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  • domingo, 3 de julho de 2016

    Não sofra em silêncio - - (Luiza Brunet trilhou o caminho necessário e doloroso de tornar pública uma agressão sofrida)

    Por: Ana Dubeux 

    Luiza Brunet trilhou o caminho necessário e doloroso de tornar pública uma agressão sofrida. Ao tomar essa atitude, ela abre uma fenda para deixar brotar coletivamente a revolta, a indignação e o desejo de punição para os homens que teimam em tratar a mulher como se fosse um objeto a seu dispor. Não se enterra uma cultura machista de uma hora para a outra. Mas, de uma hora para a outra, cinco mulheres são assassinadas no mundo. Até 2030, 500 mil mulheres terão sido mortas por homens, a maioria deles maridos, namorados, companheiros, amantes, ex. E tantas outras são e serão surradas, agredidas, ameaçadas, perseguidas, xingadas. Sim, o mundo é bruto e hostil com as mulheres.

    O crime contra a mulher ocorre com uma frequência tão dolorosa que não há dúvidas de que vivemos num ambiente inseguro para elas. Assim sendo, quando uma pessoa pública tem a coragem de se expor e admitir que apanhou do marido, todos nós ficamos cientes de que o machismo é onipresente, não é definidor de uma classe social, nem circunscrito a quem nunca teve acesso a informação ou educação. O mundo é machista. E a modelo deslumbrante e bem-sucedida é igualmente vítima dele.

    No entanto, se o machismo é prevalente na sociedade, a condição financeira da vítima pode ser um fator determinante entre escapar ou não das mãos de um covarde qualquer. Luiza tem para onde ir, para onde voltar. Luiza vê seu passado e seu presente e enxerga ali uma mulher com autoestima, linda e poderosa. Quantas têm esse repertório e essa força para servir de resgate? Quantas serão bem atendidas e acolhidas nas delegacias? Quantas serão respeitadas e terão seus direitos assegurados nas salas de audiência? Quantas terão, enfim, advogado para representá-las?

    Temos inegáveis avanços, como a Lei Maria da Penha (um parênteses aqui: tramita no Congresso e foi aprovado em comissão do Senado um projeto que altera a lei, dando aos delegados poderes para decidir sobre medidas protetivas. Há importantes argumentos contrários, é preciso ficar de olho). Outro avanço são as campanhas e a visibilidade do tema. Aqui no Correio estamos sensíveis e permanentemente mobilizados. Recentemente, fizemos a série de reportagens “Quando não mata, fere”, que inspirou campanha lançada esta semana pelo GDF. Todo dia   25 de cada mês, a editoria de Cidades publica matérias sobre o tema. Também neste dia a Universidade de Brasília realiza ações e debates a respeito do assunto.

    O dia 25 foi instituído pelas Nações Unidas como o Dia Laranja. A campanha é descrita como um movimento solidário que tem como foco a igualdade de gênero. O 25 de novembro também foi instituído como o Dia Internacional de Eliminação da Violência contra as Mulheres. Em 1999, a Assembleia Geral das Nações Unidades escolheu esse dia como lembrança ao 25 de novembro de 1960, quando as três irmãs Mirabal, ativistas políticas na República Dominicana, foram assassinadas a mando do ditador Rafael Trujillo. Precisamos conhecer as profundezas deste tema para provocar o real engajamento da sociedade pelo fim do machismo. Por Luiza Brunet e por todas as vítimas diárias e constantes de uma covardia que precisa ter um fim.



    (*) Ana Dubeux é editora chefe do Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google

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