direção a Brasília, os engarrafamentos estão se tornando corriqueiros e o tempo que se leva é mais demorado a cada dia.

    É preciso o Governo do DF adote políticas públicas que melhorem a mobilidade urbana. Por exemplo, incentivar, por meio de campanhas publicitárias o uso pela população do aplicativo criado pelos alunos da UnB que permite a oferta e a procura on-line pelo celular das vagas de caronas. A carona solidária deve ser atitude cidadã que conscientizada pela população, permitindo que os vizinhos e colegas de trabalho possam se revezar no uso dos automóveis.

    Andar sozinho no carro quando temos colegas do trabalho com os quais podemos compartilhar o trajeto não será politicamente correto. Podemos revezar os carros a cada semana, assim todos sairemos ganhando. No bate-papo com os colegas e na economia de combustível. As faixas exclusivas para o ciclismo devem ser implementadas, principalmente para o trânsito interno nos núcleos habitacionais planos.  Em Águas Claras, o caos urbano já está se antecipando. E estas soluções já se tornam urgentes. E o Sindicato da Indústria da Construção Civil do DF (Sinduscon) que oriente as construtoras a não se preocupar só com os lucros mas com o bem-estar da população. Fica a lição de Águas Claras


    Por:Carlos Pontes -  Jornalista e, empresário de agroturismo – Fonte: Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google

    2 comentários:

    1. Pare de usar a palavra "Brasília" como sendo apenas o Plano Piloto, Águas claras Taguatinga ou seja todo o DF é Brasília. DF não se divide municipalmente, Só pode ter uma única cidade. Segregador!!

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    2. Muito bom. Mas eu sinceramente não acho que Roriz foi simplesmente pressionado a ceder os interesses da especulação. Ele próprio tinha esse interesse de transformar Águas Claras em uma cidade vertical. Essa população poderia ser doutrinada ao título de eleitorado e ainda justificaria no futuro o Metrô, projeto do qual muita verba foi desviada. O resultado também faz parte de tudo isso denunciado nesta ótima matéria. Abç.

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