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  • segunda-feira, 12 de setembro de 2016

    As dores e a morte de Brasília - (Brasília Maria Costa Góis faleceu no último sábado. Ela foi o primeiro bebê a nascer na capital federal, às 6h15 de 21 de abril de 1960, e tinha o ex-presidente Juscelino Kubitschek como padrinho)

                       A vida da funcionária pública motivou dezenas de reportagens

    A servidora pública aposentada Brasília Maria Costa Góis faleceu no último sábado. Ela foi o primeiro bebê a nascer na capital federal, às 6h15 de 21 de abril de 1960, e tinha o ex-presidente Juscelino Kubitschek como padrinho

    Brasília morreu na manhã do último sábado. Não a cidade, mas alguém que tem a história costurada com a da capital federal. Brasília Maria Costa Góis, de família piauiense, foi a primeira criança a nascer na recém-inaugurada capital, e veio ao mundo precisamente às 6h15 de 21 de abril de 1960. O então presidente, Juscelino Kubitschek, foi o padrinho da menina e, aos 15 anos, as duas Brasílias comemoraram o aniversário com uma grande festa de debutantes.

    A cada aniversário da cidade, inauguração de empreendimento ou datas especiais, Brasília estampava páginas de jornais e marcava presença nos eventos. “Minha mãe era uma mulher do povão”, conta Grazielle Góis, 21 anos, filha de Brasília. O outro filho é Khristiano Góis, 15 anos, que tem a letra K no nome em homenagem ao padrinho da mãe. A servidora pública aposentada carregava o nome com orgulho e quase nomeou a filha de Brasilinha, para preservar a tradição. Desistiu apenas no final da gestação. O amor pela cidade era grande, apesar da persistente mágoa com o esquecimento para o qual voltava no dia seguinte de cada festa.

    Quando completou 15 anos, a jovem ganhou de presente do GDF um baile de debutantes.

    Em 2002, Brasília resolveu tentar a vida política. Se candidatou a deputada distrital pelo PMDB e recebeu 518 votos. Em 2006, quis tentar novamente, mas teve a candidatura impugnada por não ter prestado contas da campanha anterior. A servidora pública se afastou do cargo no Hospital Regional de Ceilândia para cuidar de uma depressão.

    A saúde não estava bem há muito tempo. Fumante inveterada, considerava o cigarro o único prazer que ainda tinha e, por conta dele, os pulmões já pediam descanso. Era também hipertensa, diabética e com histórico de problema nos rins. Além da depressão, era diagnosticada como esquizofrênica e portadora de transtorno bipolar. Tratou-se no Hospital São Vicente de Paula, mas, nos últimos tempos, a depressão havia se agravado.
    A estudante Grazielle Góis, 21 anos, filha de Brasília, recebeu a solidariedade de amigos e parentes no Cemitério de Taguatinga

    “Ela estava sem ânimo, não queria sair de casa. Só consegui levá-la para ver meus padrinhos. São amigos antigos e ela disse que não sabia se ainda os veria. Na volta para casa, ouvimos a música Filho adotivo, do Sérgio Reis, e choramos cada uma em seu canto. Éramos muito parecidas”, conta a filha.

    Em 31 de agosto, sofrendo há algum tempo, Brasília foi internada. Só queria a companhia da filha. Dois dias depois, foi transferida para a sala vermelha e, com dificuldade, afirmou para Grazielle que estava “nas últimas”. No dia seguinte, Brasília foi entubada. No outro, piorou. A filha foi informada de que podia entrar com uma ação na Justiça requerendo a transferência para um leito de UTI. No feriado da Independência, enquanto uma Brasília estava em festa, a outra era transferida para o Hospital Regional de Santa Maria.

    “Na quinta-feira, cheguei para visitá-la. Conversei um pouco com ela e vi que os batimentos subiam quando eu falava. Saiam lágrimas dos olhos dela e eu fui secando uma por uma. Ela pediu que eu a abraçasse, que ficasse ali um tempo”, relembra Grazielle. A estudante conta que, desde que começou a ficar doente, Brasília afirmava que não seria capaz de resistir à hemodiálise. Quando o médico avisou, na sexta-feira, que seria preciso passar pelo procedimento, a pressão da servidora pública baixou. No sábado cedo, Brasília teve uma parada cardíaca e morreu.

    Grazielle diz que a mãe deixou tudo pronto para a morte. As pastas com os documentos de uma vida estavam organizadas em cima da cama. “Ela estava sofrendo muito, tenho fé de que agora está descansando”, explica a filha. Na tarde ensolarada deste domingo, Brasília foi enterrada no Cemitério de Taguatinga, na presença de amigos e familiares que foram prestar a última homenagem à senhora que levava a capital no nome.


    Fonte: Juliana Contaifer – Fotos:Antonio Cunha/D.A.Press – Arquivo-CB/D.A.Press – F.Gualberto/CB/D.A.Press – Correio Braziliense

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