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  • sábado, 10 de setembro de 2016

    #História: Brasília chamando

    Congresso Nacional em construção visto do STF, Brasília, 1959 - Foto: Thomaz Farkas.

    Por: Gustavo T. Falleiros

    Às vezes, quando a gente gosta muito de uma coisa, chega aquele momento mágico em que não é mais preciso procurar por ela: tudo o que diz respeito ao objeto de interesse vem às mãos com naturalidade. Isso tem acontecido comigo com relação aos primórdios da capital. As pessoas já sabem que eu sou fascinado pelo assunto e me presenteiam com pequenas joias. O achado mais recente é um exemplar da revista Brasília, de fevereiro de 1960, em ótimo estado de conservação. Uma cortesia do amigo Lúcio Flávio, ele próprio um entusiasta da cidade modernista.

    Sobre a revista editada pela Novacap, nunca é demais lembrar sua importância. Surgida da obrigação da companhia urbanizadora de publicar seus atos, ela foi muito além. O projeto gráfico era tão bonito que até as prestações de contas tinham charme. O expediente de colaboradores variava muito, mas há de se reconhecer as mãos dos arquitetos Artur Lício Pontual, Hermano Gomes Montenegro e Armando Ivo de Carvalho Abreu no acabamento estético. O auge dessa produção foi de janeiro de 1957 a abril de 1960, quando mantiveram uma contagem regressiva, mês a mês, até a inauguração de Brasília. Depois, foram desacelerando até o desmantelamento total, provocado pelo golpe de 1964. Edições esparsas vieram à tona mais tarde — as duas últimas, em 1988.

    O exemplar que ganhei, número 38, é dos melhores. É uma pepita da fase áurea, coordenada por Nonato Silva. Na capa, mais uma etapa vencida da construção do Palácio do Planalto, num registro feito pelo fotógrafo franco-brasileiro Marcel Gautherot (!). Na legenda, o apelido esquecido: “O Palácio dos Despachos” (!!). No miolo, o então presidente norte-americano Dwight Eisenhower recebe a chave de Brasília (!!!), durante uma cerimônia na Rodoviária. Percebe-se, pela foto, que a plataforma não tinha muretas de proteção, e o povo ficava na beirinha, sem se preocupar com a altura.

    Em termos de conteúdo, como era de se esperar, são páginas repletas de elogios despudorados ao projeto de Lucio Costa. Mas também há drops de humor involuntário e promessas jamais cumpridas. Um artigo de Apolônio Sales se mete a defender as granjas faraônicas da futura capital, sobre as quais, pelo que pude inferir, pesavam suspeitas de malversação de recursos públicos. “Sinto-me no dever de informar aos que me honram lendo o que escrevo que a granja da Novacap não é nenhum amontoado de extravagância de avicultor rico, esbanjador de dinheiro. É uma granja certa”, garante. Isso deve ter sido um escândalo na época.

    Sensacional é a resposta do engenheiro Pery da Rocha França, chefe do Departamento de Edificações, aos seus detratores, céticos com relação ao cumprimento de prazos das obras. Leio na página 20: “Aquêles que desconhecem como se trabalha em Brasília têm suas razões para descrer de tal possibilidade, mas a verdade é que, em Brasília, a fôrça da fé e da vontade está sobrepujando a própria técnica”. Falou, tá falado. Aliás, sabia que a cobertura da visita de Eisenhower foi publicada em tempo recorde pelos vespertinos americanos? “Destruindo mesmo as notícias pessimistas que se referiam a um isolamento da Nova Capital do País”, essa “Califórnia brasileira”. Peraí, eu disse “Califórnia brasileira”?

    Um brinde para o leitor: acesse o PDF da edição 42 da revista Brasília clicando no link ( goo.gl/9suJiP ) E não se esqueça de que o Arquivo Público do DF tem a coleção inteirinha digitalizada. Cabe em um pen-drive.




    (*)Gustavo T. Falleiros – Jornalista – Correio Braziliense - Nascido em Brasília em 1979 - Criado nos pilotis da Asa Sul - Mãe carioca e pai mineiro – Foto/Ilustração: Blog - Google

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