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  • segunda-feira, 15 de agosto de 2016

    Martas candangas - - (Fãs de futebol desde criança, elas formaram um time ...)

                          Maria Clara Viana (de cinza) em ação: grande craque do time

    Antes mesmo de a maior artilheira brasileira cair nas graças do público, esse grupo de meninas já batia o maior bolão. Fãs de futebol desde criança, elas formaram um time e todos os sábados se encontram para fazer o que mais gostam: jogar uma pelada

    Os gritos seguem quase em uníssonos por toda a arquibancada assim que a Seleção Brasileira de Futebol Feminino entra em campo: “Ah, a Marta é melhor que o Neymar”. Durante as partidas das Olimpíadas Rio 2016, o desempenho pífio do time masculino contrasta com o empenho das mulheres em campo, personificado na garra da principal jogadora, Marta. Aos 30 anos, ela tem se tornado um fenômeno cada vez maior, principalmente diante das sucessivas decepções que os jogadores têm trazido.

    Entretanto, criar essa rivalidade entre as seleções feminina e masculina diminui a grandeza de Marta. E são as próprias mulheres que amam futebol que garantem isso. “Comparar não é a solução. Nenhuma menina nasce com a bola no pé, como acontece com um menino. Espero que as Olimpíadas sirvam para mudar o pensamento, chamando a atenção para o futebol feminino, que não tem patrocínio, não tem ajuda, não tem mídia em cima.”

    Quem afirma é Ludmila Pimenta. Aos 21 anos, a estudante de arquitetura faz parte de uma geração de mulheres que não quer olho torto para o esporte que escolheu praticar. Muito menos paralelos que não equilibram qualidades — só despertam mais preconceitos. “A mulher é boa porque é boa, simplesmente. Ninguém fala que o Neymar é bom como a Marta, só o contrário”, reclama. O efeito Marta não foi decisivo para fazer com que Ludmila criasse interesse pelo futebol, mas é certo que os dribles da atacante têm ajudado a minimizar as reações contrárias às mulheres em campo. Ao encontrar na faculdade amigas que tinham o mesmo interesse, Ludmila pôde voltar aos treinos, montar um time e disputar partidas. As manhãs de sábado são sagradas para essa turma de estudantes de arquitetura e engenharia da Universidade de Brasília, quando elas se encontram para treinar.

    “Comecei a jogar porque tenho dois irmãos. Eles me obrigavam, pois precisavam de companhia, e acabei gostando. Mas sempre foi difícil. Nunca era escolhida no time, por ser a única menina. Às vezes, nem me deixavam jogar, só se meu irmão obrigasse.” A situação é comum. Daniela Dino, 21 anos, e do mesmo time da arquitetura, formado por estudantes da Universidade de Brasília (UnB), teve dificuldades em manter a prática que descobriu amar quando começou a jogar com os garotos da escola. “Eles não me escolhiam. E, quando procurava uma escolinha de futebol feminina, nunca encontrava uma turma que fosse grande o suficiente. Mas recebi incentivo em casa e jogo há 13 anos.” Ela também faz coro quanto à necessidade de o lado feminino da bola ser mais bem representado, principalmente para garantir uma maior união entre aquelas que querem jogar.

    Para ela, cada jogador é único, e contraposições não fazem justiça ao talento de nenhum dos dois craques brasileiros. “Não é comparando que vamos fazer as mulheres serem melhores no esporte ou em qualquer outro ambiente. É investindo nelas, no esporte para elas, da mesma forma como ocorre no futebol masculino, que tem investimento desde as escolinhas de base. Isso sim pode ser uma solução”, argumenta Ludmila.
    Para a craque Daniela Dino, futebol é, sim, coisa de mulher

    Empoderamento
    Mesmo que o discurso sempre envolva o empoderamento feminino no futebol, elas acham que é importante que os homens possam participar também, até mesmo para minar a impressão de que “isso não é coisa de mulher”. “O grande responsável pela união que nós temos é um homem. E ele é o mais compromissado em nos manter juntas”, garante Daniela. O time feminino se formou depois que um colega não conseguiu montar um grupo masculino dentro do curso de arquitetura da UnB, em 2013. Em contrapartida, as meninas conseguiram. De sala em sala, as fãs do esporte bretão foram se unindo e, desde então, construíram uma relação que não se restringe ao campo. “Cheguei sozinha, sem conhecer ninguém, e todas me acolheram; tentavam puxar assunto para que eu não me sentisse deslocada e, no segundo treino, já me senti amiga de todo mundo”, lembra Júlia Gratone, 19 anos.

    A jovem explica que cresceu em um ambiente escolar e familiar que estimulava a prática esportiva e sabe o quanto isso foi importante para compreender a liberdade que ela tem de poder fazer o que quer. “Muitas meninas poderiam ser ótimas de futebol, mas não conseguem ter o contato e acabam não jogando. Ainda há pais que acham o esporte coisa de homem e não deixam as filhas praticarem.” Os problemas não ficam restritos à ideia errônea de que esporte tem gênero. Elas garantem que já tiveram que lidar com homens tirando fotos enquanto elas treinam ou mesmo aqueles que ficam observando de forma crítica, esperando um erro. “Às vezes, a gente até evita ficar de top por causa disso”, garante Ludmila.

    Ludmila Pimenta jogava bola com os dois irmãos: acabou apaixonada

    Outro ponto que ainda causa desconforto é a forma como muitos tendem a relacionar o esporte com a feminilidade de cada uma delas. “Isso vai além da questão da orientação sexual. Vai pela característica geral do estereótipo feminino. Na visão de muita gente, a mulher que joga futebol não gosta de pintar as unhas, não é vaidosa, não vai ser uma menininha, como se isso tivesse alguma relação. E isso influencia também os homens. Um menino que gosta de futebol parece que não pode ter outro gosto, como arte ou música”, reclama Valentina Moura, 21 anos.

    Considerada a mais craque entre as entrevistadas, Maria Clara Viana, 21, sempre foi uma das primeiras a serem chamadas nas peladas de infância e quase sempre no time do irmão, que não queria saber de deixar suas habilidades em outro time. “Já participei de vários campeonatos nos quais eu era a única menina”, lembra. Para ela, a relação formada entre as mulheres com quem ela joga hoje define o que ela mais gosta no futebol. “Estamos em uma grande família”, resume. Daniela Dino vai além. Para a estudante, a ligação que existe com a equipe é a melhor descrição de espírito olímpico. “É uma amizade que surge pelo esporte, é o papel dele. E as Olimpíadas têm esse lado que muita gente não consegue alcançar. O verdadeiro propósito é causar união e confiança, valores olímpicos que são importantes para a formação de qualquer pessoa”, completa.

    Campeã
    Maior artilheira da história da Seleção Brasileira, a alagoana da pequena cidade de Dois Riachos foi eleita por cinco vezes a melhor jogadora do mundo. Hoje, ela joga pelo FC Rosengård, na Suécia.

    Artilheiros - Com o nome marcado na Seleção Brasileira - Marta: 103 gols (até o fechamento) - Pelé: 95 gols



    Fonte: Rafael Campos – Fotos: Helio Montferre/CB/D.A.Press – Google - Correio Braziliense

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