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  • domingo, 1 de maio de 2016

    O Brasil doente de Dilma Rousseff

    Quem se deu ao prazer de ler As quatro revoluções que abalaram o mundo: a das 13 colônias da América do Norte, instituidora da federação presidencialista; a francesa que se lhe seguiu, substituindo a monarquia pela república; a russa de 1917, instituindo o primeiro estado socialista e abolindo a propriedade privada dos meios de produção; a chinesa, finda em 1950, com a doutrina do campesinato revolucionário de Mao Tsé-Tung e ademais, examinar a história das duas guerras mundiais (1914-1918 e 1939-1945) terá diante de si as digitais do mundo do século 21.

    No século atual, a grande novidade foi o resultado do abandono do comunismo pela Rússia, países do Leste Europeu e China, nos fins do século anterior, restando o capitalismo como modo de produzir bens e serviços e a democracia como forma de convivência política. Mas não foi a única, na América Latina, em cinco países uma estridente e tardia ideologia sectária, de cunho populista, tomou corpo, fez o foro de São Paulo, e agora está nas vascas da agonia em toda a região. No Brasil, o PT, o PC do B e parte do PDT, além do PSol (francamente comunista), representam essa tendência tardia.

    Durante o processo de impeachment na Câmara dos Deputados, ficamos profundamente revoltados com a carga de ódio e preconceito dos votantes contrários ao impeachment, menos alguns, entre eles o deputado Gabriel Guimarães. Os apelos à luta nas ruas foram repetidos várias vezes. Esses movimentos, por alguns chamados de bolivarianos, têm três características. São a favor dos mais humildes; possuem programas sociais (Fies, Pronatec, Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Prouni etc.), sempre nos esquadros de uma economia de mercado, característica dos partidos sociais-democratas europeus e, finalmente, se acham os únicos capazes de implementá-los e, por isso, são populistas e demagógicos. Assim, estupidamente, seus opositores são contra-revolucionários. Não admitem críticas e adoram o poder.

    Acontece que nenhum partido é contra os programas sociais, enquanto o PT faz deles a sua razão de ser. Para eles, sempre haverá os sem-terra, os sem-casa, os sem-transporte, os sem-educação, os sem-saúde e assim por diante. O seu oxigênio é a desigualdade, nunca os programas sérios de sua extinção definitiva. Por isso, é um partido encharcado de autoengano e com péssimas lideranças. Não tem futuro. A derrota acachapante de Dilma e do mago Lula, bem demonstra que o povo brasileiro acordou, que a realidade mudou, que o país quer novas configurações políticas. Nada mais patético do que uma presidente da República dizer que se ela fosse indiciada na Câmara – e foi – os programas sociais acabariam. Nunca, jamais, nosso país foi governado por pessoa tão arrogante e mentirosa, seu cariz básico.

    Melhor faria Michel Temer, se encaminhasse uma emenda proibindo a reeleição e se dedicasse a recuperar a credibilidade econômica e ética do Brasil, livrando-nos do fisiologismo intrínseco ao tal presidencialismo de coalizão, com o governo comprando com cargos e dinheiro os mais de 20 partidos existentes no Congresso Nacional, uma total irracionalidade. O caminho são as cláusulas de barreira. Não precisamos de mais de quatro ou cinco partidos programáticos e diferenciados. O PT, de propósito incentivou a criação de dezenas de partido (dividir para reinar).

    As palavras de ordem agora, e já vistas na votação da autorização do impeachment, são de que destituir Dilma é golpe. Jô Moraes, comunista histórica, por exemplo, votou contra, em nome “dos que tombaram lutando pela democracia”. Mentira pura: morreram lutando pela implantação do comunismo no Brasil. Ela e Dilma que era militante da Polop (Política Operária), em 1969, se fez guerrilheira em prol do comunismo de MAO, jamais da democracia! Contra a ditadura lutamos todos. Elas roubaram e sequestraram pelo comunismo. Que se reponha a verdade.

    São tempos idos e vividos; o que interessa é o porvir. De relembrar Montesquieu: “Quando os poderes Legislativo e Executivo estão numa só mão, não pode haver liberdade”. E, “A deterioração de um governo quase sempre começa pela decadência de seus princípios” (1689-1755). Os deputados autorizaram o impeachment, mas Dilma insiste em conspiração. Nove ministérios estão vagos. Ninguém quer um governo falido que destruiu o Brasil. Se o Congresso golpista não aprovar um deficit primário de R$ 106 bilhões para este ano, o governo não poderá pagar fornecedores e funcionários. Depois de quebrar o país, ela devia ao menos reconhecer sua incompetência. Ao revés agarra-se ao poder. É a Dilma cabeça de carrapato, vive do nosso sangue, não quer parar de sugá-lo. Fico a me perguntar sobre a serventia de um vice-presidente senão a de substituir o presidente que viaja ou morre física ou politicamente. Não tem conspiração, tem é Constituição.


    Por: Sacha Calmon – Advogado – Fonte: Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog – Google 

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