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  • domingo, 26 de fevereiro de 2017

    #OPERAÇÃODRÁCON » Pronta para julgamento

    Na segunda etapa da Drácon, policiais civis retiraram escutas ambientais que gravaram 10 dias de conversas em gabinetes de investigados
    Gravações mostram que Celina e assessores investigaram Vigilante, rival da ex-presidente da Câmara

    Denúncia de venda de emenda parlamentar deve entrar em breve na pauta do Tribunal de Justiça. Desembargadores vão analisar também pedido de afastamento de cinco distritais do mandato parlamentar

    *Por: Helena Mader - Matheus Ferreira,

    Uma das operações policiais mais rumorosas da história política de Brasília, a Drácon completou seis meses. O Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal deve analisar em breve o recebimento da denúncia do Ministério Público do DF contra cinco deputados acusados de envolvimento num suposto esquema de venda de emendas. O prazo para apresentação das defesas já se esgotou e falta apenas a manifestação da Procuradoria-geral de Justiça do DF para que o processo seja analisado pelo Judiciário. Mas as apurações sobre o escândalo estão longe de terminar e muitos desdobramentos do episódio ainda estão por vir. Entre as dúvidas que pairam sobre a operação, está a participação de empresários e a suposta destruição de provas antes da deflagração da Drácon.

    As conversas captadas em escutas ambientais instaladas nos gabinetes de três deputados distritais, Celina Leão (PPS), Cristiano Araújo (PSD) e Júlio César (PRB), também vão municiar novas frentes de investigação. Os áudios foram encaminhados ao Instituto de Criminalística da Polícia Civil do DF, para degravação dos diálogos, a pedido do desembargador José Divino, relator da denúncia, e do pedido de afastamento do cinco deputados de seus mandatos. O argumento do Ministério Público é de que os distritais usam o mandato na Câmara Legislativa e a CPI da Saúde para criar uma cortina de fumaça contra as acusações de aprovação de uma emenda parlamentar para pagar dívidas com empresas na área de UTIs em troca de propina. 

    Escutas
    Na primeira etapa da Drácon, a Polícia Civil do DF instalou escutas nos gabinetes dos investigados. Ontem, o Correio publicou, com exclusividade, parte dos áudios captados nos 10 dias seguintes à deflagração da Drácon. Os diálogos publicados pela reportagem são os de Celina e Cristiano Araújo com interlocutores, entre aliados políticos e assessores. Nas conversas, os deputados falam sobre estratégias de defesa, que incluem ataques a adversários. Eles também analisam com assessores maneiras de reduzir os impactos do escândalo na opinião pública e formas para barrar uma possível cassação de mandato.

    Nos dias subsequentes à operação, Celina encontrou-se com pessoas que teriam denúncias contra o deputado Chico Vigilante (PT) e contra o governador Rodrigo Rollemberg (PSB). No período em que as escutas gravavam nos gabinetes, Celina recebeu, por exemplo, Jefferson Rodrigues Filho, que invadiu e clonou o celular de Rollemberg em 2016 para se passar pelo chefe do Executivo local e conseguir benefícios. Numa conversa entre assessores da deputada, eles falam até em conseguir um emprego para Jefferson Filho, caso ele repassasse informações importantes sobre o socialista. Naquele dia, a equipe de Celina levou horas montando uma estrutura para gravar o diálogo com o hacker.

    Inimizade
    A relação de inimizade com Vigilante também fica explicitada nas conversas. Além de tê-lo chamado de “mentiroso”, ela recebeu a visita de uma ex-funcionária do parlamentar que teria denúncias contra ele. 

    Já Cristiano Araújo reclama, diversas vezes, que tem mais gente envolvida do que ele no esquema. “Não tamo (sic) nem um terço do que nego tá enrolado”, diz. Em outro trecho, ele diz que será difícil encontrar um inocente na Câmara Legislativa: “Vamos ser sinceros: ninguém aqui é virgem”. 

    Os áudios também mostram as articulações dele para escapar de uma possível cassação e até da prisão. A um assessor, ele relata um encontro com Leonardo Prudente, pai do distrital Rafael Prudente (PMDB) que, àquela época, era o corregedor da Casa.

    Celina Leão garante que nunca teve a intenção de fabricar dossiês contra ninguém. “Nunca fiz dossiê. Quem faz dossiê manda para os veículos da imprensa, coisa que nunca fiz”, afirma. Ela também diz que nunca procurou ninguém para buscar provas contra Rollemberg ou Vigilante. “Não fui atrás de nenhum estelionatário. Ele veio ao meu gabinete. Como deputada, fiscal do povo, tenho a obrigação de receber a população que me procura. A denúncia foi devidamente registrada e encaminhada à Polícia Federal e ao Ministério Público”, disse. “Quanto à assessora de Vigilante, também nunca a procurei. Fiz a gentileza de atendê-la em meu gabinete. Fiz o registro da presença dela à Polícia Legislativa e encaminhei cópia ao deputado”, garante. 

    Criatiano Araújo disse ao Correio não se lembrar de ter encontrado Leonardo Prudente. Sobre usar a CPI para atacar o governo, ele explicou que “àquela época, estava em uma linha de enfrentamento com o governo, pela solicitação de demandas à população”. 

    Chico Vigilante reagiu com indignação às investigações de Celina Leão sobre sua carreira política e a vida de familiares. “Essas gravações mostram que uma quadrilha investigada na Operação Drácon se instalou na Câmara e usou a política do gambá, que é tentar espalhar o fedor”, disse Vigilante.

    A operação foi realizada em 23 de agosto de 2016 e atingiu a cúpula da Câmara Legislativa. A então presidente da Casa, Celina Leão, e os três secretários da Mesa Diretora, Bispo Renato (PR), Raimundo Ribeiro (PPS) e Júlio César, foram alvos de mandados de condução coercitiva e de busca e apreensão. Por determinação judicial, todos foram afastados dos cargos de direção na Casa. Além deles, Cristiano Araújo também teve que prestar depoimentos e acabou denunciado em decorrência do escândalo, assim como o ex-secretário-geral da Câmara Valério Neves.

    “Nunca fiz dossiê. Quem faz dossiê manda para os veículos da imprensa, coisa que nunca fiz”
    Celina Leão, deputada distrital (PPS)

    “Uma quadrilha investigada na Operação Drácon se instalou na Câmara e usou a política do gambá, que é tentar espalhar o fedor”
    Chico Vigilante, deputado distrital (PT)



    (*) Helena Mader - Matheus Teixeira - Fotos: Andrá Violatti-Esp-CB/D.A. Press - Correio Braziliense

    MP apura acusação contra Faraj

    Por Matheus Ferreira,

    Ex-servidor apontou desvios de verba indenizatória
    A deputada distrital Sandra Faraj (SD) é o novo alvo de investigação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). A vice-procuradora-geral de Justiça do DF, Selma Sauerbronn, pediu à Câmara Legislativa cópias das informações dadas pelo ex-servidor da Casa Filipe Coimbra sobre supostas irregularidades realizadas pela distrital com recursos da verba indenizatória. 

    Com base nessas informações e em novas diligências, o Ministério Público deverá decidir se apresenta ou não denúncia por desvios de recursos contra a deputada.

    Coimbra era lotado no gabinete de Sandra e ganhava R$ 11 mil mensais enquanto a empresa de sua esposa, Michelly Nogueira, que fez a denúncia, prestava serviço à parlamentar. Representante da Netpub Agência de Comunicação e Tecnologia, Michelly afirma que a distrital contratou a empresa, não pagou e, mesmo assim, apresentou notas fiscais num total de R$ 174 mil pedindo ressarcimento do valor à Câmara. A denúncia veio à tona em reportagem da TV Globo.

    Além de requerer toda a documentação de Faraj que envolve as verbas indenizatórias, o MPDFT também pediu esclarecimentos sobre empregados da Casa com vínculo com empresas contratadas pelos deputados. A vice-procuradora-geral de Justiça quer saber como funciona a fiscalização da Casa para saber se realmente todos os serviços declarados nas verbas indenizatórias foram prestados.

    No despacho, Selma Sauerbronn afirma que “as informações serão usadas para instruir procedimento de investigação criminal destinado a apurar suposta prática de crime pela deputada e pelo ex-servidor”. 

    O contrato entre a deputada e a empresa teria sido celebrado em fevereiro de 2015. A Netpub seria responsável por criar um sistema de informática para o gabinete e o pagamento seria feito em seis parcelas de R$ 15 mil e outras seis de R$ 14 mil. Depois de três meses sem receber, porém, a empresa parou de trabalhar para a distrital. Mesmo assim, a distrital apresentou à Câmara notas fiscais dos serviços prestados pela Netpub por 12 meses. 

    Sobre a denúncia, em nota, a assessoria de comunicação de Sandra Faraj informou que “causa estranheza e perplexidade o fato de a empresa alegar falta de pagamento apenas um ano após a rescisão de contrato, sobretudo quando a própria agência emitiu as notas fiscais e atestou o recebimento, inexistindo qualquer ação judicial prévia de cobrança ou execução”. A distrital apresentou uma queixa-crime contra o empresário.

    A Organização Adote um Distrital também quer explicações sobre o episódio. A entidade que fiscaliza a atuação dos deputados pediu à Câmara uma investigação sobre os gastos de Sandra Faraj com a verba indenizatória. A depender dos fatos, a representação pode provocar um pedido de abertura de processo por quebra de decoro parlamentar contra a distrital.

    Rompimento
    Na semana passada, Faraj foi criticada pelos deputados que integraram o grupo que elegeu Joe Valle (PDT) presidente da Câmara, em dezembro. Faraj rompeu com o grupo e se aliou à bancada aliada ao governador Rodrigo Rollemberg para a eleição dos membros e presidentes das comissões permanentes.

    Esse movimento causou uma reação entre deputados que passaram a hostilizá-la e a defender nos bastidores o andamento do pedido de cassação contra a deputada pelas denúncias de uso irregular da verba indenizatória.

    Faraj alegou que o acordo fechado na eleição da Mesa Diretora valia apenas para aquela ocasião. Num outro arranjo político, ela optou por seguir com Rollemberg.


    (*) Matheus Ferreira – Foto:Jhonatan Ferreira –Esp-CB/D.A. Press- -  Correio Braziliense

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